Senhora do Monte

segunda-feira, janeiro 03, 2005

As minhas memórias do País Basco

Ainda sobre a questão basca todos teremos histórias pessoais para contar. Eu lembro-me de algumas passagens mais ao menos complicadas pelo País Basco e vivi inclusivé durante uma curta temporada em Pamplona.
Habituei-me a presentir e a observar o medo e a impotência do cidadão comum basco.
Deixo aqui duas pequenas memórias.
A primeira remonta a 1994
, quando eu e justamente o meu amigo Pedro Guedes, no âmbito de uma visita oficial que fizemos ao Parlamento Europeu a convite de um Eurodeputado português, regressamos a Portugal, via San Sebastian, e encontramos a cidade a ferro e fogo, com camiões virados de pernas para o ar nas ruas e caixotes do lixo a fumegar por todo o lado.
Recordo-me que, jovens inconscientes, em vez de recolhermos ao hotel, conforme ditariam as mais elementares normas da prudência, ainda fomos beber umas cañas.
Lembro-me de ver pessoas a protegerem-se à porta do Ayuntamiento e dos indígenas dizerem que era esperar para ver, porque daí a pouco também haveriam explosões e mortes para lamentar em Bilbao.
Era o procedimento habitual dos Etarras.
A segunda remonta a 1999 e a sorte esteve comigo.
Degustei um inesquecível leitão, com o meu tio João, num restaurante em Chamartin, mesmo em frente ao Barnabéu. Estávamos de passagem a caminho de Pamplona. Chegados ao País Basco, vimos nas notícias que a cabine telefónica que ficava de fronte ao nosso Meta dos Leitões de Chamartin tinha ido pelos ares, tendo feito duas vítimas mortais.
Isto aconteceu, talvez uma hora após termos entrado no meu carro que esteve estacionado, justamente, ao lado da cabine telefónica.