Senhora do Monte

segunda-feira, janeiro 31, 2005

O grande timoneiro - ou como a idade não perdoa!

O grande timoneiro acaba de anunciar - agora é que vai ser!
Com honras de directo televisivo na SIC - Notícias o grande timoneiro anuncia que não se vai demitir.
Anuncia que agora é que vai (re)começar a senda do progresso, dos títulos, das vitórias.
O grande timoneiro vai ficar e vai continuar. Até ser corrido - que é o destino de todos os que não sabem sair na hora certa, na sua hora. Porque para tudo há uma hora certa. Até para sair. E saber escolher a hora de sair é tão ou mais importante do que saber escolher a hora de entrada. O grande timoneiro já deixou passar essa hora. A sua hora de glória e de triunfo - que deveria ter sido a sua hora de saída - já passou. E não vai voltar. Pelo simples facto de que é impossível voltar. Ou seja, é impossível repetir 2003/2004. Nessa altura tinha saído por cima. No auge. No pico. No apogeu. Perdendo a hora, perdeu a oportunidade. Sairá como todos os restantes - em queda, em quebra, em declínio. Quiçá se como condenado. Talvez só como arguido. Os adversários agradecerão.
Porque o grande timoneiro evidencia já evidentes sinais de fraqueza e de declínio. Nunca o grande timoneiro errou tanto em tão pouco tempo - 3 treinadores numa época é obra! Independentemente dos custos da operação (a somar aos 800000€ que custou o erro Del Neri) que deverão ser comunicados à CMVM e aos quais convirá estar atento! Ou muito me engano ou o grande timoneiro anda a gerar receitas extraordinárias com a venda de jogadores de primeira linha para gerar liquidez para despesas também extraordinárias como é o pagamento de indemnizações a treinadores despedidos. Há alturas em que tenho pena de não ser accionista da SAD portista para formular certas questões, ao abrigo dos direitos dos accionistas minoritários.... E já agora - que pensará de toda esta confusão gerada pelo grande timoneiro o seu «estimável» amigo António Oliveira, detentor de 11% da SAD portista? Perguntas, apenas....
Uma nota final - obviamente que considero absolutamente sem qualquer sentido e como mera coincidência a decadência evidente do grande timoneiro e o caso do «Apito Dourado» que o constituiu arguido, a ele e a alguns árbitros de primeira linha...

Declaração de voto (em breve)

Começa a gerar-se aqui na casa o (bom) hábito de cada escriba se predispor a revelar publicamente o sentido do seu voto. Isso é bom e é bonito. É bom porque assim ninguém se pode dizer ou sentir enganado. É bonito por ser feito em homenagem a um valor fundamental, qual seja o da transparência. Pois bem, aberto o precedente com os ilustres colegas que já anunciaram (a Ana, o Pedro Guedes e o José Carlos Soares) ou prometeram anunciar (o Patrick) o sentido do seu voto do próximo dia 20 - também eu me junto a este último e em breve, muito em breve, postarei publicamente o sentido do meu voto. Não por qualquer razão que esteja ainda a dificultar a escolha. Tão-pouco por quaisquer dúvidas objectivas ou subjectivas quanto ao sentido do mesmo. Apenas porque, como é de coisas sérias - muito sérias - que estamos a falar, exige-se um mínimo de rigor e precisão para o qual o tempo ainda não chegou. Por isso, em breve e aqui, também mais um sentido de voto será anunciado formalmente As soon as possible!.

FEIOS, PORCOS e MAUS.

Já por diversas vezes tinha falado, por exemplo aqui, daquela que, no meu entender, tem sido a única realidade constante no f.c.porto dos últimos anos. O Benfica tem sido a única realidade que está, na cabeça dos andrades, presente nas vitórias e nas derrotas, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença...
Agora, porém, as coisas estão a mudar. O último jogo do porto é disso claro exemplo. Mudam pois as coisas no sentido de se tornarem mais abrangentes. E se disto dúvidas houvesse bastava ver o jogo com o Braga. Agora, para além do Benfica existe a constante do encarnado, como dizia, mais abrangente.
O encarnado das camisolas do Benfica, o encarnado das camisolas do Braga e o encarnado dos cartões que os jogadores do porto não viram.
O que nos levava a outros caminho e pensamentos.
Para quem viu o jogo fica apenas a recordação da cabeçada que Maniche tentou dar ao árbitro - É MAU!
A recordação da entrada de Seitaridis sobre um jogador do Braga - É PORCO!
A recordação da cotovelada de Pedro Emanuel a outro jogador do Braga - ( aqui devia ser é FEIO, mas é mais que feio, é mesmo muito PORCO).
Agora, para que possa justificar o titulo, precisava de uma ajudinha da Ana Anes que, melhor do que todos nós, pode dissertar sobre a lindeza e a fealdade, como aliás já fez, e bem.

...Eu não Prometo nada, Eu Cumpro...

... Vão desculpar-me os caros companheiros de Blog mas este último Post do Patrick mas parecia campanha eleitoral ao seu pior nível. Só o desculpo porque ainda está a ver Braga por 1 canudo... (esta foi a anti-tripeira primária do dia).
Eu vou continuar a votar PSD. Apesar de reconhecer que Pedro Santana Lopes está mais para viver na Quinta das Celebridades do que em S.Bento, não posso deixar de reconhecer que é o mal menor, senão vejamos:
- O ps com o... como é que ele se chama mesmo? Não vai longe, segundo consta aquilo para os lados do Largo do Rato vai um mau ambiente terrível pois parece que a criatura anda sempre mal disposta, não posso votar em alguém sem humor e de mal com a vida. Mas como é que o homem se chama mesmo?
- o pp... confesso que até gosto do Paulo Portas e acho que será um bom parceiro de governo do PSD, mas só isso não chega...
- O bloco de esquerda... gosto do Louçã, gosto pronto, acho que ele faz parte daquela esquerda engraçada e com algum requinte, mas não chega...
- O pcp/verdes/independentes/cdu/cgtp... também não me lembro do nome do senhor mas coitado deve ser brincadeira terem um secretário geral assim, os kamaradas estão mesmo jurássicos...
O resto... é o resto, por isso mesmo só me resta mesmo votar no PSD, quanto mais não fosse só pelo prazer de saber que o Lambe-Botas do rei republicano anda a apelar ao voto no ps, deve ser para agradar à família real, sim porque isto de se passar de Passionária para Madre Teresa é só mesmo para rainhas... mas como é que se chama a criatura?

Promessa eleitoral

No próximo dia 10 de Fevereiro revelarei aqui no estabelecimento o meu sentido de voto.
E perguntam vosselências: "Porquê dia 10?"
E respondo eu educadamente: "Dia 10 saberão!"
Depois do Pedro Guedes e da Ana Anes, serei o terceiro a confessar-me.
Posso desde já adiantar que existem, nesta altura, duas hipóteses.
E a decisão final não vai depender única e exclusivamente de mim.
A seu tempo saberão.
Aqui no Senhora do Monte!

As eleições no Belenenses e Sequeira Nunes


Como escrevi no meu primeiro post – o perfil – no Senhora do Monte, sou um expatriado do Porto, um fifty-fifty, com todas as consequências que daí advêm.
Uma das consequências é, no plano desportivo, ser portista desde pequenino e ser do Belenenses desde 1986, ano em que vim viver para Lisboa.
Não sou do “Belém” desde pequenino, aprendi a gostar do “Belém”.
De resto, é muito fácil gostar de Instituições de homens bons, de gente boa, que foi aquilo que encontrei no Belenenses, quando vim para a capital e senti falta de ver futebol ao vivo.
Sou sócio há 15 anos, portanto, há praticamente metade da minha vida, assim como todo o agregado familiar, que lá em casa a democracia é levada sério.
É agora tempo de eleições no “Belém”.
Perfilam-se, pelo menos, dois candidatos às eleições.
Começaria porém, por deixar uma palavra de apreço a Sequeira Nunes, pelo seu excepcional desempenho no mandato que ora termina.
Homem íntegro, que sempre cultivou o low-profile como forma de estar no dirigismo, deixa o clube numa situação invejável.
Numa altura em que se fala de Apitos Dourados; em que pairam mantos de nevoeiro sobre quase todos os dirigentes que gravitam à volta dos clubes; em que o futebol é pasto fértil para negociatas escabrosas; em que uma fatia considerável dos dirigentes são os principais protagonistas e quase sempre pelas piores razões; conseguiu colocar-se nos antípodas do status quo reinante, o que, diga-se, era uma tarefa perfeitamente hercúlea.
Só por isso o mandato teria sido positivo, mas Sequeira Nunes, fez mais:
conseguiu excelentes resultados financeiros;
assegurou a estabilidade de que o clube carecia;
deixa um projecto - em parceria com o Grupo Amorim- que pode e deve garantir por muitos e bons anos a viabilidade do clube;
remodelou grande parte do complexo desportivo;
e, last but not the least, conseguiu conjugar tudo isto com sucessos e bons resultados desportivos, quer no Futebol, quer nas Amadoras, que nunca desprezou.
Para abrilhantar decisivamente o ramalhete deixa contratado, para sossego do seu sucessor, aquele que penso ter tudo para ser o verdadeiro delfim do futuro Sir Mourinho, o Mister Carvalhal.
Que mais se podia pedir ao Presidente?
Agora surgem, pelo menos, dois candidatos: Cabral Ferreira e Mendes Palitos.
Dizem ambos que querem dar continuidade ao trabalho de Sequeira.
Não conheço suficientemente bem os candidatos – até porque nunca acompanhei com suficiente proximidade os meandros do Restelo, e normalmente não passo cheques em branco a ninguém, muito menos nesta área da “gestão desportiva” - no entanto, no caso vertente, parece-me ser do mais puro bom-senso que os sócios do “Belém”, apostem numa transição pacífica e na mudança na continuidade.
Parece-me que a lista liderada por Cabral Ferreira, actual Vice-Presidente, que sei ser homem bom e promete consolidar o legado patrimonial e devolver o Belenenses ao estatuto de 4º grande, é aquela que reúne melhores condições para conduzir o clube no próximo mandato.
No entanto gostaria de deixar aqui um apelo ao candidato, no sentido de que reflicta no facto de na actual Direcção - conheço pessoalmente alguns dos actuais Vice- Presidentes - haver gente com credibilidade, que serviu o clube e não se serviu dele, gente que calculo fará parte integrante do seu projecto, gente que merece finalizar o projecto imobiliário iniciado por esta Direcção, mas que no final do próximo mandato terão que deixar o clube, preparado para uma nova fornada de dirigentes.
Num meio em que por norma os clubes ficam dizimados em final de cada mandato, a próxima Direcção tem a obrigação moral, eu diria até que, tem a obrigatoriedade, de como diria Almeida Garrett, no Frei Luís de Sousa, que a geração que vier a seguir não tenha que “ cavalgar por sobre ruínas e cinzas” da anterior Direcção.
Terá que ser esta, do meu ponto de vista, a principal meta da próxima Direcção.
E quando digo nova fornada de dirigentes, quero dizer que é necessário no Belenenses uma renovação geracional, que com os meios com que o clube vai ficar apetrechado no final do próximo mandato, tenha capacidade objectiva, ao nível da gestão empresarial e da gestão desportiva, para redimensionar os objectivos do clube que terão que passar por alargar os horizontes para além de Tuy e Badajoz e colocar o clube, sempre, na rota da discussão pelo título de campeão nacional.
É pois necessário que durante o próximo mandato, haja uma convergência entre a Direcção e os sócios do Belenenses da minha geração - principalmente estes, os que estão nos trintas – e os das gerações anteriores – que estão nos quarentas e nos cinquentas - no sentido de que na medida das suas respectivas disponibilidades se possam criar plataformas de agregação e laços mais fortes entre os sócios e a gestão do clube.
Fazem falta pessoas que possam contribuir com formas promotoras ou aceleradoras do desenvolvimento global do clube e que tenham condições para prestar essa intervenção de forma apaixonada, mas baseada na ética.
A camada dirigente do clube precisa de se renovar, é necessário sangue novo, é preciso mais dinamismo, que só se conseguirá com uma média de idades mais consentânea com o estilo de um clube moderno.
Se Cabral Ferreira conseguir atingir estas metas poderá ficar na história, como um dos melhores Presidentes de sempre do clube.
Viva o Belenenses!

P.S. Mais duas batatas do Sr. Antchouet.

domingo, janeiro 30, 2005

Estaremos a falar da mesma coisa?

Começou por ser uma coisa pontual, uma gaffe pensava eu. Normalmente nos noticiários da hora de almoço e, curiosamente ou talvez nem tanto, privilégio de uns poucos jornalistas das redacções do norte.
Depois, lenta e progressivamente a coisa foi avançando. Devagarinho, sem que causasse alarme ou grande aflição, fomos notando cada vez mais e mais. Quando chega o tempo quente e com ele os fogos nota-se mais, nota-se muito. De cada vez que se noticía um combate a um incêndio nota-se quase sempre.
Também se nota muito com a guerra, nomeadamente com estas últimas.
Comecei a ficar preocupado. Não estou alarmado mas, confesso, também não estou calmo.
Será que a coisa mudou de nome? Será que me distraí e não estamos a falar da mesma coisa?
Será que aqueles aparelhos, primos dos aviões, por regra mais pequenos, que levantam e aterram na vertical, já não se chamam helicópteros?
Chamam? Bom, então porque é que não há pivot de televisão ou repórter que não lhe chame ilcóptero, hillcóptero ou willcóptero?
E, já agora, não há mais quem tenha reparado?

Aqui fica um pequeno contributo a ver se a coisa se esclarece de vez:

helicóptero

do Gr. hélix, hélikos, hélice + pterón, asa

s. m.,
aparelho de aviação capaz de se elevar ou de aterrar verticalmente e de se suster no ar por meio de hélices horizontais.




Será cansaço?

Álvaro de Campos

Não

Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...

Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

Votar por eliminação

Digo-o para quem quiser ouvir, ou melhor, ler. Como não é possível votar nos dois homens mais giros e charmosos cá do cantinho- porque evidentemente não são burros ao ponto de andarem nestas lides à descarada-, o António Mexia ( que, com aqueles fatos às riscas lindissimos e de óptimo corte e aquela voz de tecnocrata pronto a salvar as contas públicas, deixa qualquer uma a arfar) e o milionário João Pereira Coutinho ( muito giro igualmente, mas duma forma muito "Park Avenue"), lá terei eu de ir votar no Portas, o único voto, não só útil, mas possível. É que para além de tecnocratas sexys e milionários, também gosto de gays competentes com ar sinistro, inteligentes, manipuladores e maquiavélicos.

Passaram-se!

Mas quem é que às 4H da madrugada resolveu assaltar aqui a casa e alterar o template, multiplicando n vezes o cartaz do filme «O Pianista» como fundo do blog? Compreendo que haja aqui muitos fãs cinéfilos, mas - caramba! - não era preciso exagerar! Ou será que a concorrência já começou a fazer das suas?

O Eixo do Sono

ou da Insónia? Já não sei bem como lhe chame. É aquele programa soberbo e nada fustigante com 4 songas-mongas nada telegénicos e sem piada nenhuma a atirar para o intelecto-suicidio...

Bolas, antes aquilo era melhor que um xanax para dormir. Hoje, deu-me insónias... Terá sido do amarelo rasca do cabelo da Clara-a-educadora-de-portugas-Alves? Filha, um banho daqueles dados no cabeleireiro, trata-te imediatamente dessa cor horripilante. É por estas e por outras que deixei de fazer madeixas... E aquele Nuno Artur Silva?? Já viram homem mais feio?! Sim, é verdade, o bloquista e o Pedro Mexia- de quem sou fã, diga-se- não devem nada à beleza, é verdade.

Para quem ainda não percebeu, aqui a maldizente é uma esteta.

O trombil do Delgado

Sim, pergunto eu: havia necessidade?! Como se já não bastasse termos de gramar o " saco de plástico" e os seus 5kg de publicidade, opiniões da chacha, e blá, blá,blá- é óbvio que eu defendo a minha dama!- com as suas " noticias" que conseguem ter 99,9% de desmentidos no próprio dia- é obra, amigos, é obra...- agora temos de acordar, e ao andarmos na rua, darmos de caras com o trombil do Delgado, o lambe-botas do regime em todos os escaparates? Ó céus, voltem a meter a papelada no saco de plástico ou escolham uma capa decente, com alguém mais bonito, que o trombil do Delgado na capa é das coisas mais aterrorizantes que se pode ver... a qualquer hora, em qualquer sitio. Arre!

ps: comprem o Independente. Sempre é mais giro ver o Freitas-troca-tintas de bola vermelhonga na penca.

sábado, janeiro 29, 2005

Aos neófitos

Serve este post para, em nome da numerosa comunidade de bloggers de esquerda que participam na Senhora do Monte (ou seja, eu), dar as boas-vindas aos novos participantes. Os incautos pensarão que sou impelido por uma força contrária à que move o Prof. Freitas do Amaral. Nada mais errado: mantendo presentes as virtudes da tolerância e consideração no debate (que vai, exclusive, até aos inimigos da democracia) e, como tal, não tendo preconceito contra qualquer cor, a recente experiência de vida só me leva a reafirmar como meus os princípios que, globalmente, enformam a esquerda democrática.

Como é óbvio, nada disto prejudica a minha independência de espírito. Não considero, por isso, que este blog esteja “minado” pela direita. Se há algo que pode perigar a qualidade que dele esperamos é, precisamente, encarar com má-fé a oposição ideológica. Podemos acabar como o infelizmente célebre Dr. Santana Lopes, a processar a realidade por não corresponder às nossas expectativas.

Alerta da protecção civil

A Protecção Civil lançou, esta manhã, mais um alerta relacionado com a vaga de frio que vem assolando Portugal. Em declarações à Agência Lusa, o Director da Protecção Civil, alertou para os riscos inerentes à mesma. Disse ainda que já foram sentidas graves repercussões na fauna e flora do nosso país, avançando mesmo com um exemplo: a colónia nacional de lagartos, apesar de continuar verde e pequenina, anda agora muito menos inchada.

As fotografias da Senhora do Monte - VII

"L´Amour dans le Jardin des Tuilieres"

(Robert Doisneau - 1943)


Felizmente há quem não ande distraído.

Parece que a ilha - não o nosso José Carlos, mas a outra ilha - continua firme e atenta.
Pelo menos é o que nos diz hoje o Daily Telegraph.

No! No! No!Our poll today, the first to replicate the question that will appear on the ballot paper, confirms the trend of every recent survey: by a margin of two to one, people plan to vote "no" to the EU constitution.

Quem é quem?

Estou a assistir ao debate entre Jerónimo de Sousa e Paulo Portas, em diferido, porque não pude assistir em directo.
Jerónimo acaba de mandar Portas ao tapete dizendo-lhe que teve 15 Ministros para apresentar, mas que o CDS ainda não tem programa de governo e portanto estão desde o início do programa a discutir no escuro.
Mas a mola impulsionadora deste post prende-se com o facto de eu estar completamente confuso.
Aliás estou confuso desde o início do debate, mas agora, levei a machadada final.
Portas acaba de dizer que não acredita no igualitarismo cego e que por via disso as famílias com mais posses não devem receber o subsídio de abono de família, devendo receber esse subsídio apenas as famílias menos abastadas.
Jerónimo interrompeu e disse discordar.
Foi um atónito Portas o que lhe perguntou: "Porquê?"
Jerónimo retorquiu: "Porque as famílias mais abastadas também descontam."
Ora, toma lá, que é democrático!
Agora eu, pobre e desamparado eleitor, é que estou aqui a olhar para as minhas mãos, para a direita e para a esquerda, para a esquerda e para a direita, e confesso que já não sei qual é uma e qual é outra.
E agora que Jerónimo está ali a debitar sobre a samarra e o boné do seu opositor, os tractores e as ceifeiras, vou mas é dormir.
Do lado direito da cama.
Ou será do esquerdo?

Antes e depois da posse

Isto não tem grande ciência. Antes de tomar posse, o Engº Sócrates vai ler de cima para baixo. A partir do dia seguinte deve consultar-se de forma inversa, de baixo para cima. Ora experimentem o exercício.

Nosso partido cumpre o que promete
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção
Porque, se há algo certo para nós, é que
A honestidade e a transparência são fundamentais
para alcançar nossos ideais.
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
Os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Solidariedade Bloguista




Para a Ana Anes que, segundo os ventos, está com uma gripe das antigas.
Põe-te boa que nos fazes falta.

As fotografias da Senhora do Monte - VI

" Le Père et le nouveau-né "

Jacques-Henry Lartigue - 24 Agosto 1944

A esta Foto chamou o autor: "Le père et le nouveau-né", foi tirada em Paris na Place Blanche... A renovação e a esperança no futuro, mesmo num período de enorme conturbação... A Esperança...A Continuidade...A Renovação... Paris...

Eu já falei que é boi, mas ele insiste em querer ordenhar...

Santana quer agora processar as empresas de sondagens...
Lembra-me, cada vez mais, a expressão que um velho amigo brasileiro usava, caricaturando a teimosia alheia:

" Eu já falei que é boi,
mas ele insiste em querer ordenhar..."

... Motivações...

... Isto de ser escrever para um Blog de referência tem destas coisas, "primeiro fazes a tua apresentação, um perfil, depois explicas o porquê de teres aceite escrever no Senhora do Monte". Foi assim, curto e grosso, que o Patrick me mandou fazer, e porque sou um menino bem comportado cá estou a obedecer.
Fundamentalmente, adoro começar uma frase assim, aceitei escrever para o Senhora do Monte porque gosto de ser uma ilha, se bem que alguns defendam que um homem não é uma ilha, eu gosto de ser.
Sou uma ilha, rodeado por Mentes Brilhantes, sim esse foi um dos principais motivos que me levou a aceitar o convite, não é todos os dias que se pode partilhar um espaço de intervenção rodeado por cabecinhas pensadoras como as que aqui vim encontrar.
Depois, e porque nunca fujo a um desafio, era já tempo da Direita ter um espaço de discussão uma vez que a Blogoesfera está minada pela esquerda, se bem que na sua grande maioria sejam apenas oportunistas à procura de tacho ( lá estou eu com mau feitio).
Apodítica, escatológica e inconcussicamente direi que vou ser eu mesmo, escreverei o que tiver que escrever sem me preocupar se concordam ou não e aprenderei muito, disso não tenho dúvidas.

10 razões para aqui estar

Um dos gerentes aqui da casa intimou-me - por zelosa e extremada cedência a uma estética que faz bem respeitar - no sentido de que deveria respeitar duas regras: que o primeiro post deveria ser de apresentação do escriba; e que o segundo devia ser para explicar a razão por que havia aceitado o convite para aqui me alojar. Pois bem, desincumbido da primeira tarefa aqui, o melhor que sabia e podia, e com a brevidade que se impunha, impõe-se esclarecer as 10 razões pelas quais aceitei o convite para esta colaboração. Assim, a mesma foi aceite porque:

1º) De há algum tempo a esta parte este blog era e é um dos meus favoritos e preferidos. E quando o tempo escasseia, impõem-se prioridades que se traduzem em ler apenas os melhores. Este está nessa selecta lista.

2ª) Porque aqui mora o meu amigo Mário Antunes Varela, que há mais de uma década me habituei a conhecer e a admirar - e que, sem desprimor para os restantes moradores cá da casa, é um «tipo cinco estrelas».

3º) Porque gostei da forma como o Patrick rodeou, rodeou, rodeou, e voltou a rodear a conversa marcada antecipadamente até chegar «aos finalmentes» de me convidar a aqui participar. «Fintei-o» logo, aceitando o convite em menos de um décimo do tempo que ele gastou a formulá-lo!

4º) Porque gostei do projecto que foi apresentado e das perspectivas de desenvolvimento futuro que foram equacionadas.

5º) Porque apreciei a forma e a gentileza do Luis Pinheiro Coutinho no primeiro contacto estabelecido. «Suspeito» que ele faz parte do mui pouco recomendável bando da dragonada - mas, em contrapartida, temos outras filiações comuns!

6º) Porque gostei de saber que o José Carlos Soares poderia alinhar no projecto. Não o conheço, nunca o vi pessoalmente, mas é uma daquelas figuras com quem, pela sua exposição mediática, se simpatiza ou se antipatiza. Eu já tinha simpatizado. Também ajudou a ter vindo até esta morada.

7º) Porque aquilo que já escrevi a propósito deste blog se aplica, na íntegra, ao Pedro Guedes e ao seu Último Reduto - leitura obrigatória diária nas deambulações pela blogosfera.

8º) Porque vim a saber que aqui na casa também iria morar uma colaboradora, Ana Anes que também não conheço, que sabe muito mais disto de blogs do que eu - e sabe-o com qualidade, a ponto de já ter visto consagrado em livro alguma da sua actividade na blogosfera. E eu gosto de aprender com quem sabe mais do que eu.

9º) Porque, tendo-me iniciado nestas andanças blogosféricas há quase um ano, há esse tempo que convivia com a amargura de ter de alimentar diariamente um blog - e sozinho! Ora, na época da globalização, dos grandes espaços e dessas coisas semelhantes, nada melhor do que aceitar participar numa aventura colectiva onde a qualidade estava já adquirida.

10º) Finalmente, principalmente, e à falta de melhor razão, aceitei participar aqui por uma razão indiscutível: porque sim!

E pronto. Creio cumpridos os rituais iniciáticos cá da casa: post de apresentação + post de justificação. A partir de agora, será mais «a valer». Contando com a compreensão e benevolência dos leitores. Ponto.

Vantagem de cá...

Por estes dias, transformou-se o país numa enorme mesa de ténis, de mesa, bem entendido.
Hoje, mais uma partida.
De um lado Bagão Felix, do outro, Diogo Freitas do Amaral.
Um jogo sem grande interesse, jogadas denunciadas, pouca vivacidade, muita previsibilidade.
É natural que Bagão se sinta. Afinal, em nome de todos bem sei, mas é Bagão quem paga.
Dirão outros que Freitas não atacou o patrão, que se limitou a defender os trabalhadores e que não representa os interesses do Estado e sim da C.G. de Depósitos.
Bom, afinal quem é o dono da C.G. de Depósitos?
Pois, é o Estado não é...
De qualquer dos modos a recação de Bagão, à luz do recente apoio de Freitas a Sócrates, era a esperada, aliás, tal como o referidoa opoio.
Havia, contudo, um lance de que não estava à espera.
Freitas não se demitiu.
Com razão, sem ela, sempre esperei que Freitas se demitisse.
Isto por uma razão evidente para quem conhece o seu percurso político: Foi o que sempre fez!

Demitiu-se.

O barrete do frio polar


Quando melhor assunto não há, os portugueses falam do tempo. Falar do tempo é, a par do futebol, uma das melhores formas de evitar silêncios constrangedores nas conversas. “Ò vizinha ele afinal não está assim tanto frio…” ouve-se, em que o “ele” está na forma de pronome indefinido e indefinível, como também na frase “Ele há cada um…” deixando – nos na dúvida se o “ele” é o mesmo da frase anterior.

Mas que o povo o faça, ainda estou como o outro (será o mesmo do “ele”?) agora a Comunicação Social? Na falta de melhor assunto, vamos lá aterrorizar esta malta com o frio polar!

Sim, com directos em simultâneo de Urgências de Hospital, de Lojas de electrodomésticos em que velhinhas compram aquecedores com medo que esgotem ou de Bragança onde locutores profusamente encasacados entrevistam o responsável da Protecção Civil quase em mangas de camisa.

Na falta de melhor assunto quando estamos em pré-campanha eleitoral! Será porque os partidos em contenda também não têm assunto? Talvez, mas mesmo assim não se justifica o aparato com que se anunciou a “vaga de frio polar”, que, no meu entender, deveria ser sempre referida e acompanhada de conselhos para as pessoas se defenderem do frio. Mas não de uma forma alarmante. Se aqui faz frio então o que acontece no resto da Europa ou nos Estados Unidos?


Na falta de melhor assunto…

LPC

Jardim Gonçalves e Álvaro Cunhal: ou a sucessão para Inglês ver...

Com pompa e circunstância, o Grupo BCP, anunciou aos quatro ventos que Paulo Teixeira Pinto sucedia na Presidência do potentado financeiro ao carismático e visionário Jardim Gonçalves.
Sem desprimor para ambos, antes pelo contrário, alguém acredita que o velho tubarão dos mares da banca não continuará, qual sombra tutelar, a comandar os destinos da nau?
Teixeira Pinto, é uma figura acima de qualquer suspeita quanto aos seus méritos académicos, tem uma formação jurídica muito forte, foi um dos braços direitos de Cavaco, continuando a ser seu Conselheiro e é rápido - tipo Lucky Lucky, faceta que eu desconhecia - porque não está ao alcance de qualquer um atingir, aos 44 anos, o topo do topo da alta finança, ainda para mais tendo que ultrapassar, pela direita, dois pesos pesados do aparelho: Pinhal e Beck.
Ainda tem outro mérito que não deve ser desprezado, é sócio e adepto doente do FC Porto.
Mas gostava de deixar neste modesto espaço de reflexão um conselho a Teixeira Pinto, a quem apelo, que se por acaso algum dia se cruzar com o Senhora do Monte, se lembre disto:
Jardim é das pessoas que mais contribuiram para o progresso do País nos últimos anos e continua como Presidente do Conselho Consultivo, os seus dois Vices de maior confiança continuam também como Vices, o que quer dizer, que para além de todos os seus méritos, Paulo Teixeira Pinto, tem que revelar outro, esse sim, decisivo para que se possa afirmar e ser de facto o verdadeiro decisor sobre, ao que consta, 71 mil milhões de euros de activos. Trata-se do mérito de soltar as amarras, de decidir sózinho na solidão do seu gabinete, imune a pressões, ainda que elas venham de quem lhe deixou esta invejável herança.
Será capaz?
Se for, o final da história tem tudo para ser feliz.
Se não for, lembra-se de Cunhal e Carvalhas?
Eu diria que esta sucessão tem todos os ingredientes para ser um remake da sucessão Cunhal- Carvalhas.
Cabe-lhe a si, não ser e não querer ser, o Carvalhas do BCP.
Entretanto o mercado que não é parvo e não vai em cantigas, já reagiu:
Flat, como dizem os analistas.
Pois!

À laia de apresentação

O escriba destas linhas nasceu naquela que, para si, é a mais bonita cidade do mundo. Chamam-lhe, presunçosamente, a «Veneza Portuguesa». Bom, também não é preciso exagerar. Só pelo facto de termos uns canaizitos que nos trazem «cidade-dentro» braços dessa incomparavelmente bela «Ria de Aveiro», não é razão para presumirmos qualquer comparação com a verdadeira, a pura, a autêntica «cidade dos canais». Mas em todo o caso, é bonito de ouvir e faz bem ao nosso ego pensar que vivemos na «Veneza Portuguesa». Deixemos de lado, porém, essas minudências geográficas.
Pois bem - o escriba aí nasceu. Aí cursou a - antigamente designada - Escola Primária (hoje, pomposamente chamado primeiro ciclo) na altura em que ainda era obrigatório saber-se na ponta-da-língua os rios, as linhas de comboio, as barragens, as províncias e demais informações úteis, não só de Portugal como também das antigas províncias ultramarinas (que isso de colónias tinha sido coisa do salazarismo retrógrado).
E foi nessa altura, mais precisamente na quarta classe, que o escriba se deu conta que havia uma coisa chamada «política». Lá para o fim de um qualquer mês de Abril, nos alvores da primavera, a política deu ao escriba a primeira (única e última?) alegria: não houve escola porque uns senhores tinham feito uma revolução para derrubarem o governo. Mas então os governos derrubam-se? - pensou e perguntou o escriba. Disseram-lhe que sim! E ele acreditou. E depois, ingenuamente, deve ter começado a pensar que o governo tinha sido derrubado pelo pessoal do Benfica. É que, para onde quer que se virasse, só via bandeiras e panos vermelhos. Que não, que não - disseram-lhe. E então alguém lhe explicou o seu primeiro conceito de ciência política que o escriba interiorizou e que até hoje ainda guarda como válido: explicaram-lhe que «vermelho era diferente de encarnado». E disseram-lhe que encarnados eram os do Benfica. E desses podia e devia continuar a gostar. Mas que dos vermelhos, não. Nunca! Desses não devia gostar. E o escriba acreditou (com alguma dificuldade ao princípio, convenhamos. Mas também quem é que se lembra de ensinar ciência política, assim, a um puto de 10 anos?). Bom, a partir desse momento, seguiu-se o trivial percurso académico (liceal e universitário) sempre acompanhado a-par-e-passo de uma intervenção «político-estudantil» em associações académicas e daquela divisão maior cedo interiorizada: «encarnado é bom; vermelho é mau»!
Terminado o curso de direito que foi escolhido sem qualquer dúvida ou réstea dela e que se passou pachorrentamente na vetusta Universidade de Coimbra, efectuado o estágio advocatício, eis que por uma daquelas surpresas em que a vida é fértil, com apenas 25 anos de idade o escriba se vê envolvido no projecto de criação de um estabelecimento de ensino superior privado, que por confiança dos demais pares lhe incumbirá dirigir por longos 13 anos. E aí surgiu o afastamento da barra da advocacia e a aproximação às coisas da Europa - pelo facto de ter passado a leccionar disciplinas dessa área. Foi uma paixão à primeira vista, que ainda perdura e se mantém acesa e que já gerou alguns frutos impressos em letra de forma.
Sempre, tudo, a par de uma actividade política que começou numa das «jotas» existentes - já defunta por mudança de nome - e se transferiu para os séniores da instituição quando o líder da jota em causa resolveu candidatar-se à liderança da casa-mãe. Foram, aí, 6 anos de vivência por dentro da política numa dimensão mais ampla, mais nacional, o suficiente para concluir que essa dimensão em nada difere da dimensão paroquial, concelhia ou distrital. Os princípios (ou a falta deles) são os mesmos, as regras (ou a sua ausência) idênticas, os fins (independentes dos meios utilizados) muito semelhantes. E quando o líder saiu, o escriba saiu com ele. E durante outros 6 anos acreditou estar no caminho certo, acompanhando o ex-chefe na sua luta (inglória) para recuperar a liderança perdida e conduzir o barco a porto seguro - ao porto onde, com inegável mérito, o comandante seguinte o levou e o conduziu. Porque sempre entendeu que a amizade é um valor supremo, que deve estar para lá da política e bem acima dela. Hoje, tal como o líder da altura agora propala, também o escriba pode dizer que «Fomos todos enganados» - pois a vida se encarregou de demonstrar que há quem, para lá da política, mais nada veja e mais nada considere. Mas enfim, isso são contas de outros rosários e «estórias» de homens pequenos com egos grandes. Misérias humanas, diria o poeta...
E como «à laia de apresentação», o post já vai longo, e muito ficou por dizer, e outras «estórias» ficaram por contar - nomeadamente as que se prenderam com a passagem por esse domínio fabuloso do dirigismo desportivo - conclui-se por ora para se voltar noutra hora!

Depois de Freitas, quem havia de dizer?

O Hipópotamo é parente próximo da Baleia.
Assim mesmo, sem mais, leia aqui.

... Era Uma Vez...

... Tanto quando julgo saber o meu pai e a minha Mãe conheceram-se ainda novinhos, teriam para aí uns 14 ou 15 anos, o meu Pai era aprendiz de electricista e a minha Mãe aprendiz numa fábrica de malas que havia ali para os lados da Rua das Pedras Negras, junto à Rua da Madalena, no coração de Lisboa. No entanto os seus caminhos só voltariam a cruzar-se uns anos mais tarde, e de tal forma se cruzaram que no dia 13 de Dezembro de 1962 às 17.30 lá nasci eu na maternidade de Stª Bárbara, paredes meias com o Hospital de S. José.
Segundo reza a história, cá o moço não estava muito virado para essa coisa de abandonar o útero materno e só ao fim de 3 penosos dias, para a Mãe Hortense, é que eu decidi dar a cara ao Mundo. Como castigo pelo tempo perdido, em vez da tradiconal palmada no rabo terá a enfermeira atirado a minha cabeça ao encontro da parede, o que, por si só, explica muita coisa...
Segundo consta, porque confesso não me lembrar, sempre fui um bébé atinado, comia, dormia, chorava e sujava as fraldas o que, convenhamos, não é muito original.
Aos 5 anos a Mãe Hortense e o Pai Soares quiseram pôr-me na escola e vai daí, porque morava no Largo da Graça, vai de me inscreverem numa coisa chamada "A Voz do Operário". Ainda hoje não sei se a alergia à esquerda terá alguma coisa a ver com o nome da escola, mas o que é certo é que não me aguentaram por lá muito tempo, apenas o suficiente para umas choradelas e para entrar numa peça de teatro em que fazia de "Pequeno Buda", vá lá saber-se porquê...
Acabei por fazer a a instrução primária (sim, parece mentira mas acabei a 4ª classe) na Escola da Dª Beatriz na Rua das Pedras Negras. Cheguei ao ciclo e fui para a Nuno Gonçalves na Av. General Roçadas e foi precisamente aí que o dia imediatamente a seguir ao 24 e antes do 26 de Abril de 1974 me encontrou...
Depois fiz o Liceu no Gil Vicente e deixei-me de escola quando cheguei ao fim, queria era jogar futebol, miúdas e dinheiro para os copos... fui trabalhar para o meu pai... não há nada pior que trabalhar para o Pai... Anos mais tarde entrei na Universidade Católica para tirar Direito mas, obviamente, não cheguei a acabar...
Assumi a minha paixão pelo Jornalismo, de corpo e alma, comecei em 1986, poucos meses após ter deixado o Hospital de S. José onde estive uma semana em coma e onde sobrevivi a uma paragem cardíaca (desculpem lá mas queixem-se a quem quiserem não tive a culpa de não me quererem nem lá em cima nem lá em baixo).
Os primeiros passos foram dados nas Rádios locais em Sesimbra e em 87 rumei à Sampaio e Pina para assinar pela Rádio Comercial, em 89 fui para o Correio da Manhã Rádio e em Fevereiro de 91 para a Tvi onde me mantive até Dezembro de 2003. Depois disso já sabem, Sic 3 meses e desemprego 1 ano... agora, estou dividido entre a Uefa e a Antena 1, mas atenção, tomem mesmo muita atenção, é que Eu vou, mas Volto, porque a mim... a mim ninguém me cala...Mesmo!...

Que raio de mundo era este?



Assistindo ao programa da RTP 1, lembrando o 60º Aniversário da Libertação de Auschwitz e atendendo ao pedido da comentadora S.A.O. - que comentadoras destas têm que ser estimadas – procuro inspiração para escrever algumas palavras sobre a efeméride.
Nunca tendo ido a Auschwitz, recordo que visitei em 1994, o Campo de Concentração Natzweiler – Struthof , de resto, acompanhado por um dos meus ora companheiros de blogue.
Lembro-me do frio, do cair da noite, de transpor o portão principal e olhar para a rede metálica e de só isso, impressionar e arrepiar.
Uma vez lá dentro, o cenário é deprimente e avassaladoramente angustiante.
Ninguém consegue ficar indiferente: o pátio da chamada; as cercas de arame farpado; o crematório; a prisão; a bancada da tortura; a câmara de gás e por fim o Livro da Vergonha.
Aquilo não era um Campo de Concentração, era um Campo da Morte, dirigido por psicopatas, que tinham o Poder da Vida e o Poder da Morte.
Pessoalmente, considero da maior importância que datas como a de ontem continuem a ser lembradas e assinaladas, porque só actuando na área da sensibilização e da educação, desta e das próximas gerações, poderemos evitar que novos Holocaustos, sejam eles quais forem, não se possam voltar a repetir.
Quando estive em Natzweiler- Struthof, só me lembro de pensar: “ Que raio de mundo era este? Como é possível o mundo, o Homem, chegar a isto?”.

E Mário Soares?

Se o PSD quanto a Senadores está pelas ruas da armagura, que dizer do PS?
Quando debitará Soares, se é que algum dia o vai fazer, sobre o programa de governo do PS?
Também o catalogará como " simples, claro, inteligente, interessante e bem escrito" à semelhança da adjectivação que entendeu colar ao do Bloco de Esquerda?
O silêncio do velho Senador começa a ser ensurdecedor lá para os lados do Largo do Rato.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Importa-se de repetir?

Foi a isto que chegou o PSD?
Mas apesar de tudo há que lembrar ao Prof. Freitas que o candidato do PS às legislativas já está escolhido.
Ou é preciso arranjar alguém para saco de porrada do Prof. Cavaco?

以小人之心 度君子之腹

Este post começou por ser um comentário ou talvez nem isso. Na verdade foi um desabafo, a tradução de um certo desencanto de momento motivado pela dificuldade em compreender algumas posturas e atitudes.
Foi uma coisa reactiva mas não foi e não é uma pedra.
Confesso, contudo, que ainda ontem, num comentário a um post do J.C. Soares, a quem deixo um abraço, tive oportunidade de deixar vir à tona este sentimento de desilusão que, estou certo, é apenas passageira.
Porque raio se critica e não se faz? Por que razão se opina sobre as opiniões mas nunca se assume a nossa? de base, de raiz, sobre o que quer que seja? Porque é que não assumem um projecto? melhor, pior, um projecto... porque é que aproveitam tudo para destruir e não se lhes conhece obra feita? Porque é que se escondem? porque é que não assinam? porque é que se perdem em gralhas e erros gramaticais? Bem sei que erros são erros... bem sei. E também sei que quem se expõe erra, quem diz engana-se, quem assina atravessa-se. Bem sei, bem sei...
Desagradam-me os anónimos tolos e insolentes, as ofensas baixas e descabidas, as procuras de buracos, gralhas e falhas de forma, as críticas que servem apenas para concordar com tudo o que lhes serve de base e se limitam a procurar o sol à custa do esforço dos outros.
Desagradam-me.
Mas eu assino, eu opino, eu atravesso-me, todos os dias. Vale o que vale.
O que se segue não é integralmente meu, é uma adaptação, mas é aquilo que sinto e exactamente aquilo que penso.
Em meu nome e, creio, em nome dos companheiros do Da Senhora do Monte, com um abraço a todos os anónimos parvos e a todos os parvos assinados:

O humanismo confuciano indaga sobre “como ser homem”. Mas, para que saibamos “como ser”, devemos saber antes de tudo “quem somos”. Assim, disse Confúcio: “Que o Príncipe seja Príncipe; o súbdito, súbdito; o pai, pai; o filho, filho” 君君臣臣父父子子 (Analectos, 12: 11). A ideia é de que “cada um deve fazer a sua parte, fazer o que lhe compete”.

É também o que sugere a famosa formulação chinesa: 自知之明: “A sabedoria de conhecer-se a si mesmo”. O auto-conhecimento não serve só para que possamos saber “o que fazer”, e “como fazer”, mas é essencial para que possamos situar-nos na realidade, e então livrarmo-nos da super-estimação ilusória e decepcionante, e da sub-estimação injusta (tanto sobre nós mesmos, quanto sobre os outros).

Para este tema, temos os conhecidíssimos provérbios: 以己度人: “Eu interpreto os outros a partir de mim mesmo”. A ideia corresponde ao provérbio espanhol: “Cree el ladrón que todos son de su condición”.

E, 以小人之心 度君子之腹

“Um homem mesquinho interpreta o comportamento de um Junzi [cavalheiro] a partir de suas próprias intenções”, pois é certo que:

仁者見仁, 智者見智“

Um homem que cultiva a virtude Rén sabe reconhecê-la quando ela aparece no outro; e um homem de grande sabedoria sabe reconhecer um outro sábio quando está diante dele”. E pela mesma lógica, um 小人 (homem sem valor), não reconhece nenhum valor (já que ele mesmo não o possui), e interpreta tudo segundo as suas abomináveis limitações.

Nesse sentido, a melhor forma de realizar a Rén é questionar a si mesmo, buscar o estar de bem consigo mesmo, e não tardar a corrigir os erros que encontrar em si próprio.

Podiam tentar não era? Ou, em alternativa darem um pulo ao Barnabé e por lá ficarem a dizer mal de tudo, da direita aos sabonetes e banhos de imersão...

Reforços de inverno

Encarregou-me o grande timoneiro deste miradouro blogosférico de bem receber os novos escribas e é isso que muito justamente farei. Começando pelas senhoras - como manda a boa educação e o bom gosto - é com especial satisfação que vejo a Ana Anes dar a esta costa. Para além de partilhar comigo a paixão pelo Belenenses - coisas de gente de bem ... - a Ana é uma blogger experimentada, que viu o seu primeiro blogue transformar-se em livro, volume onde aliás entendeu escrever-me uma simpática dedicatória que - como é evidente - não divulgo. E, convenhamos, isto só tinha homens. Bem sei que há quem goste, mas enfim... não é o meu caso.
Quem em boa hora se lembrou de para aqui trazer a Ana - ao que sei - foi o José Carlos Soares, aquisição número dois e que me poupa linhas na exacta medida em que dispensa apresentações. Seja de igual modo muito bem aparecido que eu já gostava muito de o ler!
Em não bastando, o Antunes Varela perguntou-me (e ao Patrick) certo dia: e se a gente agarrasse aquele João Pedro Dias? Registando-se democrática unanimidade… meu dito, meu feito. Meteu-se o Mário à estrada e foi a Aveiro assinar o contrato, em missão tão rápida quanto eficaz, procedimento que um dia destes ainda poderá ensinar aos empresários da bola. Ainda por cima, o blogue passa a ter um especialista de reconhecido mérito em assuntos europeus e comunitários.
Para reforçar igualmente o lado direito do ataque, surge o António José Coutinho, que ainda não conheço pessoalmente, o que aliás sucede com os dois anteriores - mas não faltarão oportunidades... Ao que me disseram, com esta quarta contratação teremos uma visão tão experiente quanto abrangente: homem do norte e mestre do ensino superior, o António sabe de engenharias e de gestão.
A concorrência que se cuide! Com esta equipa…

As fotografias da Senhora do Monte - V

Deserto de Atacama, Chile, 1987

David Alan Harvey

Blese

Blese não é o meu último apelido.
É o antepenúltimo.
Por causa do blogue, já há quem me chame Blese.
E também Beleza.
Começo a ficar preocupado!
E eu que sempre fui "o Patrick!".
Simplesmente Patrick!

Choramingas

Cada vez mais, Santana Lopes queixa-se muito e de quase tudo!

Obrigado!

O blogue tem andado ao abandono.
Agradeço a todos os que misericordiosamente ontem vieram espreitar aqui o estabelecimento apesar de termos ficado exactamente 48 horas e 58 minutos sem "postar" - foram cerca de 200 leitores os que nesse interregno por aqui passaram - e se não fosse o MAV aparecer qual SOS, só agora se safava a coisa.
Quanto às novidades anunciadas estão a "rebentar"!
Obrigado, pois, pela fé e pela deferência.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Menos mal...

Foi um sofrimento triplo.
O sofrimento que decorre de um Benfica-Sporting, normal portanto.
O sofrimento que decorre de um Benfica -Sporting que dura mais de duas horas e acaba em grandes penalidades.
O sofrimento de ver um Benfica que ganha mas ganha menos bem, se é que o que acabo de escrever existe.
Foi, na opinião de um Benfiquista sofredor, um mau jogo do Benfica, ausente, desnorteado. Um Benfica de jogadores que não sabem bem o que fazer à bola e que sentem ou parecem sentir que aquilo que lhes dizem para fazer não é a solução mais ajustada.
É sobretudo um Benfica que só mostra chama a espaços. No jargão do futebolês: que vive de rasgos individuais e não do colectivo. que não tem automatismos. Um Benfica de jogadores que não gostam de ter a bola nos pés.
Será só falta de classe de alguns?
Será que essa falta de classe, manifesta em alguns casos, pode servir de desculpa para tudo?
Será que desta feita não poderá servir a carapuça da culpa a um treinador que me parece, também ele, ausente?
Menos mal porque ganhámos, mas confesso que não gosto de ganhar assim, confesso que gostei de ver o Sporting jogar, confesso que gostei de ver o modo como os seus jogadores e técnicos aguardaram o desfecho das grandes penalidades.
Mas ganhámos, menos mal.
Resta eleger o melhor e o pior, fica bem, é tradição.
O melhor: Comentário do locutor de serviço da RTP que a dado passo exclamou:

"... mas estão a atirar telemóveis? Bom... mas os telemóveis... enfim, ainda se fosse uma cabeça de leitão... agora telemóveis ainda são caros não é..."

o pior: Alguém, pelo amor de todos os santinhos, poderia fazer o favor de informar o senhor Carlitos de que se transferiu do Estoril Praia? De que agora joga no Benfica, de que se deve esforçar pelo menos tanto como se esforçava no Estoril, mais que não seja porque agora deve ganhar dez vezes mais. Deve haver uma maneira de lhe explicar... é que não acredito que ele se tenha apercebido de que se tranferiu. Deve continuar a achar que tem que correr aos domingos quando lhe dão uma camisola amarela para vestir.
Numa palavra que hesitei usar: MISERÁVEL

terça-feira, janeiro 25, 2005

Blogue Senhora do Monte reforça-se e moderniza-se

O Blogue Senhora do Monte aproveitou a abertura do mercado de Inverno para se reforçar.
Com seriedade, critério apurado e rigoroso, crivo cerrado e sem as habituais fugas de informação, apanágio do ser lusitano, assegurámos contratações de peso, que contribuirão para que o Senhora do Monte se possa guindar ao estatuto de Referência no panorama blogosférico nacional.
Muito brevemente saberão aqui de OPAS, concentrações, fusões e parcerias na Blogosfera.
E o Senhora do Monte esta na linha da frente dessas movimentações.
Os escribas ora contratados, já assinaram com o Senhora do Monte, mas para já, os seus nomes não são revelados.
Por uma questão de suspense…
Para já renovaremos a apresentação estética do Blogue, assim:
Na coluna da direita:
1- acrescentaremos o item Rubricas Fixas, que são 6, subordinadas aos temas indicados entre parêntesis;
2 - aumentaremos o número de blogues linkados;
3 - assumiremos uma atitude quanto á Adopção;
4 - iremos introduzir um novo contador de visitas, brasileiro, o Blograting;
5 - criaremos novas categorias de links, nomeadamente: Motores de Busca, Imprensa Nacional e Internacional;
6 - colocaremos um mapa mundo do sistema Geoloc, que nos permitirá saber com mais nitidez a proveniência dos nossos visitantes;
7 - passaremos a oferecer a toda a comunidade blogosférica mundial um tradutor automático dos nossos textos para a língua inglesa.

Para que tudo isto seja possível, é só o diligente e impagável, Pedro Guedes conseguir tirar meia horinha à sua candidatura, aos seus afazeres profissionais, conjugais e paternais e a coisa aparecerá grandiosa.

Cada vez mais perto de si, o seu Senhora do Monte!
Até já!

A filha de Louça ou a política de pernas para o ar

Fui brando, muito brando, no post que aqui deixei sobre a frase de Louça, no debate com Portas.
Vou explicar porquê, não sem antes esclarecer que não assisti ao debate Louça- Portas e para os espíritos mais puristas – sem ofensa – esclarecer e rectificar que Louça, de facto não disse: “ Não tem direito de decidir sobre o aborto”.
Mas como diz o povo, “para bom entendedor, meia palavra basta” e aqui, não foi meia palavra, foi muito mais que isso.
Fui agora informar-me e documentar-me, para poder com renovada propriedade vir aqui, a esta tribuna, desancar o Xico.
No debate, gerou-se uma polémica sobre o aborto e nesse contexto, Xico Louça disse textualmente: “ O senhor não sabe o que é gerar uma vida. Não tem a mínima ideia do que isso é. Eu tenho uma filha. Sei o que é um sorriso de uma criança. Sei o que é gerar uma vida”.
O que há então a dizer sobre tão idiotas palavras?
Em primeiro lugar
, dizer aos estimados leitores, que noutra vida, fui político/dirigente associativo, participei em debates, palestras, comícios, assembleias e afins, e a minha experiência - que dirão e muito bem, que vale o que vale - diz-me que este tipo de frase não é um improviso, trata-se antes do tipo de improviso que vai preparado de casa, que sai das profundezas do eu.
O Xico levava a arma carregada e pronta a disparar, que foi o que fez assim que o tema foi chamado à colação.
Portanto, a coisa é mais grave do que parece à primeira vista, não se tratou de umas frases mal medidas, o homem pensa mesmo aquilo.
Por outras palavras, Louça num lance de grande infelicidade- tipo autogolo – utilizou a sua filha e a sua condição de pai como arma de arremesso, numa querela política.
E fez essa utilização de forma populista, indecorosa, infeliz e grosseira, recorrendo ainda para compor o ramalhete, a factos da vida privada do seu oponente.
Utilizou o facto de ser pai e Portas não ostentar esse "título", para argumentar por via dessa “condição de não paternidade”, de que Portas se deveria sentir diminuído para emitir opinião sobre a questão da despenalização do aborto.
Portanto, meus caros, se por ventura fossemos exagerados nas extrapolações, diríamos que ficámos a saber que para o Bloco de Esquerda, a procriação é condição indispensável para emitir opinião sobre o aborto.
Ficámos também a saber que casamento, procriação, protecção da família, protecção e concepção de vida é com o Bloco.
Eles é que são, afinal, o Partido Conservador.
Eu não sabia!
É a política de pernas para o ar!

segunda-feira, janeiro 24, 2005

A receita para a felicidade.

Pensei em escrever sobre política, a nossa, a caseira. Mas, em boa verdade, para quê? Adiantaria falar sobre soluções, hipóteses, alternativas, caminhos e receitas para um futuro melhor se o que se debate é o debate? Se tudo o que interessa debater é o como, o quando, o onde, o quem e o porquê de haver ou não debates? A dois ou a cinco? na SIC, na TVI ou na RTP? Na 2? No Clube de jornalistas? Pois, parece que não, que afinal esse já não vai...
Em alternativa, pensei falar de bola. É sempre um tema de recurso e de recursos. Mas, novamente, para quê? O Benfica é o que se vê ou o que não se vê, no caso. Falar sobre o porto? Sobre escarradelas e cotoveladas dos seus briosos profissionais? sobre a primeira-dama e suas emoções perante a sagrada figura do "senhor papa" que, para quem não saiba " é um senhor velhinho, que está sentado numa cadeirinha e depois nós...". Não, é melhor parar, não me atrevo.
Podia falar da vida e perder-me em elucubrações sobre o seu sentido ou sobre o seu fim. Não, também não. Seria maçador e os nossos leitores já têm maçadas que cheguem.
Em desespero podia falar do Luís Delegado mas, o companheiro patrick podia estar outrossim sem assunto e se assim fosse não deixaria de recorrer ao delegado de estimação.
Decidi arriscar uma receita.
Não a recita para a felicidade mas uma receita para a felicidade.
Ora aqui vai, tenham pois a gentileza de apontar,sim?

BRUSCHETTA COM AZEITONAS E ANCHOVAS
Ingredientes:
1 pão italiano,12 anchovas salgadas, 2 maços pequenos de rúcula, 1 xícara de azeitonas pretas picadas, 3 alhos-porro (só a parte branca, em fatias finas).
Azeite de oliva extra virgem, sal e pimenta-do-reino moída.
Modo de preparo:
Corte o pão em fatias de um centímetro e toste-as na grelha até dourar.Lave as anchovas em água fria, remova as espinhas e pique-as.Cubra cada fatia de pão com rúcula, algumas azeitonas, anéis de alho-porro e pedaços de anchovas, tempere com sal e pimenta, regue com azeite e sirva.
E que faça muito bom-proveito aos senhores.

Medíocre

Tem sido um espectáculo triste. Ainda há pouco tempo, Santana Lopes não passava de uma espécie de bobo da nossa pobre política, emérito animador de congressos adormecidos. Patrocinado pela dupla Barroso e Sampaio, alcandorou-se a lugares nunca imaginados. Mas seria ingenuidade minha atribuir este epifenómeno exclusivamente à irresponsabilidade do ex-primeiro-ministro e do actual Presidente da República.

A verdade é que, da insolência com que diz e desdiz, à falta de decoro pela sua evidente ignorância, passando pelos discursos sobre as perseguições de que se julga vítima, até à enésima variação sobre o “eu” e os “outros”, tudo em Santana Lopes é um espelho da nossa mediocridade. Não admira que haja tanta gente a reconhecer-se na criatura. Santana, como a maior parte dos portugueses, acha que a palavra “vale o que vale”, tem uma ambição muito além das suas capacidades, é ignorante e não tem vergonha de o ser, considera-se vítima de traições dos seus pares e usa uma linguagem simples, de metáforas e ironias rudimentares, centrada em si e no seu pequeno mundo de relações mesquinhas, onde tudo se resume a pequenos ganhos e perdas.

Portas é um populista ambicioso, mas intelectualmente capaz e politicamente competente. Sócrates é limitado e pouco culto, mas determinado, responsável e, acima de tudo, embaraçado pelas suas limitações (como a famosa entrevista ao Expresso demonstrou). Santana é um homem medíocre, pouco sério, tomado pela vertigem do poder. Nenhum político português representa tão bem a nossa faceta detestável. Não há outro que me provoque repugnância.

O insulto desceu a cidade

Já o Patrick fez referência ao fait-divers, coisa muito típica das esclarecedoras campanhas eleitorais. A fazer fé nos jornais, parece que foi ontem, em Águeda, que o distinto Ministro das Finanças e - para quem não saiba - meu consócio, resolveu classificar o bloco de extrema-esquerda de "neofascista de esquerda". Descontada a ignorância do epíteto aos olhos criteriosos da Ciência Política - que o fascismo está longe de ser de direita - o que releva é a vontade de insultar. Mais não seja porque ser comparado ao bloco é do mais rasca que eu tenho visto...

Quem tem medo de debates?

A questão do frente-a-frente entre Santana e Sócrates está a fazer correr muita tinta. Por que raio não quer Sócrates debater com Santana? Prefigurando-se o PS como a única alternativa de governo ao PSD, não seria expectável que Sócrates respondesse positivamente a todas as propostas de debate com o seu principal adversário, permitindo-nos perceber quão originais e distintas são as suas propostas de governo?
Pois bem, o mistério está desvendado. Ao que parece, a recusa prende-se, unicamente, com aspectos de natureza logística. Sócrates só aceita debater com Santana se acompanhado por António Vitorino. A ideia é que este sirva de ponto durante a contenda televisiva. A dificuldade reside em manter Vitorino dissimulado, fora do alcance das câmaras. Ainda que a baixa estatura do mesmo pudesse facilitar a tarefa, a verdade é que Vitorino recusa firmemente ficar escondido debaixo da mesa ao longo dos debates. No Rato estuda-se a alternativa do teleponto.


Nunca votaria nos Neo-Fascistas ou no PS




O líder dos Neo-Fascista bloquistas, como magistralmente acabam de ser baptizados pelo Dr. Bagão Félix, disse o seguinte a Portas no debate televisivo de ontem: “ Você não sabe o que é gerar uma vida. Não tem direito de decidir sobre o aborto”.
Antes, já havia dito, em parceria com José Sócrates: “ Um casal de pessoas do mesmo sexo numa relação amorosa estável não deve ser excluído da possibilidade de adoptar uma criança.”
Se outras razões não houvesse, estas, eram mais do que suficientes para que jamais a minha cruz se pudesse direccionar para o Bloco de Esquerda ou para o PS.

CineTeatro - I

O Pianista

Roman Polansky
Ano: 2002


CineTeatro é a 6ª rubrica do Senhora do Monte, que, como o próprio nome indica, versará sobre Cinema e Teatro.
Proponho que falemos de filmes, de realizadores, de actores, de teatro e de tudo o que envolve estas duas artes da representação.
Começo com o último filme que vi, neste caso, que revi.
O Pianista, baseado no livro com o mesmo título, de Wadyslaw Szpilman.
Trata-se de uma história sobre o Holocausto.
Questionarão:
Mais um filme sobre o Holocausto?
Eu respondo desde já que não!
Não se trata apenas de mais um!
É verdade que se trata de um tema abundante e exaustivamente explorado pela 7ª Arte e é, para mim, igualmente verdade que este género conheceu o seu ponto mais alto com o sublime A Vida é Bela - o filme da minha vida - aparecendo numa segunda linha A Lista de Schindler, mas este filme, merece também, um lugar de relevo nos filmes sobre esta temática.
O filme conta-nos a história de Szpilman, que sobreviveu à criação do gueto de Varsóvia, à guerra, à descriminação racial e a todos os horrores perpetrados contra os Judeus.
E não se trata de apenas mais um filme sobre o Holocausto, porque infelizmente, Polansky sofreu na pele e conviveu de perto com esses horrores.
Quando criança, em Cracóvia, assistiu à sua mãe ser levada para Auschwitz sem bilhete de volta.
Existe, de resto, uma cena no filme, a agressão ao pai de Szpilman numa rua por um nazi, que é inspirada numa situação idêntica que aconteceu ao pai do Realizador.
Polansky consegue oferecer a sua experiência pessoal ao filme, fazendo com que os cenários e todo o ambiente sejam extremamente fidedignos, o que confere um grande realismo a toda a trama.
Assistimos no filme a várias cenas marcantes, mas uma delas é altamente tocante e comovente: o desmembramento e separação da sua família, que causa um efeito dúbio em Szpilman: a felicidade de viver e a infelicidade de perder os familiares.
Destacaria ainda a soberba Fotografia , especialmente a das cenas que mostram Varsóvia totalmente destruída e a excelente interpretação de Brody, que, de resto, lhe rendeu uma estatueta.
No entanto, a cena que acho mais tocante e que nos deixa arrepiados, a cena, que só por si, justifica o visionamento do filme, é aquela em que Szpilman toca Chopin – neste caso sem os célebres violinos - para o Oficial Alemão.
Fantástico!
Em suma, O Pianista é um filme que trata de valores e da ausência deles, que oferece um retrato imponente e comovente sobre a dignidade humana e mostra de forma chocante até que limiar esta disposto o ser humano a baixar para assegurar a sobrevivência.
O filme carrega ainda mais uma curiosidade:
Na minha opinião é complementar de A Lista de Schindler, isto é, neste o protagonista é um alemão - bem sei que o seu braço direito é Judeu, interpretação notável de Ben Kingsley, mas não é a mesma coisa - em O Pianista trata-se da visão de um Judeu, que sofreu com a perseguição anti-semita.
Portanto são pontos de vista opostos, que se completam.
Eu recomendo que se assista aos dois!

domingo, janeiro 23, 2005

Lembrete.

Para quem nunca sabe o que é o sistema cá vai uma dica:
Luís Tavares.
Árbitro assistente.
Ex-árbitro internacional.
árbitro assistente do jogo Benfica-Porto, na Luz, em que a baliza se mexeu não deixando entrar a bola.
Árbitro assistente que não viu, ainda há minutos, o cotovelo de Luís Fabiano na cara do jogador da U.D. Leiria.
Felizmente os senhores da UEFA e da FIFA têm melhores olhos do que o bom Luís Tavares...

Esta sim, é para cumprir.

José sócrates prometeu, entre muitas outras coisas, tirar da situação de pobreza em que se encontram 300 000 idosos.
Gostava de deixar aqui, público testemunho da fé que tenho no cumprimento desta promessa.
Perguntarão, e legitimamente diga-se, V. Exas. ,por que razão acredito eu no cumprimento das promessas de Sócrates, ou desta promessa em particular, pois é afinal disso que se trata.
Eu explico:
É que, neste caso, Sócrates conta com dois aliados de peso inestimável. Na verdade, se esta promessa vier a ser cumprida, como acredito (é sempre bom reforçar quando temos a certeza de que vamos estar certos), tal dever-se-á mais a estes dois aliados do que ao próprio Sócrates, aos méritos deste ou ao PS.
Eu acredito que em 2009 - era esta a data indicada pelo secretário-geral do PS - 300 000 idosos terão saído da situação de pobreza em que se encontram porque:

1 - O Serviço Nacional de Saúde existe.

2 - O tempo, e a sua marcha inexorável, também.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

O desmaio

Estão a ver a SIC?
Não?
Santana Lopes está a explicar por que razão correu tão mal o seu discurso de tomada de posse.
Diz Santana: "... não sei se sabem mas vi uma pessoa desmaiar na minha frente, eu pr´prio estive quase a desmaiar, senti-me fisicamente muito mal. Até mesmo o Senhor Presidente da República me disse depois que se sentiu muito mal, aliás estava branco..."
Pudera!
Não é caso para menos...
Até eu que nada tenho que ver com a festa, de cada vez que recordo o discurso, me sinto quase a desmaiar...

Benfica faz proposta por Stélio Lopes

Em desespero o Benfica acaba de fazer uma oferta de 5000 €, a pagar em 500 cheques mensais, de 10 € cada, pelo nosso companheiro Stélio Lopes.
Não aceitámos!
Depois do Máxi López e do Lizandro López, queriam os madraços virar-se para o nosso lado.
Levaram que contar!
E garantimos que o Stélio Lopespor estes valores, bem entendido! - continua a jogar aqui na casa.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Almeida Santos: O Legislador

Durante o meu curso de Direito, quando se falava no “espírito da lei”, ou no “legislador”, pensava sempre em Almeida Santos.
Muitas vezes, nas orais – nas aulas era difícil apanharem-me, a mim, e não só – referia-me ao legislador dizendo que “ o que o Dr. Almeida Santos queria dizer, era que…”.
Normalmente, os Professores achavam graça.
O ambiente desanuviava e era mais fácil a partir desse momento, debitar a minha pouca ou muita sapiência.
Pois é, sempre que estava em dificuldades, usava o pequeno truque - que sempre mantive pouco ou nada publicitado - do “ Legislador Almeida Santos”.
Com isso ganhava tempo para reflectir e em simultâneo garantia a eliminação dos sempre incómodos silêncios castigadores e reveladores de imperdoável ignorância.
Quer dizer, uma coisa é o aluno evidenciar a sua falta de conhecimentos sobre o questionado em silêncio absoluto, outra coisa, bem diferente, é ir pensando em respostas alternativas, enquanto entretém o Professor com larachas.
Por outro lado, a turba, sedenta de sangue, que normalmente assiste às orais, sempre goza o pagode e ajuda a suavizar a ignorância.
Quando necessitava mesmo de muito tempo para reflectir, voltava a valer-me do velho e companheiro Dr. Almeida Santos e contava uma piada que ouvi da boca do próprio: “ Um dia apanhou um táxi à porta da Assembleia e o “fogareiro” retorquiu-lhe: Boa tarde, somos colegas! Almeida Santos respondeu que devia haver engano uma vez que ele não era taxista. O esclarecido motorista disparou de pronto: Não! Não! Eu é que sou advogado.”
A coisa resultava sempre, cada Professor, normalmente após ouvir estas milagrosas palavras, ficava a debitar palavreado, em média, durante 5 minutos.
Falavam sobre o desemprego que assolava os licenciados em Direito, sobre as diferentes saídas profissionais e sobre o excesso de cursos jurídicos.
Ora isso, como é bom de ver, permitia-me reflectir e rebobinar mentalmente o que tinha estudado na véspera e normalmente encontrava a argumentação correcta para desmontar as questões tão argutamente colocadas pelos docentes.
Quando voltavam à carga, já estava aqui o discente armado até aos dentes para responder a tudo e acertar, invariavelmente, no 12 da ordem!
Almeida Santos, sem o saber, foi de uma importância transcendental para que eu pudesse concluir o cursito.
Almeida Santos merecia até que eu fosse militante do PS.
Mas as coisas são como são e nesse particular nada há a fazer!
Hoje, Almeida Santos concedeu esta entrevista ao DN.
Se não quiserem ler tudo, fiquem pelo título e por esta passagem:
“ Quando era ministro fazia os diplomas do meu ministério e os diplomas dos outros. Fazia muitos e fazia-os depressa. E, aparentemente, não fazia mal porque a maioria ainda está em vigor.”
Com a leitura da entrevista fiquei a saber que Mouzinho da Silveira também fez muitos diplomas, mas, limitou-se a copiar grande parte das leis francesas.
Portanto, não conta!
Esperei até hoje, mas a razão veio ao de cima!
O Homem é mesmo o Legislador!

E a Srª Nogueira Pinto, que fazia na fotografia???

O CDS apresentou o seu Governo-Sombra.
Confesso que não percebi o espalhafato.
É assim a modos que, o Moreirense apresentar a candidatura ao título, ou Tony Carreira ser candidato aos Grammy´s, ou ainda o Emplastro candidatar-se a apresentador do noticiário nocturno da TVI.
( Sou obrigado a admitir que esta terceira comparação não me parece assim tão surreal e descabida!)
Mas mereceu honras de Directo em todas as Estações de TV, e o resto é conversa!
Só gostava de perceber o que fazia lá a Zézinha?
Ou vi mal?

É preciso ter lata!

Portas agora que está de abalada vem propor listar as nomeações políticas na função pública.
Porque não o fez quando chegou ao poder?
Porque só o propõe na hora da saída?
Por um lado, para manter lá, a todo o custo, todos os acólitos e carreiristas que nos últimos anos disseminou por todo o aparelho de Estado; por outro, porque é um demagogo.
O Demagogo!

As fotografias da Senhora do Monte - IV

Para quem desconfiava que era como o Ieti, toda a gente acreditava que existia mas nunca ninguém o tinha visto...






º






Nuno Cardoso
Foto C.M.

Pois não, os portugueses não são burros.

Os Portugueses não são burros!

Diz o PS que o PSD mente ao país.
O PSD diz que o PS não está preparado para governar.
O PS diz que o PSD não tem uma ideia para Portugal.
O PSD diz que o PS não tem um rumo para o país.
O PS diz que o PSD tem memória curta.
O PSD diz que o PS não tem vergonha.
O PS atira com listas de recém nomeados e... escandaliza-se.
O PSD escandaliza-se e atira com listas de nomeados pelo PS.
O PS diz que o PSD maquilhou o défice.
O PSD diz que é o pai do défice a falar.
o PS diz que o PSD e o PSD diz que... o PS.

INTERVALO ( Durante esta pequena pausa poderemos assistir a um jogo de bowling, organizado pelo bloco de esquerda, em protesto quanto a tudo e um par de botas e ainda a 4543356546 propostas do PP relativas à moralização da actividade da classe política em geral e sobre a fragilidade dos telhados de vidro, em particular.)

O PSD diz que o PS não tem uma ideia nova.
O PS diz que o PSD mente ao país.
O PSD diz que o PS não está preparado para governar.
O PS diz que o PSD delapidou o património público.
O PSD diz que o PS deixou o país de tanga.
O PS diz que Durão Barroso deixou... o país.
O PSD diz que Guterres fugiu.
O PS diz que o PSD é trapalhão.
O PSD diz que o PS é mentiroso.
O PS diz que o PSD... e o PSD diz que o PS...

O País assiste.
No sofá da sala.
Depois da fila no IC 19 ou na circunvalação.
O País assiste, plácida, serena, ruminantemente.

Pois não, nós, os portugueses, não somos burros.

Somos vacas.


quarta-feira, janeiro 19, 2005

Mantorras e Carlos Fernandes



Adoro o FC Porto!
Não sou isento nesta matéria, mas gostava que soubessem que acho profundamente estúpidas e irracionais as pessoas que levam demasiado a sério o resultado de um jogo de futebol.
Quer dizer, se me fosse concedida a oportunidade de apitar um jogo do FC Porto, o famigerado Guímaro iria parecer um menino de coro.
As bolas avolumar-se-iam dentro da baliza do infeliz adversário e até a golos marcados com a mão faria "vista grossa".
No entanto, quando o meu clube perde fico chateado, mas passados 10 minutos, não mais, já passou.
As opiniões que emito sobre os clubes adversários do meu, que na prática são todos, excepto o Belenenses, são quase sempre baseadas na ironia ou no sarcasmo e quando sou capaz, no humor atrevido, mas inocente.
Serve este intróito para falar do que representou para mim, enquanto amante do futebol-espectáculo o golo de Mantorras no último fim de semana.
Existem em Portugal, por grosso, uma mão cheia de jogadores que me entusiasmam.
Curiosamente dois deles foram os intervenientes principais no golo de Mantorras.
Primeiro vamos a
Mantorras:
Eu queria que ele equipasse de azul e branco, no entanto, trata-se de um jogador supra- clube, isto é, mesmo jogando no principal rival do meu clube entusiasmo-me com o seu futebol e levanto-me da cadeira.
Há jogadores assim, estão acima dos clubes.
Mantorras é um sobre-dotado, tendo herdado o melhor do instinto e da magia de Matateu e Eusébio.
É uma pérola!
Tem magia e um remate pouco menos que poderoso.
Para além disso, sei que é um ser humano de grande dignidade e bondade, optimista, voluntarioso, que foi capaz de atravessar um calvário arrepiante.
No golo de domingo está lá tudo:
Primeiro,
com o braço levantado, leitura perfeita, indica o caminho a Simão; assistimos ao arranque, à força, à potência, a um boavisteiro, coitado, impotente, a ficar a léguas.
Depois, a classe, cabeça levantada, felino, ágil, a galope, ignorando a pressão do defesa e o gigante Carlos.
A seguir, o instinto, nada mais lhe interessa só a baliza; pontapé tipo raquete, cruzado, rasteiro, com o alvo fixado, golo, golão!
Por fim, a dignidade, o gesto, a corrida por entre tudo e todos, para o abraço ao inseparável companheiro de calvário, Rodolfo Moura.
No mesmo lance, do outro lado da barricada esteve Carlos Fernandes.
E perguntarão vosselências:
Quem é Carlos Fernandes?
Começa também por ser um homem bom!
E isso já não é pouco!
Conheci-o há quatro anos, quando estava perdido para o futebol.
Fui resgatá-lo a Campo Maior, no rescaldo da desistência da família Nabeiro pelo projecto do futebol profissional.
Tivemos, eu e ele, que aturar um inenarrável Morcela, a quem de resto, já previamente o esclarecido Vítor Baía havia tratado da saúde.
Trouxe-o para o Amora e disse-lhe que dentro de 3 anos iria ser o Guarda-redes titular da selecção nacional portuguesa!
No Amora, só o Presidente José Mendes, honra lhe seja feita, acreditou nesse ousado vaticínio.
Do Amora, seguiu para Felgueiras - a terra dos meus avós -, daí para o Bessa.
Lá chegado, tratou de encostar às boxes os consagrados William e Khadim.
Agora, Agostinho Oliveira olhou para ele com olhos de ver e convocou-o para a Selecção B.
Está de parabéns o Carlos!
Digo mais, seria um verdadeiro desperdício caso se tivesse perdido para o futebol.
Se tudo correr dentro do normal, mais dia menos dia, a nossa profecia vai concretizar-se e Scolari vai chamá-lo.
Nesse dia havemos de abrir os dois uma garrafa de champagne!
Até lá, obrigado, por teres deixado o Mantorras marcar aquele golo.
Até nisso foste grande, afinal já estava 3-0!
E o FC Porto que abra os olhos!

"Pormaiores"

No último programa do Herman, Pinto da Costa no final declamou um poema e dedicou-o a Marco Caneira.
O atleta nunca jogou no FC Porto!
Perguntem a Caneira o que esse gesto lhe disse.
E depois perguntem a um familiar de Cavém sobre a ausência de L.F.Vieira no respectivo enterro.
Só vi Ferreira Fernandes, acertadamente, chamar a atenção para isto, todos os outros comentadores zurziram em Herman, que segundo esses especialistas, terá “engraxado” o Presidente azul e branco durante todo o santo programa.
Eu cá, digo que a atitude dos dois Presidentes nestes casos concretos parecem pormenores, mas na realidade são “pormaiores”!

terça-feira, janeiro 18, 2005

As fotografias da Senhora do Monte - III

Fotográfo de Moda com a modelo Tanya
Nápoles, Itália, 1989

Ferdinando Scianna

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Trapalhadas políticas

Jorge Coelho está de volta, no seu melhor, garantindo o lugar de guarda-costas do PS (quem se mete com o PS leva!). Igual a si próprio, retoma o estilo do político pauliteiro ao afirmar - em defesa de Sócrates e num claro exemplo daquilo que não é o debate político sério que todos queremos -, que “todos os portugueses sabem que ele (Santana Lopes) é o rei das trapalhadas”.

Por oposição, Sócrates não se atrapalha. Contido na palavra, gere bem a comunicação e resiste à tentação da promessa fácil. Estrategicamente, penso, definiu dois momentos para gestão de promessas eleitorais. Um primeiro, dedicado única e exclusivamente a prometer: promete o fim do desemprego, promete o crescimento económico, promete o aumento das pensões; promete um choque tecnológico. É o momento actual.

O segundo momento, o momento dedicado à explicação de como se concretizarão as promessas feitas, não tem data marcada. Acontecerá oportunamente. Mas apenas e na medida em que os portugueses o desejem.

Já agora, Eng. José Sócrates, uma questão que me inquieta: a redução do IVA das fraldas para 5% é para manter em vigor?

A Comissão Europeia diz que não. O Dr. Bagão diz que sim. A minha filha não tem opinião. Que nos diz, Eng. Sócrates?

Books - II

Amigo, in No Reino da Dinamarca

Alexandre O´Neill

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Este poema é dedicado ao Mário Antunes Varela, meu amigo, meu irmão, que hoje completa mais um ano de vida.
E mais não digo que seria uma falta de respeito para com O´Neill, poeta maior entre os poetas.
Recebe um forte abraço e votos de muitos anos de vida.

domingo, janeiro 16, 2005

Aguiar Branco: grande futuro, mas ainda muita inabilidade política!

Aguiar Branco, é um brilhante advogado portuense, que foi dos pouquíssimos membros do actual elenco governativo, que aparentemente conseguiu o feito ímpar de não sair esturricado da sua empreitada de 4 mêses.
Diria até, que juntamente com António Mexia, surgiu como uma lufada de ar fresco no Partido e no País.
Servem ambos de exemplo acabado, para quem ainda tinha dúvidas, de que pessoas com provas dadas na Sociedade Civil, com percursos profissionais de sucesso, - neste caso, um como advogado e outro como empresário – com currícululo, que se podem dar ao luxo de não viver da gamela do poder, existem por aí e se entenderem enveredar pela vida política activa, são capazes de servir o país com seriedade e honradez e não servirem-se do país, alimentando-se do aparelho de Estado.
Aguiar Branco, apesar do pouco tempo que teve, deixou uma imagem de rigor, de ser alheio a pressões, de seriedade e de capacidade empreendedora e de decisão, de resto, o mesmo se aplicando a Mexia.
Acontece que Aguiar Branco por manifesta inabilidade política, só a isso posso atribuir a desastrosa entrevista que hoje concedeu ao Expresso, deu vários passos atrás na sua afirmação perante o Partido e o País, pelo menos do meu ponto de vista.
Quer dizer, a entrevista não estava a correr mal, até ao momento em que as astutas jornalistas do semanário, lhe estenderam uma passadeira vermelha à frente e o questionaram, primeiro sobre se perdendo o PSD as eleições a liderança de Santana ficava em causa e depois perante a sua errática resposta, questionaram-no sobre as hipóteses de Marcelo e Rio numa hipotética sucessão.
Aqui, Aguiar Branco, de forma completamente inábil, qual Carlos Sousa no Dakar, acelerou a toda a velocidade, começando a disparar nomes para a corrida: Marques Mendes, Dias Loureiro… e depois a cereja em cima do bolo, perguntou às jornalistas: e porque não eu?
Caro Aguiar Branco,
O meu amigo, tem de facto qualidades indiscutíveis, mas precisa de ter bom-senso e sentido de oportunidade, que eram predicados que até aqui vinha exibindo.
E não se esqueça, porque como homem de bem que é sabe disso, que a lealdade é uma qualidade indispensável quer na vida , quer na política.
Queira fazer o favor de aceitar este conselho, deste modesto bloguista que o admira.
Entretanto, Mexia, calado que nem um rato, já está lá parado na pole-position.
É só o Prof. Marcelo hesitar e vão ver!
Mas isto somos nós a falar e nós não somos o nº1 do PSD, liderado por Santana, pelo Círculo Eleitoral do Porto!

Piçarreira e Pissareira: ou todos diferentes e todos iguais!

Ao que parece o verdadeiro artista é o da SIC.
O da TVI era uma farsa.
Porque será que não fico espantado que o falso seja o da TVI?
Bom, peço desculpa, isto era só um fait-divers.
Continuando…
A verdadeira conclusão a tirar desta história é que a clonagem anda mesmo aí em força, não é que depois do Mário ter descoberto aqui o Sócrates e o tal do Pereira, agora são as estações de televisão que apanham em flagrante os dois Piçarreiras.
E ou me engano muito ou a TVI ainda vai voltar à carga com mais Pissarreiras!
É disso que a Manela gosta!

Péssima decisão de Sharon

Eu, apesar de optimista por natureza, adverti para isto, no dia 12 de Novembro de 2004.
Agora Sharon cortou relações com Abbas, depois de 6 israelitas terem ido pelos ares no ponto de passagem entre a Faixa de Gaza e Israel.
O atentado terá sido lançado de uma base da Autoridade Palestiniana e os responsáveis terão sido a Jihad Islâmica.
A verdade é que penso que Abbas não tem qualquer responsabilidade no que se passou.
Abbas precisa de tempo para impor a paz ao seu povo, o cessar-fogo aos activistas e responsabilizar o Hamas, incorporando os seus membros no processo governativo, o que fará com que a Jihad Islâmica os siga também.
Com esta decisão, Sharon demonstra não ter confiança em Abbas e isso é deitar toda a esperança por terra.
É ficar a ver-se a Paz por um canudo!
E para agravar a situação, parece que Sharon já deu a ordem ao Exército israelita que conduz tudo à estaca zero: lançar ataques assassinos selectivos na Faixa de Gaza.
Afinal, infelizmente, o entrave não era apenas Arafat!

sábado, janeiro 15, 2005

Harry, The Nazy

A uma semana do Dia da Memória pelo Holocausto, que este ano comemorará os 60 anos de libertação de Auschwitz, Harry envergonhou a Família Real Britânica e indignou todas as pessoas decentes do planeta.
Trata-se do terceiro herdeiro directo na linha do trono e por isso o seu comportamento é intolerável.
Pela juventude, talvez lhe faça bem seguir incluído na comitiva que o Centro Judaico Simon Wiesenthal vai levar ao Campo de Concentração, como sugeriu o Rabi Haier.
No entanto, enquanto o Partido Conservador reagiu com firmeza e total repúdio ao comportamento do Príncipe, 58% dos britânicos auscultados numa sondagem entende que o comportamento do Príncipe foi inofensivo.
Serve este lamentável episódio e a sondagem, para recordar Edmund Burke: “ Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados”.

E as rolhas...

Acordei, tarde, com uma peça sobre o discurso de S. Exa o Senhor Presidente da República, na popular República da China.
Em inglês, como deve ser, Sampaio dizia de Portugal que é um país com excelentes praias, óptimos campos de golf e vinhos fantásticos.
E é bem verdade. As praias são excelentes, os campos de golf óptimos e os vinhos fantásticos, mas Portugal não se limita a praias, campos de golf e vinhos.
Não se lembram do Herman com piada? Do Herman de há dez anos?
Pois é, temos também a cortiça, o calçado, o fado, as rolhas, os sapatos, o fado, os isolamentos de cortiça, as botas, o fado, as sandálias, o fado...
Como se pode ver é redutora a visão que Sampaio tem do país.
Ah! e quase me esquecia do fado, também temos o fado...
e as rolhas... já disse as rolhas?
Pois, se calhar já... bom, mas mesmo sem ser as rolhas temos os sapatos, o fado...