Senhora do Monte

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Hay Gobierno, Estoy contra

Todos temos na vida algumas paixões e amores, no entanto tirando os filhos e porventura o respectivo clube de futebol, que todos, ou quase todos os homens, amam incondicionalmente todos os outros amores e paixões são mutáveis.
Quer dizer, com os filhos não existem hesitações, nem por um minuto durante a vida nos passa pela cabeça amar menos um filho, é um sentimento irracional, definitivo, um laço inquebrável, não existem nunca dúvidas sobre os nossos sentimentos.
Em relação a tudo o resto sentimos que nada é definitivo.
Mesmo aquilo que desejamos convictamente, em determinadas alturas da vida, que seja definitivo e duradouro, pode deixar de o ser por razões do coração, da ética, da filosofia, da moral, enfim, por razões da própria condição humana e da mutabilidade das circunstâncias.
O que quero dizer é que mesmo com as nossas mulheres ou maridos que amamos, com os nossos pais, avós, primos e irmãos que adoramos, com os nossos melhores amigos que amamos fraternalmente, já tivemos momentos de afastamento, de descrença, de dúvidas, já fomos capazes de estar uma semana, um mês, zangados, afastados.
Normalmente, a reconciliação acaba por ser o resultado final destes desencontros, mas o que é certo é que as relações, como alguém dizia, são como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo.
Serve este já longo intróito para confirmar aos estimados leitores que futebol e política são duas artes pelas quais sinto especial predilecção e paixão.
Tenho com elas uma relação de amor-ódio, existem épocas de descrença e cansaço, que vão alternando com momentos de grande positivismo intelectual e forte empenho.
Actualmente, devo dizer que atravesso uma fase de profunda desilusão em relação aos políticos e aos partidos políticos que se oferecem como alternativa para governar os destinos do país.
No entanto, acho que nunca como agora, a situação política merece ser encarada com o máximo de consciência cívica.
A frase que utilizo como título deste postal é uma frase que como saberão remete para o Anarquismo.
Não é ingénua.
Nestas fases em que ando descrente e desiludido, sinto-me sempre um Anarquista, porventura não no sentido dogmático do termo, já que não chego ao extremo clássico e doutrinal de condenar a própria existência do Estado, mas ainda assim um Anarquista.
Anarquista no sentido de pensar no Estado como uma sociedade desorganizada em que não se vê entre as alternativas de Governo propostas, uma que nos dê garantias razoáveis de manter, modernizar e melhorar a ordem institucional.
E isto acontece porque as lideranças que ora nos propõe são destituídas de autoridade, não são, em si mesmas, lideranças.
Devo dizer, para ser claro que, do que me recordo – estou a escrever sem qualquer suporte documental – votei a primeira vez em 1991, nas eleições legislativas.
Votei Cavaco.
Mais tarde em 95, na disputa entre Nogueira e Guterres fiquei em casa.
Em 99 e 02, votei em Durão.
Em termos de Presidências em 91, no confronto Basílio - Soares, não votei.
Em 96, votei Cavaco.
Em 01, no confronto Ferreira do AmaralSampaio, voltei a ficar em casa.
Recordo-me de em 1986, ainda sem idade para votar, ter andado a colar cartazes de Freitas, nas memoráveis eleições que o opuseram na 1ª volta a Soares, Pintassilgo e Zenha e na 2ª volta a Soares.
Fiquei muito desiludido com a inesperada derrota de Freitas.
Nas Autárquicas, como ainda voto em Sintra, só uma vez votei e nas Europeias, quando votei fi-lo sempre no PSD.
Ainda de memória, recordo Sá Carneiro, Sousa Franco, Balsemão, Mota Pinto, Nogueira, Marcelo, Durão e Santana, como Presidentes do Partido – é provável que me esteja a escapar algum – todos grandes figuras do regime democrático, pessoas sérias, credíveis, Estadistas, pelo menos no sentido que eu atribuo ao termo.
O PSD tem razões para se orgulhar destes líderes.
De todos, menos de Santana.
Ele destoa nesta lista.
E aqui reside o problema.
Eu acredito em líderes fortes, carismáticos, que revelem uma visão de futuro para o país, com rasgo político, com capacidade para dirigir reformas.
Que trace objectivos e se torne escravo do seu cumprimento.
Ora os predicados de Santana estão nos antípodas dos que acabo de enunciar.
É um homem com uma desmedida ambição, que vai notoriamente muito para além dos seus méritos e cuja acção governativa foi absolutamente medíocre, tendo sido sem margem para qualquer dúvida o líder do Governo mais patético e anedótico de que há memória.
É um imcompetente!
Não está à altura dos cargos que tem ocupado e não possui qualificações mínimas para ser mais do que um Chefe de Gabinete, ou no limite, um Secretário de Estado.
É este o Estado das Coisas!

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