Senhora do Monte

domingo, fevereiro 06, 2005

Posto de escuta - II

Tom Waits



“The piano has been drinking … not me.”

A ideia de fazer um post sobre Tom Waits surgiu-me num jantar com uns amigos cá da casa, na “Veneza portuguesa”, pois para minha surpresa, a música de fundo no restaurante cujo nome não recordo (ajuda-me, João Pedro), era do músico /compositor /encenador /actor americano.
Nunca antes tinha ouvido Tom Waits num local público, para não falar das rádios. Sempre considerei a escuta do seu trabalho com algo de intimista e não partilhável, até porque não havia muita gente com quem partilhar Tom Waits.

Apesar de, na generalidade, aquelas que consideramos ser as nossas preferências musicais tenderem a evoluir com o passar dos tempos, no meu caso algumas dessas preferências são transversais a essa evolução. Waits é um desses casos. Desde os primeiros álbuns como o Closing Time (1973) ou o Small Change ( 1976), de onde retirei a citação acima, de um tom mais piano-bar e ortodoxo até aos mais experimentais onde Tom Waits, em sentido contrário da corrente que procura sons mais elaborados e electrónicos, procura retirar sons de objectos bizarros, construindo mesmo “instrumentos musicais” a partir de canos ou outros estranhos objectos com sonoridades surpreendentes, mas sempre com a sua inconfundível voz que tresanda a whisky.


Nunca consegui dissociar a música que ouço das letras, das estórias que nos contam essas músicas, e nesse sentido Tom Waits sempre me encheu as medidas, quer sejam as Soldier’s Things ou o texto delirante de Frank’s Wild Years (ambos de Swordfishtrombones,1987).

” …Had a little Chihuahua named Carlos that had some kind of skin disease and was totally blind (…) Never could stand that dog”


LPC

2 Comments:

  • A sua voz, diria, cavernosa é única, espectacular, diferente.
    Mas ao mesmo tempo é muito afinada.
    Gosto muito de uma música do Blood Money, que é God´s away on business.
    E tu que aprecias as letras, é ouvir com atenção.
    Para o meu nível de Inglês a traduçaõ é muito, muito díficil. Quase impossivel.
    Fica a mensagem que é compreensível e muitas vezes oportuna.
    Grande Abraço.

    By Blogger gelsenkirchen, at 12:54 da manhã  

  • Centenário (passe a publicidade). Abraço. JPD

    By Blogger Joao Pedro Dias, at 4:03 da manhã  

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