Senhora do Monte

quinta-feira, janeiro 27, 2005

以小人之心 度君子之腹

Este post começou por ser um comentário ou talvez nem isso. Na verdade foi um desabafo, a tradução de um certo desencanto de momento motivado pela dificuldade em compreender algumas posturas e atitudes.
Foi uma coisa reactiva mas não foi e não é uma pedra.
Confesso, contudo, que ainda ontem, num comentário a um post do J.C. Soares, a quem deixo um abraço, tive oportunidade de deixar vir à tona este sentimento de desilusão que, estou certo, é apenas passageira.
Porque raio se critica e não se faz? Por que razão se opina sobre as opiniões mas nunca se assume a nossa? de base, de raiz, sobre o que quer que seja? Porque é que não assumem um projecto? melhor, pior, um projecto... porque é que aproveitam tudo para destruir e não se lhes conhece obra feita? Porque é que se escondem? porque é que não assinam? porque é que se perdem em gralhas e erros gramaticais? Bem sei que erros são erros... bem sei. E também sei que quem se expõe erra, quem diz engana-se, quem assina atravessa-se. Bem sei, bem sei...
Desagradam-me os anónimos tolos e insolentes, as ofensas baixas e descabidas, as procuras de buracos, gralhas e falhas de forma, as críticas que servem apenas para concordar com tudo o que lhes serve de base e se limitam a procurar o sol à custa do esforço dos outros.
Desagradam-me.
Mas eu assino, eu opino, eu atravesso-me, todos os dias. Vale o que vale.
O que se segue não é integralmente meu, é uma adaptação, mas é aquilo que sinto e exactamente aquilo que penso.
Em meu nome e, creio, em nome dos companheiros do Da Senhora do Monte, com um abraço a todos os anónimos parvos e a todos os parvos assinados:

O humanismo confuciano indaga sobre “como ser homem”. Mas, para que saibamos “como ser”, devemos saber antes de tudo “quem somos”. Assim, disse Confúcio: “Que o Príncipe seja Príncipe; o súbdito, súbdito; o pai, pai; o filho, filho” 君君臣臣父父子子 (Analectos, 12: 11). A ideia é de que “cada um deve fazer a sua parte, fazer o que lhe compete”.

É também o que sugere a famosa formulação chinesa: 自知之明: “A sabedoria de conhecer-se a si mesmo”. O auto-conhecimento não serve só para que possamos saber “o que fazer”, e “como fazer”, mas é essencial para que possamos situar-nos na realidade, e então livrarmo-nos da super-estimação ilusória e decepcionante, e da sub-estimação injusta (tanto sobre nós mesmos, quanto sobre os outros).

Para este tema, temos os conhecidíssimos provérbios: 以己度人: “Eu interpreto os outros a partir de mim mesmo”. A ideia corresponde ao provérbio espanhol: “Cree el ladrón que todos son de su condición”.

E, 以小人之心 度君子之腹

“Um homem mesquinho interpreta o comportamento de um Junzi [cavalheiro] a partir de suas próprias intenções”, pois é certo que:

仁者見仁, 智者見智“

Um homem que cultiva a virtude Rén sabe reconhecê-la quando ela aparece no outro; e um homem de grande sabedoria sabe reconhecer um outro sábio quando está diante dele”. E pela mesma lógica, um 小人 (homem sem valor), não reconhece nenhum valor (já que ele mesmo não o possui), e interpreta tudo segundo as suas abomináveis limitações.

Nesse sentido, a melhor forma de realizar a Rén é questionar a si mesmo, buscar o estar de bem consigo mesmo, e não tardar a corrigir os erros que encontrar em si próprio.

Podiam tentar não era? Ou, em alternativa darem um pulo ao Barnabé e por lá ficarem a dizer mal de tudo, da direita aos sabonetes e banhos de imersão...

3 Comments:

  • caro mário,
    no essencial assino o teu texto por baixo.
    mas olha, os cães sem nome ladram e a caravana passa.
    abraço

    By Blogger gelsenkirchen, at 10:37 da tarde  

  • Bom dia !
    Carissimo autor, gostei, sinceramente gostei mas como calcula não o vou comentar, não a si pessoalmente, porque tenho todo o respeito pelo meu próximo,e se ele é um intelectual de recursos tão vastos e ricos, mais ainda,nutro e aclamo.
    Contudo a liberdade que me acede este blog,baseada no sua razão de ser, permite-me como ser pensante e criatvo expor o que me vai na alma, certo, até mesmo responder a provocações de semi desconhecidos que por simpatia elevada ou por cumulo de um orgulho canino, ainda que devidamente identificados com nome próprio, não deixam por tentar ainda que com alguma irreverencia mascarada, apupar os simples de discurso, que na tentativa de estimular e lembrar os mais cepticos leitores das minhas ingénuas letras, que valores como a Amizade devam ser enaltecidos na praça publica, pois não basta comemorar natais,ou denunciar jenucídios, quaisquer que sejam as origens, ou mesmo em detrimemto dos bons principios simplesmente gozar o parceiro, isso é que é feio, agora estimular o altruismo e parabemnizar os que se destacam por feitos que só honrram os seus autores, a isso eu chamo de solidariedade, companheirismo e respeito, admiração etc.
    Portanto abreviando que já vai longo o comentário e sinceramente já me farta, espero que o Sr. Dr. entenda tambem que isto é um planeta de amigos, que sem saberem muitas vezes estão de costas voltadas, tambem para o mais importante na minha singela opinião que é a união dos sentidos mais nobres que no fundo todos aludem mas que amiude olvidam.

    Obrigado por terem lido até ao fim, sabia que todos somos teimosos, mas no fundo simpáticos benfeitores da coisa em liberdade de expressão.

    Sem ressentimentos

    HagApito Final
    (João Manuel Dimas)

    By Anonymous Anónimo, at 12:41 da tarde  

  • Jenucidios? O sr. disse Jenucidios?

    By Anonymous Anónimo, at 7:44 da tarde  

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