A quem muda Deus ajuda
A mudança pela mudança incomoda-me. Se calhar é por isso que sou conservador. Mudar não é na sua natureza bom, razão pelo qual o povo na sua imensa sabedoria diz “A quem muda Deus ajuda”. Se fosse bom não necessitávamos da intervenção divina a nosso favor. É a compensação que sempre existe nos ditos populares para tudo o que corre mal, seja a aranha que cai na sopa, que “É dinheiro!” ou a nódoa de vinho na mesa que dá felicidade. Já era demais, além da asneirada, ainda dar azar ou fazer cair os dentes todos. Há que animar a malta face à desgraça. Dirão “E o espelho e os sete anos de azar?” – a excepção só vem confirmar a regra…
Se mudar é mau então deixamos estar qualquer situação, por pior que seja? Claro que não. Há é que evoluir. Aproveitar o que de bom está feito e construir sobre o que de útil existe. Não é necessário estagnar. Sendo certo que é ténue a fronteira entre a coerência e a falta de imaginação, a coerência evita o dispersar de energias a reinventar o que funciona. “If its not broken, don’t fix it.”
É evidente que estas considerações a poucos dias de umas eleições em que um dos partidos defende que está na hora da mudança, não é mera coincidência. Mudança cheira-me a milhares de novos directores, subdirectores, assessores e tudo o resto acabado em ores ou oras. Milhões de euros a redenominar os Institutos, as Comissões de Coordenação, o Instituto do Vinho do Porto passar a Instituto do Vinho Fino, novos timbres e novos logos. A não ser que tenhamos uma tipografia próxima do partido em questão, não podemos ficar indiferentes a esta perspectiva.
Parece que vamos mudar. Que Deus nos ajude…
LPC


1 Comments:
Meu caro LPC: iremos, mesmo, mudar? Eu tenho a impressão que não. Que vamos continuar, substancialmente, na mesma, pese embora os actores possam ser outros. Mas será isso mudança? Chegará mudar os actores para dizermos que se mudou? I don't belive! Abraço. JPDias
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Unknown, at 1:04 da manhã
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