Como escrevi no meu primeiro post –
o perfil – no
Senhora do Monte, sou um expatriado do Porto, um fifty-fifty, com todas as consequências que daí advêm.
Uma das consequências é, no plano desportivo, ser portista desde pequenino e ser do Belenenses desde 1986, ano em que vim viver para Lisboa.
Não sou do “Belém” desde pequenino, aprendi a gostar do “Belém”.
De resto, é muito fácil gostar de Instituições de homens bons, de gente boa, que foi aquilo que encontrei no Belenenses, quando vim para a capital e senti falta de ver futebol ao vivo.
Sou sócio há 15 anos, portanto, há praticamente metade da minha vida, assim como todo o agregado familiar, que lá em casa a democracia é levada sério.
É agora tempo de eleições no “Belém”.
Perfilam-se, pelo menos, dois candidatos às eleições.
Começaria porém, por deixar uma
palavra de apreço a Sequeira Nunes, pelo seu excepcional desempenho no mandato que ora termina.
Homem íntegro, que sempre cultivou o low-profile como forma de estar no dirigismo, deixa o clube numa situação invejável.
Numa altura em que se fala de Apitos Dourados; em que pairam mantos de nevoeiro sobre quase todos os dirigentes que gravitam à volta dos clubes; em que o futebol é pasto fértil para negociatas escabrosas; em que uma fatia considerável dos dirigentes são os principais protagonistas e quase sempre pelas piores razões; conseguiu colocar-se nos antípodas do
status quo reinante, o que, diga-se, era uma tarefa perfeitamente hercúlea.
Só por isso o mandato teria sido positivo, mas Sequeira Nunes, fez mais:
conseguiu excelentes resultados financeiros;
assegurou a estabilidade de que o clube carecia;
deixa um projecto -
em parceria com o Grupo Amorim- que pode e deve garantir por muitos e bons anos a viabilidade do clube;
remodelou grande parte do complexo desportivo;
e,
last but not the least, conseguiu conjugar tudo isto com sucessos e bons resultados desportivos, quer no Futebol, quer nas Amadoras, que nunca desprezou.
Para abrilhantar decisivamente o ramalhete deixa contratado, para sossego do seu sucessor, aquele que penso ter tudo para ser o verdadeiro delfim do futuro
Sir Mourinho, o Mister
Carvalhal.
Que mais se podia pedir ao Presidente?
Agora surgem, pelo menos, dois candidatos: Cabral Ferreira e Mendes Palitos.
Dizem ambos que querem dar continuidade ao trabalho de
Sequeira.
Não conheço suficientemente bem os candidatos –
até porque nunca acompanhei com suficiente proximidade os meandros do Restelo, e normalmente não passo cheques em branco a ninguém, muito menos nesta área da “gestão desportiva” - no entanto, no caso vertente, parece-me ser do mais puro bom-senso que os sócios do “Belém”, apostem numa transição pacífica e na mudança na continuidade.
Parece-me que a lista liderada por
Cabral Ferreira, actual Vice-Presidente, que sei ser homem bom e promete consolidar o legado patrimonial e devolver o Belenenses ao estatuto de 4º grande, é aquela que reúne melhores condições para conduzir o clube no próximo mandato.
No entanto gostaria de deixar aqui um apelo ao candidato, no sentido de que reflicta no facto de na actual Direcção -
conheço pessoalmente alguns dos actuais Vice- Presidentes - haver gente com credibilidade, que serviu o clube e não se serviu dele, gente que calculo fará parte integrante do seu projecto, gente que merece finalizar o projecto imobiliário iniciado por esta Direcção, mas que no final do próximo mandato terão que deixar o clube, preparado para uma nova fornada de dirigentes.
Num meio em que por norma os clubes ficam dizimados em final de cada mandato,
a próxima Direcção tem a obrigação moral, eu diria até que, tem a obrigatoriedade, de como diria
Almeida Garrett, no
Frei Luís de Sousa, que a geração que vier a seguir não tenha que “ cavalgar por sobre ruínas e cinzas” da anterior Direcção.
Terá que ser esta, do meu ponto de vista, a principal meta da próxima Direcção.
E quando digo nova fornada de dirigentes, quero dizer que é necessário no Belenenses uma renovação geracional, que com os meios com que o clube vai ficar apetrechado no final do próximo mandato,
tenha capacidade objectiva, ao nível da gestão empresarial e da gestão desportiva, para redimensionar os objectivos do clube que terão que passar por alargar os horizontes para além de Tuy e Badajoz e colocar o clube, sempre, na rota da discussão pelo título de campeão nacional.
É pois necessário que durante o próximo mandato, haja uma convergência entre a Direcção e os sócios do Belenenses da minha geração -
principalmente estes, os que estão nos trintas – e os das gerações anteriores –
que estão nos quarentas e nos cinquentas - no sentido de que na medida das suas respectivas disponibilidades se possam criar plataformas de agregação e laços mais fortes entre os sócios e a gestão do clube.
Fazem falta pessoas que possam contribuir com formas promotoras ou aceleradoras do desenvolvimento global do clube e que tenham condições para prestar essa intervenção de forma apaixonada, mas baseada na ética.
A camada dirigente do clube precisa de se renovar, é necessário sangue novo, é preciso mais dinamismo, que só se conseguirá com uma média de idades mais consentânea com o estilo de um clube moderno.
Se
Cabral Ferreira conseguir atingir estas metas poderá ficar na história, como um dos melhores Presidentes de sempre do clube.
Viva o Belenenses!