Senhora do Monte

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Que debate fabuloso!

Tinha que chegar a minha vez.
Estive acamado o dia todo, a contas com uma arreliadora gripe, que proporcionou ao meu enferrujado termómetro subir até aos 40 graus.
À custa dos Ilvicos da ordem consegui melhorar para o final do dia e estive agora a assistir ao debate, atacado por uns míseros 38,75 graus.
Considero-me portanto, em perfeito estado de má conservação e completamente capaz de produzir uma análise crítica do fantástico debate a que acabo de assistir.
Tratou-se provavelmente do melhor debate político desde aquele do “Olhe que não! Olhe que não!”.
Gostei de tudo.
O mediador Rodrigo Carvalho começou por solicitar respostas concretas e os contendores respeitaram cegamente o pedido.
Assisti a um debate vivo, dinâmico, frontal, com um contraditório fantástico, réplicas pertinentes e tréplicas esclarecedoras.
Gostei de tudo, desde a gravata do Santana, aos copos do Depósito da Marinha Grande, passando pelos balcões azuis, a alcatifa bordeaux, os semáforos das mesas, os gestos do Sócrates, os guiões, os artistas que os interpretaram, em suma, não houve nada de que eu não tivesse gostado.
A metodologia do debate também foi muito bem escolhida, muito eficaz, extremamente sagaz.
Os actores só tinham dois minutos para responder e trinta segundos para replicar, o que nos poupou a um incomensurável chorrilho de asneiras.
Em suma, hoje foi colocado um ponto final em 30 anos de Iluminismo bacoco e a auto-estima dos portugueses subiu em flecha.
Os protagonistas não foram populistas.
Revelaram ter escrúpulos.
Nos momentos adversos não foram directamente “às canelas” do adversário.
Estes dois políticos, meus caros, não merecem o nosso desprezo.
Depois deste debate, nada mais será como antes e estou certo que enquanto escrevo estas linhas – com o termómetro debaixo do sovaco esquerdo – uma onda de optimismo invade todo o país de Norte a Sul.

P.S - Estou com 40 outra vez, vou “mamar” mais dois Ilvicos e deitar-me.

1 Comments:

  • ehehehehe,
    só mesmo em estado de delirio, se poderia escrever isto.
    cumprimentos,
    Bruno Sousa

    By Anonymous Anónimo, at 12:10 da tarde  

Enviar um comentário

<< regressar à página de entrada