Senhora do Monte

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Bem me parecia que o invasor era muito dado aos direitos humanos

Saddam Hussein vai sentar-se numa jaula semelhante à utilizada no filme "O Silêncio dos Inocentes" durante o seu julgamento, em Bagdad, noticia hoje o jornal sensacionalista britânico The Sun, que afirma ter fotografias da sala. Segundo o jornal, a sala de audiências que está a ser construída num dos antigos palácios do ditador na zona verde de Bagdad tem já no seu centro uma jaula de metal, muito semelhante à usada no filme "Silêncio dos Inocentes" para alojar o psicopata Hannibal Lector, interpretado pelo actor Anthony Hopkins. [...] "A segurança vai ser imensa. Saddam vai estar numa cela subterrânea e será transportado para a jaula no tribunal num elevador", explicou ao jornal uma fonte, que não é identificada. (...)

Punta del Este e Punta Ballena

Todos falam de Punta del Este, a capital turística do Mercosul.
A zona mais emblemática estende-se desde a Playa Las Delicias, até ao Puerto e a zona da Playa Mansa, passando pelo sumptuoso e cosmopolita Hotel Conrad que fica defronte à Ilha Gorriti.
Mas o que se pode dizer de toda uma costa que não é banhada por mar, mas antes por um rio?
Onde não há uma onda!
Onde a água é gelada, porca e recebe canais de esgotos a céu aberto!
Eu penso que se pode dizer que se trata de uma farsa, arquitectada pelo governo uruguaio e pelo próprio Mercosul, no sentido de apelidar aquele país como a Suiça da América do Sul.
Deixo aqui uma recomendação: se algum dia demandarem àquelas paragens, fujam de Punta del Este a sete pés e refugiem-se em Punta Ballena – de quem inexplicavelmente os guias não falam - de preferência com reserva na absolutamente divinal Casapueblo, de onde falarei mais à frente.

Dar colo a esta ideia

A Ajuda de Berço vai organizar no próximo dia 16 de Março um jantar de angariação de fundos no Casino Estoril (com direito a espectáculo), cuja receita reverte na totalidade em favor das crianças carenciadas que se encontram à sua guarda. As reservas devem ser feitas até 4 de Março, sendo possível reservar mesas para grupos. Confesso que tenho alguma esperança de que deste miradouro possa sair uma mesa bem composta. Pelo menos dez pessoas... parece-vos bem?

domingo, fevereiro 27, 2005

E Durão Barroso?

Quando, há cerca de quatro anos, sendo ainda primeiro-ministro de Portugal, António Guterres rejeitou a possibilidade de presidir à Comissão Europeia, optando por permanecer na chefia do governo, afirmou, em entrevista à TSF, que tal oportunidade certamente nunca mais se proporcionaria, dado que «o comboio da vida não pára duas vezes na mesma estação». Quando esse mesmo comboio parou à porta de Durão Barroso, este entendeu dever apanhá-lo. Foi muito bom para o próprio. Foi lisonjeiro para o País. Está, todavia, ainda por apurar é qual a verdadeira responsabilidade de Durão Barroso na hecatombe eleitoral da direita democrática do passado domingo. Sendo certo que parece de todo injusto atribuir a Santana Lopes a totalidade da responsabilidade por esse desaire - pese embora a impreparação e incompetência absolutas de que deu imensas provas para o exercício da função. Se compararmos o resultado da coligação de direita nas eleições europeias com a soma dos resultados dos dois partidos que a integraram no passado domingo, ver-se-á que a diferença andará pelos 3%. Tendo a acreditar que essa é a verdadeira dimensão da «culpa» de Santana Lopes

sábado, fevereiro 26, 2005

António Guterres....

... informam-nos aqui, irá até ao Iraque, nos próximos tempos, dar aulas de governação em democracia. Sem saber bem «por que carga de água», ocorreu-me que o distinto professor bem por aqueles lados poderia ficar - pelo menos por mais uns tempitos. Pelo menos até depois das próximas eleições presidenciais.

...Deus...

... Provavelmente 90% da população Mundial acredita em Deus, assuma Ele a forma que assumir, tome Ele o nome que tomar.
Este é sempre um tema, polémico, que exacerba paixões e fundamentalismos, em nome D`Ele se ama ou se mata, se ri e se chora, se é feliz e infeliz. Tenho para mim que Deus pode ser o Deus católico, pode ser Alah, pode ser Buda, pode ser Jeovah, pode ser o vento, o céu, a natureza. Deus pode ser aquilo que faça os Homens sentirem-se protegidos, crentes, amados. Deus é algo poderoso, uma Luz imensa que deve aquecer os nossos corações e nunca deverá ser motivo de discórdia ou ódio, que Deus seria esse que em vez de proclamar o amor proclama o ódio?
Eu acredito em Deus, acredito que existe uma força superior a todos os homens, mas um Deus de amor e compreensão, não de guerras e ódios, por isso mesmo até aceito que Deus, não seja o "meu" Deus mas sim outro Deus qualquer, mas não deixa de ser Deus...

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O meu candidato


Apesar de não ter direito de voto no próximo Congresso do PSD, nem por isso quero deixar de proclamar que tenho um candidato à liderança lá da instituição. De acordo com o meu superior critério, reúne a maior parte das condições e dos atributos necessários ao exercício do cargo.
Ora reparem:
- Foi Ministro;
- Foi amigo de Santana Lopes;
- Foi o primeiro a dizer mal do líder e acusá-lo das maiores diatribes possíveis;
- Foi o primeiro a declarar publicamente a incompetência do anterior Primeiro-Ministro;
- Fez mais pela queda do último governo que toda a oposição junta;
Ora, por tudo isto, é da mais elementar injustiça que os nossos comentadores políticos nunca hajam considerado ou aventado, sequer, a hipótese da sua candidatura á liderança do partido.
Pois bem, para suprir tamanha lacuna e tão grava ingratidão, desde já e daqui declaro que apoio formalmente para candidato à presidência do PSD este senhor



Tenho dito.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

O paraíso para a criançada

Saindo do Aeroporto de Ezeza e tomando a direcção do centro da capital argentina, ou saindo do Buquebus avançando rumo ao coração de Montevideo, vão ficando para trás, na linha do horizonte, dezenas e dezenas de campos de futebol em ambas as margens das estradas e avenidas.
Nos relvados e sintéticos, alegremente, crianças, adolescentes, novos e velhos, correm atrás da pelota.
Dei comigo a pensar que se fosse criança era lá que queria crescer e viver.
Dir-me-ão os menos atentos: "isso é a América do Sul!".
Mas eu riposto que se fizerem a mesma experiência, saindo de Schippol, apanhando o comboio e percorrendo a distância até à Central Station, no pulmão da colorida Amsterdam, ou se rumarem ao centro de Londres, a partir de Heathrow, passarão por dezenas e dezenas de campos de futebol, exactamente iguais aos sul americanos.
Praticamente um por rua!
Que diferença para o nosso quintal, onde só as escolas e os clubes de futebol amador praticam esse serviço público.
E sempre com o fisco à perna!

Todos diferentes, todos iguais

O grande problema argentino é a corrupção.
Fontes fidedignas e informadas garantiram-me que é absolutamente vulgar um funcionário público cobrar 100% de comissão para autorizar alguma compra, emitir simples documentos ou despachar um qualquer processo burocrático.
Lá como cá.

Efeitos da crise

Há 3 anos a crise estava no auge, os Bancos fecharam e foram poucos os felizardos que conseguiram salvar as poupanças e colocá-las "ao fresco", leia-se, na Suiça da América do Sul, o Uruguai.
Só agora, 3 anos volvidos as exportações voltam a animar.
Hoje, um Bancário aufere 1000 Pesos, os mesmos que auferia em 2001.
Em 2001, valiam 1000 USA, ao câmbio de hoje, não ultrapassam os 300 USA!

Na Argentina sê argentino

Os argentinos comem carne ao pequeno almoço, ao almoço, ao lanche, ao jantar e à ceia.
Segue o preçario:
1 kg de Filet Mignon - 3 euros
1 Kg de Costeleta - 2 euros
Existem pelo menos 34 variedades de carne!
Durante uma tarde inesquecível estive numa Herdade em plena Pampa, onde me bati durante horas com as típicas "empanadas" e com um "asado" gaúcho memorável.
Estás a salivar, caro Pedro Guedes?
Não há como escapar!

...Camaradas...

... Acho de mau gosto este, recente, tratamento por camarada. Confesso não ser fundamentalista ao ponto de me sentir incomodado com isso, mas que coisa, há limites, pelo menos para o bom senso... Assumo não ser camarada de nenhum dos componentes deste Blob, a saber:
Não sou nem nunca fui companheiro de quarto de nenhum deles; não sou nem nunca fui colega, parceiro, condiscípulo ou tão pouco indivíduo do mesmo ofício; não sou nem fui militar nem sou filiado em nenhum partido que utilize tal vernáculo.
Assim sendo, não entendo porque motivo teremos que baixar o nível intelectual neste Blog utilizando linguagem jaez...
P.S. (Salvo seja) - eheheheheheh

No llores por mi, Argentina...

Aqui o nosso estimado camarada de blogue, posto que me queria fazer inveja, acabou de chegar de Buenos Aires. Como se não bastasse, resolveu armar-se aos cucos para nos deixar com água na boca, depositando imagens da cidade que mais imagino perto do paraíso. Na verdade - e para quantos não o saibam - a Argentina é de todos os países que não conheço, aquele que mais sinto chamar por mim. Vai para seis anos, quando me casei, estive de viagem de núpcias marcada - a meias - entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires. Entendeu o destino acabar por mandar-me para outras paragens...
Certo é que o bichinho foi ficando. E se a ida do Patrick a Buenos Aires já me cobria com o pecado da inveja, mais grave ainda é saber que o nosso amigo estacionou uns dias em Punta del Este - ali na Nação da frente - localidade tida como a Ibiza da América do Sul e que à semelhança da capital argentina já estive para visitar umas duas ou três vezes. Nunca calhou - que eu sou pouco mais que remediado. E agora vem o gajo meter aqui as fotografias do meu desejo... e de caminho ainda fala na Santa Evita e nos descamisados... Este capitalista anda a gozar com quem trabalha...!

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

A Movida

A Esquina de Carlos Gardel.
Incontornável na noite da capital argentina.
Boa mesa, acústica inacreditável e um espectáculo digno da Brodway.
E depois, aquela dança, é de cortar a respiração.
Sedução, sedução e mais sedução.

Bairro de La Recoleta

O único bairro do mundo onde é possível nascer, viver e morrer divinamente.
Trata-se do bairro mais aristocrático de Buenos Aires, onde fica o Cemitério da Recoleta, situando-se literalmente no meio do bairro, como se fosse um jardim público.
Parece excessivamente mórbido, mas é a pura verdade.
Mortos e vivos convivem sem sobressalto como não é possível imaginar, num local onde existem cerca de 70 obras que foram declaradas Monumentos Nacionais.
É lá que estão os restos mortais de Évita.
Imaginem que a Praça do Campo Pequeno era um cemitério e as famílias atravessavam alegremente a Praça, nos passeios domingueiros, é assim o Recoleta.

El Pibe, La Boca e La Habana

Estive no La Bombonera e visitei calmamente o Bairro de La Boca, habitat natural de Dieguito.
Percebi porque se apaixonou por Cuba.
La Boca podia ser perfeitamente um qualquer bairro de La Habana.
A mesma cor, o mesmo cheiro, o mesmo brilho, a mesma humidade, o mesmo sotaque, a mesma pobreza, a mesma dignidade, a mesma curiosidade, a mesma gente...

Para começar, é muito, muito longe!

São 15 mil quilómetros e 18 horas de viagem, contando com as escalas, o que separa Lisboa de Buenos Aires.
É lá que fica a celebérrima Casa Rosada, de cuja varanda, Eva Duarte Perón, a Évita, discursava aos Descamisados.
Eu olhava e só via a Madonna.
De seguida deixarei alguns pequenos postais sobre a Argentina e o Uruguai, de onde são precisas 26 horas, escalas incluídas, para chegar à Pátria. Ufa!!

O carnaval revolucionário

Louçã exige um referendo à lei da interrupção voluntária da gravidez - aquele eufemismo politicamente correcto que em português corrente significa aborto - antes do Verão. Já Jerónimo, para ser diferente, pretende - ao contrário do que dizia há umas semanas - que o parlamento tem legitimidade para legalizar esta forma de infanticídio sem recurso ao referendo. O pior de domingo é que esta malta fala e nós temos que os gramar, que eles não nos pedem autorização para nos invadir o monitor televisivo. Assim de repente, parece que acordámos no PREC...

Quo Vadis?

Deixemos a antologia dos poetas da Hungria para amanhã, que por hoje há tema bastante. Ao que parece (que eu vejo pouca televisão), o autarca de Gaia está disposto a disputar a liderança do PSD a Marques Mendes, agora que o rapaz do Maria Bolachas deixou a laranjada sem abrigo direito. Um nadinha mais ao centro-direita, Portas foi-se embora e quase me obriga a declarar objecção de consciência ao comentário vindouro no que ao CDS diz respeito. A direita sociológica - essa - lixa-se, como tem acontecido nas últimas décadas com convicção de obrigatoriedade.
Não sei se devo rir ou chorar. Mas lá que é bem feito... é, que esta malta não merece melhor.

Baixas

A Ana foi-se embora.
Da mesma maneira que efusivamente comemorei a sua entrada, lamento o seu abandono. Este blogue era mais rico com a Ana Anes. Muito mais rico...

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Notícias Frescas

A SIC notícias acaba de dar duas notícias importantes: "Sismo provoca meio milhão de mortos no Irão", e "Meneses sente-se tão capaz de digerir o PSD como Marques Mendes" (sic)

Pouco antes, na TVI, o Miguel Sousa Tavares virou-se para o LF Meneses e disse-lhe: "você não tem hipóteses de ser líder porque não é deputado" - LFM: "eu sou deputado, fui cabeça de lista por Braga" - MST: "Ah, esqueci-me disso!".

Ah, e parece que a TVI disse que Freitas do Amaral será o próximo Ministro dos Negócios Estrangeiros.

Estes jornalistas andam loucos.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Alguém me sabe explicar....

.... (mas com decência e correcção!) qual a utilidade dos partidos políticos marginais e residuais? Este, por exemplo:

Teve apenas 40.000 votos. Menos votos e menor percentagem que o MRPP(!). No concelho de Aveiro, por exemplo, obteve a expressiva votação de 300 votos (!). Alguém me pode explicar para que serve isto? É que o povo já explicou - não serve para nada! Mas o povo, claro, pode estar enganado. Se alguém tiver outra explicação...

Adenda - o bonequinho que aparece a ilustrar este post não é o original e teve de ser trocado uma vez que o uso do original não foi autorizado pelo detentor do seu copyright com o argumento incontornável de que este post era crítico para com a entidade visada. Uma tal posição, que tanto enobrece quem a tomou e releva do mais elevado espírito democrático (ou será neo-democrático?), pode ser encontrada num dos comentários a este post...

Então, Camarada?

Passa a ser a partir de hoje a minha nova saudação profissional...
... principalmente quando precisar de crédito.
É que a probabilidade de acertar é altíssima: 7 em cada 10!

Voltei

... e assim que me reorganizar voltarei a escrever.
Tentarei ser breve na reorganização e nos posts...

... Paulo Portas...

... Grande lição foi dada esta noite por Paulo Portas, um Senhor. Apesar de não ter votado no PP, reconheço ter sido ele um dos melhores ministros dos governos da coligação. Tiro o meu chapéu ao, ainda, líder do PP...

domingo, fevereiro 20, 2005

Promessa

Descansem que a dita não é eleitoral. Lamentavelmente, até às paredes confesso que a minha prestação blogueira tem andado em manifesto sub-rendimento. Será uma vantagem para alguns, é certo. Mas também uma maçada para outros, que eu hoje acordei pessimista como de costume mas com o ego em maior consideração. De modo que prometo nos próximos dias escrever por estas bandas com maior assiduidade e, melhor ainda, dando algum descanso à política que o mundo tem vistas largas e o tema começa a cansar. Para mais, antevejo que a restante rapaziada deste miradouro - em não se exilando - dedicará especial atenção aos resultados eleitorais que não tardam e às complicações que se vão seguir.
Eu, por mim, ficarei pelos livros, pelas viagens, pelo quotidiano mais simples. De começo, uma antologia da poesia húngara traduzida ao castelhano. Parece-vos bem?

sábado, fevereiro 19, 2005

Visão de novo..

Talvez sentindo algum remorso por ter dito mal da Revista Visão no meu post sobre as eleições do Iraque, comprei um exemplar para ler no comboio. Trazia um magnífico dossier sobre as eleições, com as continhas todas, distrito por distrito, com os votos e os mandatos de cada partido.

O estudo começa triunfalmente com um gráfico sobre a evolução das votações dos principais partidos, onde tive a satisfação de ver que o CDS afinal teve 30% dos votos em 91, em vez dos 4 e tal que por algum motivo eu tinha na memória. A única má notícia é que, somando os valores obtidos por todos os partidos nesse ano, se obteria um total de 130%, o que retira algum brilho a esse ponto alto do partido.

Continuando com o CDS, descobri que em Aveiro se arrisca a conquistar um segundo deputado, apesar de já ter dois, que em Bragança "..o CDS-PP aposta forte, com o eurodeputado Luís Queiró no topo da lista..." e que em Castelo Branco "...Luís Queiró (PP) e Jorge Fael(CDU) terão muito poucas chances..."

Com estas análises deprimentes, com a tragédia que é ver Luís Queiró falhar a eleição apesar de ser cabeça de lista em dois distritos, lá desisti outra vez da Visão, apesar de ainda ir na letra "C" dos distritos, e aproveitei para conhecer melhor os apeadeiros da linha Porto-Braga.

Fico só com uma dúvida: será que sou eu que tenho um defeito de Visão? Será que mais ninguém pega naquela revista e descobre vários erros infantis em cada página? Será que mesmo na equipa editorial ninguém lê aquilo com atenção?

Bom, de qualquer modo prometo que daqui a um ano volto a comprar um exemplar, para ver se a Visão melhora.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Books - V

Mais uma sexta-feira, mais um livro!
Continuando nos domínios da Teoria e da Filosofia Políticas, a obra hoje recomendada resulta do meritório trabalho desenvolvido no âmbito do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, apresentando-se como uma útil ferramenta de trabalho para todos quantos pretendam uma primeira aproximação às principais correntes políticas com que somos confrontados no nosso dia-a-dia.
Assim, sugere-se, hoje

O pensamento político contemporâneo
Uma Introdução

João Carlos Espada et al. (org.)

Do ponto de vista sistemático, a presente obra oferece uma visão panorâmica da Teoria ou Filosofia Política, desde meados do século XX até aos nossos dias. Em cada um dos seus diferentes capítulos é tratado o pensamento de um autor relevante e são igualmente fornecidas indicações básicas de carácter bio-bibliográfico que permitem ao leitor interessado aprofundar o seu estudo mediante um estudo orientado. Tratando-se de uma obra facilmente manuseável, mostra-se útil para todos os interessados no pensamento político contemporâneo, muito especialmente os estudantes, professores, investigadores e agentes políticos.

Boa leitura!

FICHA TÉCNICA:
Título - Pensamento Político Contemporâneo. Uma Introdução
Autor - João Carlos Espada, et al. (org)
Editora - Bertrand. Lisboa
Edição - 2004
ISBN - 9725646274
Preço - 19.95€

...De Lisboa ao Porto e outras histórias...

... Fui ao Porto de combóio. Que bela maneira de começar este texto. Fui de Alfa Pendular e fiquei cliente. Serviço "Primeiro Mundo", horários cumpridos, serviço eficiente e simpático, conforto e rapidez...
Na Rua de Santa Catarina presenciei a passagem de duas "caravanas" partidárias, primeiro a CDU com Jerónimo de Sousa, o grande vencedor do debate entre os 5 lideres partidários já que foi o único que não mentiu nem disse asneiras (esta foi a anti-comunista primária do dia). Depois, com mais pompa e circunstância veio o PS com o... como é que ele se chama mesmo? Não interessa, ah Sócrates, é isso, José Sócrates, é esse o nome dele, lá vinha o senhor, ufano no meio da multidão, cameras e microfones em riste, a Beatriz Jalon a fazer-lhe uma entrevista enquanto caminhavam, enfim uma festa, ambas as "caravanas" vinhm munidas de fanfarras mas confesso que a da CDU, que tinha 2 personagens com umas "andas" bem engraçadas, mas fascinou...
Depois o regresso a Lisboa de novo no Alfa Pendular, e pelo caminho, pelo menos até Coimbra porque depois adormeci, vim na conversa com um casal simpático, ela do PSD e Sportinguista, ele autarca do PS e não faço a minima ideia de qual o seu clube. Mas o que interessa foi a conversa dele, já o disse, autarca o PS em Lisboa que disse só ir votar porque vai estar nma mesa eleitoral no próximo Domingo, de resto como eu aqui em Sesimbra, mas que não vai "riscar" nenhum quadrado, diz ele que as pessoas já não acreditam nos politicos, ele lá sabe, e que ainda ontem à noite uma velha "camarada" que se tinha afastado do PS e se tinha aproximado de Santana Lopes em Lisboa lhe confidenciou que tinha voltado a filiar-se no PS.
Porquê? - perguntou ele
- Então tu não fizeste campanha pelo PSD em Lisboa?
- atacou ele
- Tás louco - disse ela - então não vês que eles vão perder agora?
Tenho dito...

A sondagem da Católica

Resultados muito pouco católicos de uma sondagem da Universidade Católica ontem (quinta-feira) divulgada:

PS - 46% (118 a 124 deputados)
PSD - 31% (81 a 84 deputados)
BE - 7% (8 a 12 deputados)
CDU - 7% (8 a 12 deputados)
CDS/PP - 6% (6 a 10 mandatos)

Mário, oh Mário....... marca um lugarzinho! O Xicleto está mesmo a chegar......

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

O silêncio Nobel

Um dos silêncios mais esclarecedores desta campanha eleitoral, prestes a terminar, tem sido o do nosso (salvo seja!) distinto Nobel da Literatura. Será que ainda não ocorreu a ninguém perguntar a tão ínclita personagem se a sua apologia do voto em branco é mesmo para levar a sério já nestas eleições?

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

A quem muda Deus ajuda

A mudança pela mudança incomoda-me. Se calhar é por isso que sou conservador. Mudar não é na sua natureza bom, razão pelo qual o povo na sua imensa sabedoria diz “A quem muda Deus ajuda”. Se fosse bom não necessitávamos da intervenção divina a nosso favor. É a compensação que sempre existe nos ditos populares para tudo o que corre mal, seja a aranha que cai na sopa, que “É dinheiro!” ou a nódoa de vinho na mesa que dá felicidade. Já era demais, além da asneirada, ainda dar azar ou fazer cair os dentes todos. Há que animar a malta face à desgraça. Dirão “E o espelho e os sete anos de azar?” – a excepção só vem confirmar a regra…

Se mudar é mau então deixamos estar qualquer situação, por pior que seja? Claro que não. Há é que evoluir. Aproveitar o que de bom está feito e construir sobre o que de útil existe. Não é necessário estagnar. Sendo certo que é ténue a fronteira entre a coerência e a falta de imaginação, a coerência evita o dispersar de energias a reinventar o que funciona. “If its not broken, don’t fix it.”

É evidente que estas considerações a poucos dias de umas eleições em que um dos partidos defende que está na hora da mudança, não é mera coincidência. Mudança cheira-me a milhares de novos directores, subdirectores, assessores e tudo o resto acabado em ores ou oras. Milhões de euros a redenominar os Institutos, as Comissões de Coordenação, o Instituto do Vinho do Porto passar a Instituto do Vinho Fino, novos timbres e novos logos. A não ser que tenhamos uma tipografia próxima do partido em questão, não podemos ficar indiferentes a esta perspectiva.

Parece que vamos mudar. Que Deus nos ajude…

LPC

A escolha está na sua mão



Um destes homens vai ser primeiro-ministro.
Por favor escolha menos mal.

Twilight Zone

Caro(a) Amigo(a),
Não pare de ler esta carta.
Se o fizer, fará o mesmo que o Presidente da República fez a Portugal, ao interromper um conjunto de medidas que beneficiavam os portugueses e as portuguesas.
Portugal precisa do seu voto para fazer justiça. Só com o seu voto será possível prosseguir as políticas que favorecem os que menos ganham e que exigem mais dos que mais têm e mais recebem.
Você não costuma votar, e não é por acaso.
Afastou-se pelas mesmas razões que eles nos querem afastar.
E quem são eles?
Alguns poderosos a quem interessa que tudo fique na mesma. Incluindo a velha maneira de fazer política.
Eles acham que eu sou de fora do sistema que eles querem manter. Já pensou bem nisso?
Provavelmente nós temos algo em comum: não nos damos bem com este sistema. Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?
Também o tratam mal a si. Já somos vários.
Ajude-me a fazer-lhes frente.
Desta vez, venha votar. É um favor que lhe peço!

Por todos nós,
Pedro Santana Lopes

Ainda para o Mário

Na véspera da sua partida, ainda vou a tempo de dedicar ao Mário a publicação (muito a propósito) de um belíssimo poema do Rodrigo Emílio a quem em tempos há não muito idos - e então sim, sem brincadeiras de qualquer espécie - tão amplas liberdades quase proporcionaram uma volta ao mundo...
Chama-se "Vou-me embora p'ra Brasília" e diz assim:

Abraço a brisa d'Abril,
Na brandura abrasadora,
Vou-me embora pró Brasil,
Vou-me embora. Vou-me embora.
Você me cede um corcel
(Decerto cede, Corção.
Lá o nosso Manuel
Não me diria que não.
Mas você bem sabe que ele
É silêncio em digressão...)
Na verdejante vigília
Ponho o meu sonho em desfile,
Vou-me embora pra Brasília,
Que é o brasão do Brasil!
Sem deixar quaisquer indícios,
Sem causar qualquer quesília,
Vou-me avistar com o Vinícius,
Vou-me embora pra Brasília.
Vou e vou e vou e vou,
P'ra perto do seu Gilberto
E dessa incessante Cecília
E dalguma Nega Fulô
Vou-me embora pra Pasárgada.
Lá, estou bem mais em família!
Vou-me embora. Decidido:
Vou-me embora p'ra Brasília.

A História repete-se

Ao contrário do que possam depreender da leitura do postal anterior, não é a primeira vez que um Antunes Varela, avaliando em consciência o estado de loucura maioritária a que chegaram os que por cá ficam, se põe atempadamente a andar para o Brasil. Ora, estamos na presença de um problema real que eu - apesar de calculista - ainda não havia avaliado, que é a fuga generalizada antes de consumada a auto-gestão. Este vai para o Brasil. O outro há dias que já se pirou para Buenos Aires. E eu - feito herói - parece que cá fico para enfrentar em acompanhada solidão quantos mais ordenam depois de domingo próximo. O raio é que temo bem que a minha sorte seja a mesma. Em tendo que fugir do Campo Pequeno - destino traçado há trinta anos - lá irei reencontrar a Senhora do Monte - mais dia, menos dia - do outro lado do Atlântico. A diferença, bem vistas as coisas, estará no momento que tudo determina. Eles de avião e mala (bem) feita - fato de banho e tudo; e aqui o je, por entre montes e vales com a família mais chegada a caminho de Caminha, para dar o salto para La Guardia ao comando de um barco a remos. Mas não estejam em especiais cuidados: também não seria nada que nunca tivesse acontecido, que em matéria de amplas liberdades, os Guedes levam trinta anos de experiência.
Quanto ao mais, o último a sair que apague a luz.

Promessa cumprida

tal como anunciei há dias, torno hoje pública a minha escolha para o próximo dia 20.
Depois de muito pensar escolhi: O MANGUTTI
É verdadeiro, genuíno, sóbrio, discreto, tem uma enorme qualidade e fidelidade aos princípios que o tornaram conhecido.
Não faz cedências, não é oportunista, não se vendeu por meia dúzia de comentários favoráveis nas revistas e nos jornais.
Tem uma história de vinte anos a que, todos os dias, faz justiça.
Sei com o que posso contar e, em última análise, foi o que pesou na minha escolha.
Posso contar com um excelente atendimento, com a simpatia a delicadeza e a educação de todos os empregados, com um filet mignon au poivre acompanhado por gnoci que, não matando, é de morrer, e posso contar com os 32º de Arraial da Ajuda...
A quem fica, se tudo correr como se espera, desejo com sinceridade que a imensa misericórdia de Deus lhes possa valer.

P.S. Fuja, o Chico vem lá...

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Jerónimo = Vencedor

Foi, sem margem para dúvidas, a melhor prestação de Jerónimo de Sousa e a melhor das prestações de quantos, por estes dias, fazem campanha.
Por ser tão boa, aqui fica a transcrição na íntegra da dita prestação no debate de há pouco:










...trabalhadores...








...têxtil...

Das Campanhas Negativas

Esta magnífica campanha eleitoral teve como principal novidade o uso de imagens negativas, tipicamente tendo como protagonista o Eng Sócrates, quer no cartaz da JSD que tanto o incomodou, quer no fantástico "Tem mesmo a certeza que quer que eles voltem?".

Também nisto das campanhas negativas estamos na cauda da Europa, como demonstra o magnífico exemplar aqui à direita...

Um pouco de contexto: estava-se em 1997 e havia umas eleições em que o partido do governo era dado como inevitavelmente derrotado. Usando uma estratégia arrojada, atacaram com força com outdoors como este, cuja mensagem, não muito subliminar, era algo do género: "Tem a certeza que conhece este homem?"

Não deu grande resultado. O homem venceu na mesma, e ainda lá está 8 anos depois, preparando-se para ganhar mais umas eleições este ano; e o arrojado partido que fez a tão inovadora campanha, o partido de Churchill e de Thatcher, o partido mais bem sucedido do sec XX, é agora uma sombra do que foi, sem previsões de voltar ao poder.

Estaremos condenados a repetir esta história? Talvez não... Esperemos que não!

Mas serve sempre para lembrar que quando as tácticas que se baseiam em espalhar FUD (Fear, Uncertainty and Doubt), os resultados não são propriamente garantidos.

ajc


Confirma-se a sapiência popular

Patrão fora, dia santo na loja...

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Sigam-se os bons exemplos

A TVI acabou de lançar um televoto. Querem saber se, na opinião dos espectadores, a Irmã Lúcia deve ou não ser beatificada.

Gostamos de seguir os bons exemplos e, por isso mesmo, lançamos desde já um blogovoto.

Se acha que a Direcção da TVI deve ser empalada ligue 808 606 202

Se acha que a Direcção da TVI deve ser defenestrada ligue 808 606 203


Claro que o nosso blogovoto é um pouco mais caro do que os míseros 0,60 cent. que a TVI cobra mas não custará perceber que a fé em pacote fica mais barata e como a TVI compra grandes quantidades...

Calma, calma, já percebemos





Não sei se há ou deixa de haver aproveitamento político. Dou de barato que sim, que possa haver. Haverá nesta como em centenas de posições e de opiniões de todos os partidos, de todos os candidatos. É, no fundo, a anormalidade normal de que falei num "post" aqui há tempos.
Mas o que encanita, o que arrepia, o que dá vontade de ir fazendo as malinhas é esta malta estar com tanta vontade, danados, a pelarem-se.
Não sei se um dia destes não os vamos ver todos com o mesmo equipamento. Havia um que era vermelho, pois havia, mas é que agora não é só um. E os outros, além de vermelhos, têm um tique Anacleto, a lembrar a moda do Chico, que faz temer o pior.

Para os apaixonados "du jour"!

"Nobody Does It Better"

Carly Simon
Nobody does it better.
Makes me feel sad for the rest.
Nobody does it half as good as you.
Baby you're the best.

I wasn't looking.
But somehow you found me.
I tried to hide from your love light.
But like heaven above me,
The spy who loved me,
Is keeping all my secrets safe tonight.

And nobody does it better.
Though sometimes I wish someone could.
Nobody does it quite the way you do.
Why d'you have to be so good?

The way that you hold me, whenever you hold me.
There's some kind of magic inside you.
That keeps me from running.
But just keep it coming.
How d'you learn to do the things you do?

And nobody does it better.
Makes me feel sad for the rest.
Nobody does it half as good as you.
Baby baby,Baby you're the best...

Flores

Para a Susana....



....e para todos os enamorados.

LPC

Pausa

Vou ali e não sei se e quando volto.

A máquina da felicidade

Há algum especialista em Engenharia Biomédica na sala? E Biométrica? Ou Bioética? BioDanone? É que eu tive uma ideia e não sei como pô-la em prática. Uma máquina da felicidade. Muito ambicioso? Porquê, se o Homem inventou coisas como o quebra-nozes, os discos com a história da Carochinha e do João Ratão para não termos de ler às crianças ou aquela mãozinha de madeira com um cabo muito comprido para coçar as costas?

O conceito é simples. Eu até ajudo a registar a patente. Uma máquina que através de sensores determine aquilo que necessitamos num dado momento e no-lo proporcione. Não me vou deter em todas as potencialidades de tal instrumento, ainda por cima porque provavelmente, na maior parte tratar-se-iam de coisas que ou são imorais ou ilegais ou engordam, mas sim dum aspecto em particular. A máquina tem de dar música. Que música? Aquela que queremos ouvir, claro! Mas não a que achamos que queremos ouvir, a que de facto queremos ouvir. E se a música que o nosso espírito e o nosso corpo necessitam for a “Telepatia” da Lara Li ? Assim seja se nos faz feliz. Nunca ficaram felizes porque aquela música que está a dar na rádio era mesmo a que queriam ouvir. Ficaram? Então não era magnífico que todas as músicas fossem aquela que mais queríamos ouvir? Que nos fizessem rir quando necessitamos de rir, ou chorar quando necessitamos de nos libertar com as lágrimas ou dançar, sempre? Um catalizador de emoções. Será pretensioso chamar-lhe Máquina da Felicidade? Talvez, mas há que ter em conta o aspecto comercial da coisa…

Se vamos perder tempo a inventar coisas porque não gastá-lo a criar coisas que realmente façam falta?

LPC

E para aclarar....

...... o sentido da decência a que já me referi aqui e aqui, explicite-se o óbvio: a morte da Irmã Lúcia não pode nem deve passar indiferente a todos os que comungam de uma matriz de vida felizmente largamente maioritária no nosso país. E, como também é óbvio, mal iria o Estado e as suas instituições mais representativas (o Presidente da República, o Governo, a Assembleia da República) se não assinalassem devidamente a infeliz efeméride, no minimo decretando o também óbvio luto nacional. É que, apesar de constitucional e formalmente laico, o Estado não pode ignorar o sentir e o pensar da esmagadora maioria dos cidadãos que o forma e que o compõe. O mesmo se diga das instituições e dos órgãos que, não sendo do Estado, são indispensáveis à construção e ao funcionamento do Estado que somos e do Estado que temos - é o caso evidente dos partidos políticos. Bem como de muitas outras instituições da sociedade civil.
Mas nesta época bem especial de campanha eleitoral - em que a «caça ao voto» está transformada no objectivo central de muitas dessas entidades (no caso, os partidos políticos) - impõe-se não misturar as coisas e impõe-se não aproveitar o infausto acontecimento para finalidades políticas. Ou seja - mais do que de palavras, de comunicados, de anúncios, precisam-se de actos. Actos que demonstrem recolhimento. Respeito. Sentimento. Que não sejam susceptíveis de se confundirem e de serem apropriados no circo que está instalado até ao próximo dia 20.
E para serem demonstrados esses sentimentos, por certo se dispensam as grandiloquentes declarações, onde os seus autores nem sequer resistem à habitual «bicada» política, como já referi aqui, que outro objectivo não têm do que o marcar pontos eleitorais; como se dispensam as «lágrimas de crocodilo» oportunamente vertidas em frente de uma câmara de televisão. Não se trata, pois, de qualquer cedência ao politicamente correcto. Pelo contrário, meu caro Pedro Guedes! Trata-se do desejo sincero de que um acontecimento que toca fundo na esmagadora maioria desta nação fidelíssima seja em absoluto insusceptível de aproveitamento político ou de chicana política. É um pouco como a história da parábola biblica: a esmola dada pela mão direita deve ser desconhecida da mão esquerda. Não há necessidade de se apregoar, publicitar e divulgar o que se sente. Basta demonstrá-lo. De preferência sem alardes.

Até o PND...

.... relembre-se para quem não o saiba ou já o tenha esquecido: aquele grupo de amigos de Manuel Monteiro transformado em Partido político - informa em comunicado que, nesta segunda-feira, vai suspender a sua campanha eleitoral como sentido de pesar pela morte da Irmã Lúcia. No entretanto, no mesmo comunicado, lá vem a «observação»: formula votos para que o PSD e o CDS-PP não façam nenhum aproveitamento político do triste acontecimento. Como se já não estivesse ínsito no comentário e na observação a busca do dividendo e da vantagem política! Insisto na mesma tecla: haja decência!

Dois pesos e duas medidas

Quando morreu Sousa Franco, alguns partidos interromperam as suas campanhas e - sendo uma atitude hipócrita - tudo parecia estar na paz dos anjos. Agora que o PSD e o CDS interromperam novamente as actividades festivas por valores infinitamente mais relevantes (e que podem bem estar longe da hipocrisia), cai o carmo e a trindade: diz o "politicamente correcto" que não pode ser; que é "aproveitamento".
Antes que me perguntem, digo já que o que considero escandalosa é uma eventual ausência de Santana Lopes das cerimónias religiosas fúnebres de Irmã Lúcia. Bem ou mal, o homem é primeiro-ministro e não fui eu que o meti lá, nem sequer indirectamente. Quem não gosta tem bom remédio: como menos.

Dia de S. Valentim

Pois. É hoje. O dia de S.Valentim, Dia dos Namorados. E por que o comentáqrio político não é tudo, mesmo na blogosfera (desculpa lá a utilização da palavra, meu caro LPC), aqui fica, à laia de serviço público, a lembrança do dia de hoje.

E, já agora, numa cedência à reserva da vida privada, aqui fica um post público com destinatária privada e especial!

Eleições no Iraque

Os Americanos são mesmo diabólicos.

Pouco depois da invasão do Iraque, a revista Visão trazia algumas frases e ideias notáveis, como a previsão de que o arsenal químico do Iraque, existisse ou não, seria rapidamente encontrado pelos invasores para justificar a guerra. No entanto, a frase que mais me chamou a atenção foi algo do género "Com que direito querem impôr a democracia aos iraquianos se ninguém lhes perguntou se é isso que eles desejam?"

Foi a última vez que li a Visão. Concerteza que eles não querem leitores tão obtusos que não percebam como é que se pergunta alguma coisa a um povo, a não ser em democracia.

Mas voltemos aos Ianques: diabólicos! O que eles não fazem para confundir os inimigos!

Quanto às armas químicas, que teriam justificado a guerra, dizem que não as encontraram; em relação às eleições, em vez de fazerem ganhar o seu fantoche Ayad Allawi, dão-lhe apenas 15% e deixam ganhar um partido apoiado por um Ayatollah da linha Iraniana, que nunca aceitou sequer falar com o Paul Bremmer.

Deve ser um momento algo confuso para os genuínos líderes dos povos árabes, sejam reis, emires ou presidentes vitalícios: concerteza que nunca pensaram que o Bush fosse tão retorcido que, só para tentar enganar os seus povos com essa quimera decadente a que chama democracia, é capaz de forjar a victória, não dos seus aliados, mas dos seus adversários.




domingo, fevereiro 13, 2005

A Lota de Matosinhos...

... pela primeira vez ficou de fora dos itinerários da campanha eleitoral do Partido Socialista. Gato escaldado....

Santana Lopes....

... não era capaz de continuar a festa da campanha eleitoral por causa da morte da irmã Lúcia (em directo na SIC Notícias). «Tá»-se mesmo a ver, não «tá»-se? Porra, haja decência!

Faleceu a Irmã Lúcia...

... última vidente de Fátima. Os aproveitamentos políticos já começaram. Campanhas suspensas, acções de rua canceladas, comícios adiados. Uma vez mais em evidência o lado menos digno de uma actividade - a política - que, por definição, deveria ser das mais dignas que se pudessem registar.

Portugal Positivo.

Ora aqui está uma pedrada no charco da depressão nacional!

http://www.portugalpositivo.com/index.php

LPC

O melhor post da última meia hora

É mais forte do que eu. Tenho mesmo de perguntar aos nossos amigos jornalistas ou a quem saiba a resposta, porque é que não há reportagem nenhuma que que não relate um determinado facto sem o comparar e hierarquizar. É alguma directiva comunitária? Não se consegue saber que choveu muito sem que "estas foram as maiores chuvas das últimas três semanas e meia" ou "em Portugal há 500.000 viúvas, diabéticos ou estrábicos". Já repararam que é sempre 500.000? Ou então temos sempre o defensivo "desde que há memória". Será que aos conhecidos "Quem?", "Quando?", "Onde?" e até "Porquê?" acrescentaram nas escolas de jornalismo os " O maior desde " e " Há em Portugal 500.000 deles..." ?

LPC

Dramático

É ter que trabalhar e só apetecer dormir. Arre!

Boião de Cultura do dia

O livro de Jorge Molist, " O Anel- A herança do último Templário", da Ésquilo Edições.

Muito superior ao Código da Vinci, quanto a mim. E já agora, Paulo Loução, para quando a edição em português do Iacobus? Conheço umas quantas pessoas interessadas....

Provas da existência de Deus

Por que outra razão, que não a de um insondável desígnio do Senhor, todo o bom sorna tem alapado um voraz da bricolage?
Por que desconhecido mecanismo da mãe natureza todo o bom dorminhoco é sabotado pelo diligente... como é que se poderá chamar alguém viciado em assassinar o descanso alheio com serras, brocas, madeirinhas e corta-relvas, rebarbadoras, martelos e tudo o mais que produza barulho nas manhãs de domingo?
LPC, inventa lá uma palavrinha para esta malta.
Regressando, que motivo inusitado poderá justificar que todo o bom desportista, praticante de sleeping, se encontre sempre acompanhado, no seu prédio, na sua rua, no seu bairro, por um tipo enervante que se levanta de madrugada e, e ... mata, à falta de melhor palavra, o sono dos justos, de quem trabalhou toda a santa semana.
Bom, agora com a chegada do Chico Anacleto a revolução vai passar a ser contínua... o barulho deve ser muito mas de outro tipo.
Não seria melhor zarparmos já?

... A Ressacar...

... Falou-se hoje aqui em ressaca. Confesso que assusta essa coisa da "ressaca". Vi muitos amigos a ressacar, de tal forma, que por vezes até parecia que eu próprio sentia as dores, mas afinal ser Amigo é isso mesmo, sentir as dores alheias como sendo nossas.
Eu próprio estou de ressaca, não dessas ressacas heroinómanas ou cocainómanas nem tão pouco das ressacas alcoólicas que nos deixam prostrados e com aquele sabor a cortiça na boca. Nada dessas ressacas, das outras, daquelas que nos apertam o coração e mitigam a mente, daquelas que nos fazem sentir inúteis, inertes, derrotados. Daquelas ressacas que eu julgava não existir, pelo menos em mim, daquelas ressacas que eu pensava só serem possíveis em mentes fracas e em espíritos desprovidos de raça, chama, amor e talento. Afinal, tal como em tudo na vida, não há heróis, pelo menos vivos, todos os meus heróis estão mortos e provavelmente a ressacar com o cheiro nauseabundo que deles próprios emana, isto claro, se a matéria for mais forte que o espírito porque se, tal como eu espero, assim não for estarão a ressacar mas de felicidade por tudo o que de genial produziram, por todo o bem que espalharam, mas isso são os meus heróis... e esses estão todos mortos...

É oficial

Estou prestes a cometer um erro enorme. Mas o que seria a vida se, de vez em quando, não perdessemos a transmontana?

Gente simpática

António Costa referia-se hoje ao partido de Chico Anacleto como: " ... um partido simpático, de gente simpática, muitos deles nossos amigos."

Triste, como a noite. Isto e o resto.

Impressões

Nunca me soube tão bem ver um jogo entre o Inter de Milão e o Roma. Foi um jogo...inesquecivel.

sábado, fevereiro 12, 2005

A ressaca

Pois é! Aqui o blog reuniu ontem em Assembleia Geral ordinária. Foi em local super-discreto. Não se via ninguém pelos arredores. A discussão foi longa, pormenorizada e não versou sobre nada mais para além do futuro radioso aqui da casa. E foi uma Assembleia Geral tão profícua e tão produtiva, obrigando a tanta concentração e a tanto dispêndio de energia que, hoje, é o que se vê: ressaca (quase) completa. Absoluta ausência de posts (excepto, claro, o post aqui em baixo do LPC mas que, em abono da verdade, o mesmo confessou ontem, na nossa Assembleia Geral, que já tinha escrito há mais de 2 meses....). Vamos lá, colegas aqui de casa - o «chefe» está fora mas a actividade deve continuar. Ou já se esqueceram dos objectivos que há cumprir?

Metrossexuais na blogosfera

Eu gosto muito das palavras. Da sua capacidade de transmitir ideias e pensamentos, do seu som, do seu potencial humorístico, com os sentidos diferentes que sempre podem ter. Acho mesmo que uma boa palavra, no momento certo, vale mais do que mil imagens. Não me parece que um excelente álbum de gravuras ou de daguerreótipos da Irlanda do século XIX me dêem uma ideia mais precisa de como eram e como viviam as gentes de Dublin do que a escrita de James Joyce. Se gosto de palavras, muitas há de que não gosto. Citarei apenas duas : “metrossexual” e “blogosfera”. Já gosto da palavra “poncho”, mas acho que é só porque nos põe a fazer um ridículo trejeito com os lábios. Experimentaram, não foi?

“Metrossexual” é antes de mais um rótulo. E os rótulos só servem para fins depreciativos ou para fins comerciais. Acontece que eu acho que metrossexual só existe (ou pelo menos só teve a divulgação que teve) por razões estritamente comerciais. Às Clarins Men e Biothermes surgiu uma oportunidade de vender produtos de beleza aos homens sem que eles achassem que estavam a ser amaricados. Passaram a ser metrossexuais. É giro. É moderno. É verdade que é mas para mim continua a não querer dizer nada. Sempre me preocupei com a minha aparência, sempre tentei fazer com que os meus nós de gravata não se parecessem com os do Sócrates, sempre usei cremes que naturalmente não fazem qualquer efeito. Mas nunca precisei de legitimação para o fazer. Já agora pegando na escala Kinsey que mede os graus entre a heterossexualidade e a homossexualidade, de 1 a 6, porque é que não criam o Chanel n.º 5 for men (or close)? “ Eh, pá, não consigo esconder mais isto…afinal não sou um 3 mas sim um 5!”

“Blogosfera” já é uma palavra cujo processo de obtenção é muito retorcido para o meu gosto. Faz pensar que já não há palavras para dizer as coisas. Da palavra “web”, i.e. teia e “log” , diário ou relatório , criou-se a palavra “weblog” e assim “blog” , pelo que à universalidade dos blogs se chamou “blogosfera” . Ora para mim o universo não é redondo e esférico é a bola de futebol nas boca dos comentadores desportivos. Não gosto. Prefiro o simples “nos blogs” do que na “blogosfera”; também dizemos na “net” e na “web” e já não na “netsfera” ou na “websfera” .

Não gostaria que pensassem que não aplaudo a criação de novas palavras, de termos que nos surgem com as tecnologias ou inventados por alguém com criatividade e visão. Só que só aplaudo as boas.

LPC

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Conheço tantas por aí...

Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2005

Guerrilheira de Dia, Escrava Sexual à Noite

Tinha oito anos quando fugiu de uma avó e uma madrasta que a maltratavam (o pai abandonara-a por ela ser rapariga) e se juntou ao Exército Nacional de Resistência (ENR), o movimento do actual Presidente do Uganda, Ioweri Museveni. TEXTO
PÚBLICO FLASH (SÓ NA VERSÃO ONLINE DA EDIÇÃO IMPRESSA DO PÚBLICO)

Recordando Nuno Baixinho

Nota prévia: Tenho este post escrito desde o dia 10 de Janeiro.

Na altura, mostrei-o ao Mário Antunes Varela.
A sua reacção, de grande comoção, gerou em mim sentimentos contraditórios.
Por um lado, fez com que não tivesse coragem de o editar, por outro, pensei que a publicar, só o faria quando, e se, um dia, o blogue tivesse uma visibilidade maior do que a que tinha àquela data.
Em 10 de Janeiro, tínhamos uma média de 40 leitores/visitantes por dia, agora temos uma média de cerca de 350 leitores/visitantes por dia e ainda anteontem tivemos perto de 800 leitores/visitantes entre o weblog e o blograting.
Só ontem
, dia 10 de Fevereiro, os nossos leitores/visitantes leram mais de 1000 páginas editadas por nós.
Agora, ganhei coragem!
Chegou a hora!

O Pedro Guedes deixou aqui para a posteridade um post de boas vindas ao Stélio, que me fez reflectir sobre uma fase da minha vida que há muito se encontrava segmentada, compartimentada e encerrada num cantinho do meu baú de memórias e recordações.
E vou recordá-la aqui, por uma vez, por razões que compreenderão.
O Guedes falou de conspirações e eu lembro-me de muitas e não só das da casa do Elevador da Bica.
Recordo-me do escritório da Rua Padre António Vieira, de uma cave na Praça do Chile, de uma casa ao Panteão, de um Palácio ao Rato, da Flamenga, de um escritório no Conde Redondo, das instalações da Associação Académica de Lisboa ao Areeiro e outras mais esporádicas.
Os locais eram vários e para todos os gostos, iam do piolhoso ao faustoso.
Alguns dos protagonistas e nossos interlocutores eram gente ilustre, daqueles que não se pode dizer aqui o nome, daqueles que ainda que o fizesse, também ninguém acreditaria em mim, nem em nós.
E os conjurados éramos nós.
E estávamos ao ataque de tudo, de Partidos, de Universidades, de Reitorias, de Associações Académicas.
E o mais estranho, é que sendo nós tão jovens, todos pareciam estar genuinamente interessados em conspirar connosco.
Acreditávamos que íamos mesmo mudar o mundo
.
Os conjurados eram numa primeira linha, o Mário, o Guedes, o Stéliomeus companheiros de blogue – mas é preciso, com rigor, falar do Nuno Marques da Silva, do Nuno Baixinho, do Carlos Gonçalves e da Inês Mauritti.
Era um grupo que se completava de forma surpreendente.
Ainda hoje acredito que devíamos ter seguido por outro caminho.
Havia uma segunda linha, constituída por aqueles que não alinhando nas frentes todas, eram gente inteligente e bem preparada, que estavam perto da decisão global, eram pelo menos o Rui Rocheta, o Tó Martins, o Filipe Malheiro e a Carmen Henriques.
E não me posso esquecer dos clássicos
: o Paulo Guilherme, o Toni Duarte, o Edgar de Almodovar, o Miguel Varela, o Xico Ribeiro, o Xico Lopes, o Figueiredo, o Mano Henrique, o Rui Pereira, o António Mauritti, o Gualter, o Eisele, o Júlio Serras, o Jordão, o Carlos Raposo, o Pedro Isidoro, o Mário Rui, o impagável Julinho de Barcelos, o Batata, a Sofia Drummond e tantos, tantos outros, que podia ficar aqui a noite toda.
Crescemos muito, ganhamos muito, levámos e demos porrada, falámos com Presidentes, Líderes da Oposição, Ministros, Secretários de Estado, Reitores, Presidentes de Câmara e todos os que connosco queriam falar.
Fomos a programas de rádio e televisão, discursamos para 10, para 50, para 100, para 500 pessoas.
Em vez de um simples curso, fizemos vários, em simultâneo.
Eram tempos em que se ganhavam Associações Académicas com 5000/6000 votos, havia que trabalhar a sério!
Não me arrependo de nada do que fiz!
Se pudesse fazia tudo outra vez!
Penso falar em nome de todos!
O tempo ajuda a relativizar a importância das coisas e hoje olhando para trás admito que levávamos as coisas demasiado a peito.
Mas a vida não é também isso?
Não há um tempo para tudo?
Se pudesse recuar, só pedia que se pudesse alterar uma coisa, um facto, um acontecimento, uma circunstância.
Nuno Manuel Anão Baixinho
merece que lhe faça aqui, neste modesto reduto, muito singelamente, uma evocação especial.
Era estudante de Relações Internacionais e à noite ajudava o pai, proprietário de um táxi na margem sul.
Era brilhante no domínio das várias matérias da diplomacia, da política internacional e das relações internacionais.
Tinha uma forte capacidade de argumentação, era seguríssimo nas suas tomadas de decisão e forte no contraditório directo.
Aprestava-se para ser um académico de excelência, um diplomata de excelência, um político de excelência, qualquer coisa que ele quisesse de excelência.
Ele era daqueles que se distinguia entre mil.
Tinha uma faceta de tolerância que me agradava e que penso é apanágio de quem se pensa e sente, intelectualmente, num patamar superior.
Uma vez, uma única vez - só uma pessoa sabe disto, penso eu - zangou-se comigo.
Naquela altura, como agora, os políticos, mesmo os juvenis como nós, tinham a mania de falar no nº2, no nº3, no nº4 e por aí fora.
Entre nós, não me perguntem porquê, convencionou-se que eu era o chefe da banda.
O nº2, era o Nuno Marques da Silva, e depois por aí fora, o Pedro, o Mário, o Stélio, este, aquele, para aí até ao nº 500 que a gente não fazia a coisa por menos.
Os programas eleitorais pareciam as páginas amarelas.
O Nuno Baixinho, era visto pela entourage, para aí, não sei porquê, no nº 10, ou 11,ou 12, não sei.
Isto só se explica porque provavelmente a hierarquia era inversamente proporcional ao talento, caso contrário ele seria o nº 1.
Um dia pedi-lhe para falar com ele, a sós, numa sala isolada, dentro da Universidade.
Ia começar mais uma batalha eleitoral.
Disse-lhe, sem mais delongas: Baixinho, não falei com ninguém, mas quem vai liderar a corrida, desta vez és tu. Para mim, tu és o melhor, vais ser tu! Tu és o candidato!”
Ele olhou-me, tranquila e serenamente, e fumando cigarro atrás de cigarro, explicou-me porque tinha que ser eu a concorrer, numa conversa intimista que ainda hoje, passados 13 anos, sou capaz de lembrar palavra por palavra.
Terminou agarrando-me pelos colarinhos e do alto dos seus 1,90 cm de altura – apesar do nome – abanou-me, dizendo-me para eu não voltar a abordar o assunto e que estaria comigo para o que desse e viesse!
Infelizmente não viveu o suficiente para assistir à nossa vitória.
O coração do Baixinho resolveu parar de o manter agarrado à vida no fim de mais uma noite de conjurados na Rua Padre António Vieira.
Nessa noite tínhamos saído de lá com os olhos a brilhar, sentíamos que estávamos a dar passos grandes e lestos.
Tínhamos estado com um Reitor, que já não era Reitor, mas ainda era Reitor!
Parece confuso, mas era exactamente assim!
Íamos derrubar um Reitor e colocar lá outro!
Imaginem a excitação!
Com o desaparecimento do Baixinho, todos sofremos muito, foi um choque brutal, eu chorei copiosamente pela primeira e única vez na minha vida, até hoje.
Existem muitos homens que comem, falam, olham, mas estão mortos.
Mais mortos que os verdadeiros mortos.
E outros que morreram, mas permanecem vivos.
Nuno Manuel Anão Baixinho está neste número.
Pelo menos para mim, e para os seus verdadeiros amigos, que muitas vezes pensamos nele.

Em meu nome, do Pedro Guedes, da Inês, do Mário, do Stélio, da Sofia Drummond, do Nuno Marques da Silva, do António Mauritti, do Pedro Algarvio, do Rui Pereira, do Luís Tomé, e de todos os outros, quero envolver-te num abraço gigante desde a Senhora do Monte.

P.S. –
Naquele dia, não me convenceu.
Ele era mesmo o melhor!

A olho nu - VIII

Jackson Pollock

Alchemy ( 1947), Peggy Guggenheim Collection Museum, Veneza

Porque parece que continuo a lutar sozinho contra os moinhos impressionistas e afins, aqui vai um quadro do pintor americano Jackson Pollock que está no Palazzo Vernier dei Leoni, naquela que foi a casa de Peggy Guggenheim, personagem que a que noutra ocasião dedicarei algumas linhas.

Como complementar a este Alchemy, num verdadeiro post dois-em-um, sugiro o filme Pollock de Ed Harris, em que o próprio interpreta magnificamente o papel do pintor e em que Marcia Gay Harden interpreta o papel de Lee Krasner, igualmente pintora e mulher de Pollock. Os dois desempenhos são magníficos, o que aliás valeu a ambos a merecida nomeação para os Óscares.

LPC

A tercerização da consciência ou em quem eu voto...

O anúncio público do sentido de voto, tão em voga neste blog, só pode ter, na minha singela opinião, um de dois sentidos:
- ou com esse anúncio se pretende influenciar os outros levando-os a aderir às razões que sustentam a nossa opção;
- ou trata-se de um exercício a que chamo a tercerização da consciência, ou seja, o acto de compartilhar um objectivo até aí privado com o propósito de essa divulgação se tornar penhor do cumprimento daquilo que se anuncia.
Será, nesta segunda possibilidade, o caso das pessoas que decidem publicar que vão deixar de fumar, que vão fazer dieta, deixar de roer as unhas ou que vão pedir a namorada em casamento: - Agora que já disse a toda a gente não posso voltar atrás!
Como não considero os nossos leitores como terreno fértil à influência, nem julgo ser este o local apropriado para o apelo ao voto, e ainda porque gosto que a minha consciência ( e a minha inconsciência também) seja só minha, não digo em quem vou votar.
...nem às paredes confeeessoo!
LPC

Eu vou mas volto!

Acedendo a um simpático e honroso convite de uma instituição bancária, seguirei incluído numa comitiva de empresários portugueses, rumo à Argentina, de onde seguirei para o Uruguai.
Não deixarei de testemunhar a cidade que diz ter a avenida mais larga do mundo (a 9 de Julho) e também a mais longa (a Rivadavia), ficarei 3 dias em Buenos Aires, a tentar compreender a atmosfera da terra de Maradona, Sábato, Gardel, Eva Péron, Fangio, Piazzola, Borges e tutti quanti.
Vou ver se aprendo, com estes pézinhos de chumbo, a dançar o tango.
A dança mais sensual do mundo!
Continuarei para Montevideu e Punta del Este, onde não deixarei de visitar a célebre Casapueblo e trarei recordações de Carlos Páez Vilaró.
Conto chegar à Pátria na madrugada/manhã do dia eleitoral.
Entretanto, eu vou, mas o meu coração fica cá, com a Madalena e o Martim.
Até já!

Só mais dois...

Vou para fora.
Vou ter saudades dos companheiros de blogue, dos comentadores, dos leitores e dos amigos dos outros blogues.
Vou ter imensas saudades de escrever.
Antes de ir, vou editar apenas mais dois postais.
Um imediatamente a seguir a este.
O outro amanhã de manhã.
Trata-se de um postal que tenho escrito à cerca de um mês, mais ao menos na altura em que o Pedro Guedes escreveu este postal de boas vindas ao Stélio, que por força da sua pequena Matilde tem andado pouco ou nada inspirado.
Ainda não tive coragem de o editar, agora que vou estar fora por uns dias, é a altura ideal.
Não tocará a todos, mas tocará a muitos.
Para mim foi muito bom escrevê-lo.

Como isto vai acabar

Como vou estar ausente, até às eleições, vou já analisar como a coisa vai acabar.
O PS não terá maioria absoluta e saber como se vai definir o jogo de poder na Assembleia é um exercício interessante.
Com quem casará Sócrates?

Com o BE?
Teria que abrir caminho às questões fracturantes, no entanto, marginais no que diz respeito às questões fundamentais para o país.
Mas Louça, já disse mais do que uma vez que não aceita ir para o Governo, tão pouco fazer acordos parlamentares.
Vamos acreditar no Anacleto!

Com a CDU?
Teria que ceder a uma maior rigidez nas questões laborais e as questões sociais estariam sempre na ordem do dia.
Mas o acordo, mais tarde ou mais cedo, esbarraria na irredutibilidade programática e mental do PCP e poderia tornar-se impossível um acordo aceitável e programático de Governo.

Com o CDS?
Portas
tem um compromisso com o PSD que eticamente inviabiliza esse entendimento.

Mas Sócrates vai ter que decidir porque não vai apresentar um Governo minoritário a Sampaio. Pois não?

Eu acho que vai haver um Judas!

A Duquesa da Cornualha e a porca Camil(l)a

[Este post é uma provocaçãozinha para os meus amigos monárquicos]

Anuncia-se que o Princípe Carlos se casará a 8 de Abril com Dona Camila (a propósito: não havia por aí um programa de televisão onde havia uma Porca Camila? Mas qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, para não ofendermos a porca verdadeira) a qual, todavia, nunca será Raínha mas, apenas, Princesa Consorte (e que sorte.....). Nos entretantos, a ilustre Dama ostentará apenas o título de Duquesa da Cornualha! Bem gostaria eu de saber que opinam meus amigos monárquicos, sempre tão lestos a exaltarem as virtudes da monarquia, sobre este exemplo vindo de além-Mancha. Será que vão dizer que o adultério, afinal, compensa?

Books - IV

Sexta-feira continua a ser dia de livros, aqui na casa. Desta feita, de um livro que apesar de não ser recente (2003) permanece e continua actual por ser um dos mais lúcidos ensaios sobre filosofia política escrito em língua portuguesa, nos últimos tempos, e por um português (pese embora emigrado).

Impasses, seguido de «Coisas vistas, Coisas Ouvidas»

Fernando Gil et al.

Um lúcido ensaio. Provavelmente o melhor livro de Filosofia Política escrito em Portugal nos últimos tempos! Prende o leitor e foi lido de uma assentada. Permite evidenciar as contradições do pensamento ocidental politicamente correcto, na maior parte das vezes eivado de uma profunda má-fé (conceito-chave que perpassa ao longo de toda a obra). Obra fundamental para «armar» os que não se querem deixar guiar pelo pensamento dominante. Partindo de uma análise a Guerra do Iraque, alguns excertos podem deliciar o leitor e abrir o apetite para a leitura completa da obra:

«A guerra do Iraque prefigura talvez outras guerras futuras - parece sensato conjecturá-lo - segundo um mesmo modelo: os EUA começam por procurar a aquiescência política e jurídica de instâncias internacionais; mas, se não a conseguem, autorizam-se a intervir sozinhos ou de parceria com outros países partilhando a mesma vontade [...] Sublinhe-se que aquela procura não visa uma "legitimação", os EUA não se sentem obrigados a pedir a outrém qualquer aprovação das suas acções "anti-terroristas"».

«A americanos e ingleses é insuportável que países como a frança e a Alemanha, aliados e membros da NATO, tenham considerado a América "mais perigosa do que Saddam Hussein, para dizer as coisas brutalmente", como o fez Condoleezza Rice em fins de Abril. Segundo a conselheira norte-americana para a segurança nacional, a identidade europeia e a identidade transatlântica não deveriam entrar em conflito. [...] Os Estados unidos e a França defendem as mesmas coisas: a liberdade, os direitos do homem. Somos dois povos que prosperam na liberdade e que com isso lucraram. Fomos aliados em duas guerras mundiais. Os EUA derramaram o seu sangue para libertar a frança. De acordo com os EUA, as guerras do Afeganistão e do Iraque inscreve-se num mesmo programa de defesa do Ocidente».

«Vale a pena sublinhar que essa associação entre o "intelectual" e o "crítico do poder" (e, por arrastamento, dos EUA) não é acidental: é essencial. O que aconteceria - continuemos a pensar - se o intelectual falhasse nesse momento decisivo: isto é, se não exibisse a sua indignação face á "hiper-potência"? Não há dúvidas possíveis: perdia o seu "estatuto". ora, nada de pior lhe poderia acontecer que isso, já que o intelectual partilha com o jet-set a característica fundamental de ser o seu "estatuto", ou, em linguagem mais simples, de ser conhecido por ser conhecido. Quantos intelectuais resistiriam a essa perda de "estatuto"? Vários, sem dúvida: aqueles que t~em uma obra, reconhecida com base em critérios mais ou menos seguros, nos seus respectivos domínios. Quantos não resistiriam? Muitos, muitos mesmo, imensos, a maioria. A coisa está assim explicada. os "belicistas" põem em causa o estatuto do intelectual. E não se brinca com a sobrevivência».

Boa leitura!

FICHA TÉCNICA:
Título - Impasses, seguido de »Coisas Vistas, Coisas Ouvidas»
Autor - Fernando Gil, et al.
Editora - Publicações Europa-América
Edição - 2003
ISBN - 9721052981

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Singela Homenagem





Esta é uma homenagem simples a todos os funcionários públicos, dando de barato que possam não ser muitos, que todos os dias dão o seu melhor e que, constantemente, levam bordoada do dono contribuinte.
Até pode ser que os burros consigam entender a pancada que levam, até pode ser que alguns dos bons funcionários públicos também entendam. O que não se entende é que a catarse seja sempre a mesma.
Será que os donos ainda não entenderam que o problema não está no burro?
Ou será que a confusão radica em não se saber bem quem é, afinal, o burro?

Para não fugir à regra

Porque toda a gente o fez ou porque quase toda a gente o fez.
Melhor, apenas porque quase toda a gente o fez, também eu, na próxima quarta-feira dia 16, anunciarei à cidade e ao mundo, o meu sentido de voto.

Todos diferentes, mas todos iguais ( Para a Mente Assumida e a Assumidamente)

Fica aqui a referência para um dos melhores blogs que eu conheço com 2 das melhores pessoas que conheci na blogoesfera. Porque nestas coisas da net, às vezes temos surpresas muito, mas muito boas... Beijos minhas lindas!

www.assumidamente.blogspot.com


Borga amanhã à noite neste blog

Gajos deste blog,

É só para vos avisar que não tolero homens mal cheirosos e que todos devem comparecer sem um minuto de atraso ( Zé Carlos esta é para ti!) na Trattoria, uma belissima ideia da autoria do nosso Patrick ( Mário, tu pediste um sitio discreto onde se pudesse falar, ora aí tens! Nada mais, nada menos que o local mais in de Lisboa- à excepção da Bica do Sapato- e não menos movimentado às 6fs.) e com um cravo vermelho atrás da orelha, para eu fugir a sete pés assim que vos vir.

Quanto a mim, estarei o mais minimalista possivel- leia-se, despida- ainda hesitando entre um top preto debroado com florzinhas ou um rosa. Prontos!

Politica versus estética

Amiguinhos,

Vamos falar de coisas verdadeiramente importantes. Ora, já alguma vez pensaram que a cara ou as feições de alguns politicos são cruciais no momento da cruzinha?! C'est vrai! Vejamos por exemplo, o caso do falecido Dr. Ferro Rodrigues. É um caso digno de estudo, daqueles que se fosse apanhado pela Corporacion Dermocosmética, seria um verdadeiro sucesso. Naquele trombil há tudo por fazer, qual fachada de prédio do Bairro Alto em reconstrução: Tiram-se os sinais asquerosos, laser nos olhos ( óculos só mesmo os do Nilton!), um peeling quimico como o da Lili, tirar o papo, meter umas pomettes, umas quantas injecções de botox e para terminar umas madeixas alouradas feitas no não menos alourado Eduardo Beauté.

O Sócrates? Esse levava com uma rinoplastia em cima, porque aquele nariz em forma de batata doce não convence ninguém.

O Flopes? O Flopes, bem precisava de cortar aquela ponta horrorosa no cabelo, lá atrás e aconselhava-o vivamente a dormir com duas rodelas de pepino porque aqueles papos debaixo dos olhos já nos começam a cansar. Ou é cansaço ou é sinal de quem tem problemas cardíacos. Aprendam comigo.

Louçã? Bom, esse não tem remédio, mas seja lá como for, serrava-lhe os dentes que lhe dão um ar bastante ameaçador... Já alguém reparou naqueles caninos dignos de um lobisomem?

Portas? Bom, ao Paulinho, apenas sugiro cortes de cabelo mais frequentes e mudança de risco. Ou então deixar crescer o cabelo- ele tem um cabelo óptimo, super forte!- e fazer umas madeixas.

Digam lá, se isto não é importante, seus marmanjos? Isto é que são coisas de importância capital...

Então o que fazer?

Restam-me duas alternativas de voto.
Decidi o seguinte:
Vou amanhã de viagem para fora do país e se tudo correr conforme programado chegarei a Lisboa, no dia 20, às 7h45 da manhã.
Estou literalmente nas mãos das escalas, dos transbordos, da Ibéria e em última análise do destino.
Se o destino quiser estarei cá e votarei.
Votarei em Branco.
Se o destino não quiser que cá esteja a horas, abster-me-ei.
Daí ter dito no outro postal, que a decisão sobre o meu voto não dependia única e exclusivamente de mim.
No entanto gostaria de deixar um apelo a todos os militantes do PSD: não deixem de votar no partido.
Sejam corajosos, apontem o dedo para o quadrado, fechem os olhos e não falhem. Peçam ao senhor da urna para ser ele a introduzir o boletim, mas votem no partido.
Porquê?
Santana Lopes
já disse que se tiver pelo menos 30% dos votos não se demitirá e irá a Congresso defender a liderança.
Eu quero que Santana tenha no mínimo 30%, porque por um lado mostra que apesar de todas as tentativas de suícidio político o partido não estaria morto e por outro lado não quero que ele saia com o rabo entre as pernas, “de fininho”.
Quero vê-lo a espernear e a perder a legitimidade e a liderança onde a conquistou à custa de um golpe de Estado partidário, nunca antes visto no PSD.
Votem no PSD, também, porque preciso de saber, quem é quem no partido, quem são as bases, de que massa são feitas, em que carácter é que se moldaram, quero saber se o partido acredita no mesmo que eu, se está vivo, moribundo ou morto.
E para isso preciso de Santana, no day after, a disputar a liderança interna.
Votem, ainda no PSD, porque receio que mesmo com o vosso voto, não vá ser nada fácil ao partido atingir a fasquia dos 30%.
Por fim, votem no PSD, porque este Sócrates e este PS, cúmplices do pior Guterrismo não merecem uma maioria absoluta.
É um líder fraco.
Governará em minoria, fará menos asneiras e porventura a legislatura não se cumprirá.
E isso dá jeito a Portugal e ao PSD, porque acredito que com as pessoas certas o PSD serve melhor os interesses do país.
E portanto, ao país interessa que os Socialistas estejam no poder em minoria e apenas pelo período de tempo necessário a que o PSD se reorganize.
É só o tempo do PSD chamar e atrair os políticos competentes e poder surgir como alternativa credível.
O partido deverá abrir-se à sociedade civil, eliminar os caciques e os políticos fracos, inábeis, carreiristas e imcompetentes e deverá ter capacidade de atrair pessoas com provas dadas na sociedade civil.
O ideal é que Sócrates marque passo e que não consiga estragar muito.
De resto, não vejo qualquer drama em governar-se em minoria, diria até que a verdadeira essência da democracia é governar em minoria.
As maiorias promovem o facilitismo, o despotismo, os deputados sentem-se descomprometidos, relaxados, o seu voto é irrelevante e isso alastra-se e mina os alicerces do sistema democrático.
A discussão é menor, o equilíbrio das propostas inexistente.
Prolifera o prepotismo.
E isso com os Socialistas e este Guterrezito de trazer por casa seria suícidio.
P.S. Eu próprio se tivesse coragem votava no Santana, mas a verdade é que não consigo e a culpa não é minha, é dos responsáveis pela Golpada de Estado de Outubro passado.

Ai, ai, ai, ai!!!!!!!!!!!!

Aqui neste blog só se fala de politica! Não pode ser! Há senhoras cá dentro- e que nos lêem!- que têm outros interesses. Moda, por exemplo. Lingerie, por exemplo. Maquilhagem, por exemplo. Acessórios. Não se importam de falar comigo sobre a importância do hippie chic do Cavalli na próxima estação? Ou do regresso das cunhas? E a sua importância na condução? Ou se um gloss é melhor para lábios finos, por exemplo!

Estou tão sozinha. Estes homens não falam comigo sobre coisas normais...

... Meretrizes ao Poder que os Filhos já lá estão...

... Contrariamente ao Patrick só por duas vezes não exerci o meu direito de voto. A primeira foi quando freitas do amaral e mário soares (letra pequena propositadamente) disputaram a segunda volta das presidenciais, já que me encontrava no Madeira. A segunda foi quando o ps venceu, peço perdão, quando o PSD perdeu a maioria, pós prof. Cavaco Silva, para o Engº Guterres, porque estava no Brasil a trabalhar. De resto sempre fui lá depositar o meu boletim, sim porque ninguém tem o direito de escolher por mim, até posso perder, mas tenho depois o direito de dizer, "Não concordo", porque eu estive lá, no entanto, reconheço, nem sempre coloquei a cruzinha no quadrado respectivo, recordo mesmo uma vez em que escrevi o seguinte " Putas ao poder que os Filhos já lá estão". Agora até que esta máxima, que não é minha mas sim do Movimento Anarca, também se pode aplicar mas com uma agravante, também são incompetentes!... Peço desculpa se feri susceptibilidades, mas é assim que eu sou...


É este o meu PSD, que para já não existe, está hibernado

Continuo a acreditar nos valores e opções fundamentais dos princípios programáticos do partido e que fazem do PSD um partido diferente.
Com a actual casta de dirigentes, em especial, o líder, não é de facto possível acreditar no que quer que seja.
Eu acredito e tenho fé que o PSD se vai refundar e rapidamente vai dar passos seguros no sentido de se poder apresentar aos portugueses, com gente credível, assumindo as suas principais vocações e defendendo um conjunto de propostas que no essencial deverão passar pelo seguinte:
1- O PSD pode e deve ser o partido que tem melhores condições para reformar àreas fundamentais: Serviço Nacional de Saúde – questão a que deverá dar prioridade absoluta - Justiça, Forças de Segurança e Segurança Social.
2- O PSD é um partido vocacionado para o poder, com forte pendor reformista e progressista, com capacidade para romper com interesses instalados que obstam a que se possam fazer reformas de fundo.
3- O PSD não cede à aplicação de medidas e soluções laxistas e permissivas, pois tem consciência que não é por isso que se é moderno e avançado. O partido não cede a modas intelectuais.
4- Um partido que sobre as ditas questões fracturantes, tenha o seguinte posicionamento:
Divórcio: não segue o modelo espanhol, onde se propõe uma alteração de lei de modo a facilitar a dissolução do casamento no prazo record de 10 dias e onde se pretende que o Estado financie as operações de mudança de sexo.
Liberdade Religiosa: o partido defende a liberdade religiosa e não é, ao contrário dos partidos democratas-cristãos, um partido confessional.
Aborto: o PSD deverá ser um partido que não aceite alterar a actual lei do aborto, que é justa, equilibrada e adequada. Que não é contrária à vida. Um partido que não avance para a despenalização. Se formos rigorosos a lei actual prevê e permite o aborto legalizado, a qualquer momento, se esse for o único meio para remover o perigo de morte ou de lesões graves na mãe. Depois, existem os prazos que se conhecem das 12, 16 e 24 semanas, consoante as situações. O que querem os partidos? Alterar os prazos? Ou o que querem é aborto até às 12 semanas sem qualquer justificação física ou psíquica por parte da mãe. Se a questão é esta, eu e o PSD, somos contra.
Homossexualidade: Que sobre esta matéria se possa abrir caminho até ao limite máximo do casamento, mas que o partido não vacile na rejeição da permissão de adopção por parte de casais homossexuais.
Droga: Que não se despenalize o consumo de drogas, mesmo das leves, mas que se aposte cada vez mais em meios de combate ao pequeno e ao tráfico internacional.
5 -Um partido que tenha coragem de eliminar os organismos públicos que são desnecessários e que têm muitas vezes responsabilidades sobrepostas e deverá eliminá-los com rapidez, a Reforma na Administração Pública, há que dizê-lo com frontalidade, passa por despedir pessoas e não admitir mais gente. Há que haver coragem para o fazer. Tem que se reduzir o peso do Estado. Não há volta a dar.
6 - Um partido que aposte na administração fiscal, no sentido de implementar uma ética que faça com que todos paguem impostos. Isso passa pelo combate à evasão, mas fundamentalmente pelo abaixamento das taxas, principalmente nas empresas, que são o motor de toda a economia. Um partido que opere nesta matéria um verdadeiro choque de mentalidades, porque quem não paga impostos anda a roubar aqueles que o fazem e não há que ter medo de o afirmar.
7 - Um partido que diga alto e bom som: Não à Regionalização!
8 - Um partido sem medo, que proponha uma censura na TV para protecção da família, respeitando os limites democráticos.
9 - Que invista fortemente na Educação para combater o Racismo, o anti-semitismo e todos os extremismos e xenofobias.
10 - Que dedique especial atenção à assistência social para os deficientes e aos desempregados de idade avançada.
11 - Que defenda os valores do mérito, do esforço e do trabalho para combater o imobilismo e o pessimismo.
12 - Um partido que seja mais liberal nos assuntos económicos e mais conservadores nas outras matérias.
13 - Um partido que tenha capacidade de indigitar um Primeiro-Ministro de direita que tenha uma ideia para Portugal e para o Velho Continente, que seja europeísta, mas que revele preocupações acrescidas com as questões de segurança interna, que apresente políticas para resolver os problemas das minorias e do terrorismo.
14 - Que discipline a imigração. Não podemos esquecer que a Segurança está intimamente ligada à questão da imigração, que necessita urgentemente de programas de integração. Devem fazer-se quotas anuais de imigração, mas não se pode, nem deve, olhar apenas para o lado policial da imigração. A questão central tem a ver com a integração. Portugal é neste momento um país de imigrantes. E falemos claro, a maior parte dos imigrantes só estão no nosso país porque os portugueses não querem fazer determinado tipo de trabalhos, difíceis, espinhosos, braçais e mal pagos. Neste momento a Europa, é multicultural, multiétnica, multilinguistica, muiltireligiosa e é impossível escamotear esta realidade. Só a França e a Alemanha têm 10 milhões de imigrantes. E em Portugal os imigrantes trabalham na agricultura, nas obras públicas e privadas, nas limpezas, nas pescas, na restauração onde, justamente, o português não quer trabalhar. Portanto, os que cá estão têm que ser integrados. Milhares pagam impostos, descontam para a segurança social e não estão regularizados. O Estado tem o dever moral de lhes resolver o assunto, mas pelo contrário, o que hoje se passa no SEF é uma vergonha gigantesca. Outra questão é sabermos se no futuro devemos escancarar as portas a novos imigrantes? E aqui o critério para novas entradas deverá ser apertado e fortemente disciplinado.
15 - Um partido que combata ferozmente a pequena, a média e a grande criminalidade, conferindo meios e poderes a todas as polícias que sejam proporcionais as suas competências e obrigações.
16 - Que tenha um respeito incondicional pela propriedade privada.

Resta dizer que tenho perfeita consciência, que de momento, este PSD em que acredito não existe, na justa medida em que seria completamente incapaz de executar este mini-programa.

Hay Gobierno, Estoy contra

Todos temos na vida algumas paixões e amores, no entanto tirando os filhos e porventura o respectivo clube de futebol, que todos, ou quase todos os homens, amam incondicionalmente todos os outros amores e paixões são mutáveis.
Quer dizer, com os filhos não existem hesitações, nem por um minuto durante a vida nos passa pela cabeça amar menos um filho, é um sentimento irracional, definitivo, um laço inquebrável, não existem nunca dúvidas sobre os nossos sentimentos.
Em relação a tudo o resto sentimos que nada é definitivo.
Mesmo aquilo que desejamos convictamente, em determinadas alturas da vida, que seja definitivo e duradouro, pode deixar de o ser por razões do coração, da ética, da filosofia, da moral, enfim, por razões da própria condição humana e da mutabilidade das circunstâncias.
O que quero dizer é que mesmo com as nossas mulheres ou maridos que amamos, com os nossos pais, avós, primos e irmãos que adoramos, com os nossos melhores amigos que amamos fraternalmente, já tivemos momentos de afastamento, de descrença, de dúvidas, já fomos capazes de estar uma semana, um mês, zangados, afastados.
Normalmente, a reconciliação acaba por ser o resultado final destes desencontros, mas o que é certo é que as relações, como alguém dizia, são como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo.
Serve este já longo intróito para confirmar aos estimados leitores que futebol e política são duas artes pelas quais sinto especial predilecção e paixão.
Tenho com elas uma relação de amor-ódio, existem épocas de descrença e cansaço, que vão alternando com momentos de grande positivismo intelectual e forte empenho.
Actualmente, devo dizer que atravesso uma fase de profunda desilusão em relação aos políticos e aos partidos políticos que se oferecem como alternativa para governar os destinos do país.
No entanto, acho que nunca como agora, a situação política merece ser encarada com o máximo de consciência cívica.
A frase que utilizo como título deste postal é uma frase que como saberão remete para o Anarquismo.
Não é ingénua.
Nestas fases em que ando descrente e desiludido, sinto-me sempre um Anarquista, porventura não no sentido dogmático do termo, já que não chego ao extremo clássico e doutrinal de condenar a própria existência do Estado, mas ainda assim um Anarquista.
Anarquista no sentido de pensar no Estado como uma sociedade desorganizada em que não se vê entre as alternativas de Governo propostas, uma que nos dê garantias razoáveis de manter, modernizar e melhorar a ordem institucional.
E isto acontece porque as lideranças que ora nos propõe são destituídas de autoridade, não são, em si mesmas, lideranças.
Devo dizer, para ser claro que, do que me recordo – estou a escrever sem qualquer suporte documental – votei a primeira vez em 1991, nas eleições legislativas.
Votei Cavaco.
Mais tarde em 95, na disputa entre Nogueira e Guterres fiquei em casa.
Em 99 e 02, votei em Durão.
Em termos de Presidências em 91, no confronto Basílio - Soares, não votei.
Em 96, votei Cavaco.
Em 01, no confronto Ferreira do AmaralSampaio, voltei a ficar em casa.
Recordo-me de em 1986, ainda sem idade para votar, ter andado a colar cartazes de Freitas, nas memoráveis eleições que o opuseram na 1ª volta a Soares, Pintassilgo e Zenha e na 2ª volta a Soares.
Fiquei muito desiludido com a inesperada derrota de Freitas.
Nas Autárquicas, como ainda voto em Sintra, só uma vez votei e nas Europeias, quando votei fi-lo sempre no PSD.
Ainda de memória, recordo Sá Carneiro, Sousa Franco, Balsemão, Mota Pinto, Nogueira, Marcelo, Durão e Santana, como Presidentes do Partido – é provável que me esteja a escapar algum – todos grandes figuras do regime democrático, pessoas sérias, credíveis, Estadistas, pelo menos no sentido que eu atribuo ao termo.
O PSD tem razões para se orgulhar destes líderes.
De todos, menos de Santana.
Ele destoa nesta lista.
E aqui reside o problema.
Eu acredito em líderes fortes, carismáticos, que revelem uma visão de futuro para o país, com rasgo político, com capacidade para dirigir reformas.
Que trace objectivos e se torne escravo do seu cumprimento.
Ora os predicados de Santana estão nos antípodas dos que acabo de enunciar.
É um homem com uma desmedida ambição, que vai notoriamente muito para além dos seus méritos e cuja acção governativa foi absolutamente medíocre, tendo sido sem margem para qualquer dúvida o líder do Governo mais patético e anedótico de que há memória.
É um imcompetente!
Não está à altura dos cargos que tem ocupado e não possui qualificações mínimas para ser mais do que um Chefe de Gabinete, ou no limite, um Secretário de Estado.
É este o Estado das Coisas!