Senhora do Monte

segunda-feira, dezembro 13, 2004

O onanismo plumitivo, o Patrick, o Lopes, o Guedes, o Luís

Cumpre agora dedicar umas linhas aos motivos pelos quais aceitei o repto do Patrick e, resolvidos que estão alguns problemas de analfabetismo funcional aplicado à informática, resolvi juntar-me ao "Da Senhora do Monte".
Era aliciante. Possibilitava o convívio, a reflexão e a troca de ideias com pessoas de quem gosto e que muito considero; possibilitava o conhecimento de pessoas e ideias novas; cumpria a função de nos responsabilizar pelo que dizemos a dado momento, se bem que a teoria da mudança de opinião por questões evolutivas, foi ganhando espaço à medida que o "O Independente" ia perdendo leitores e directores...
Ganhava ainda a possibilidade de ter os meus pensamentos organizados e coligidos e de me poder rir com eles ou fazer rir os meus companheiros de blog.
Por outro lado era um risco enorme. Enorme. Muito, muito grande. Podia perder o respeito e consideração que por mim vão tendo algumas das pessoas de quem gosto. Falia a velha máxima de Lincoln segundo a qual: "Mais vale ficar calado e passar por tolo do que falar e desfazer a dúvida".
Tinha que passar a ser menos afirmativo, menos categórico, tinha que aprender que se um dia alguém escreve que Cavaco arranja a sanitas e uns lavatórios à conta do cidadão contribuinte, uns anitos depois, por força da tal questão evolutiva, pode por exemplo ter que escrever que o Professor foi, isso sim, exemplo de seriedade, rectidão e honradez o que, atenta a realidade o transforma no reserva moral da nação.
Tinha que aprender que as coisas mudam, evoluem, que as pessoas outrossim e, portanto, que valia a pena dizer umas coisas mas com calma, com ponderação, com menos paixão e menos risco de erro, de injustiça. Com menos risco de confessar enganos e rogar desculpas.
Tudo isto foi pensado, medido, avaliado pelo menos durante três longos minutos. A verdade porém é que não podia deixar de aceitar o desafio por duas ordens de razões:
1º Está cá o Patrick, está cá o Lopes, está cá o Guedes, está cá o Luís. Tinha saudades deles, de falar com eles, de estar com eles. Assim terei um pouco menos.
2º Aqui devia falar de partilha. De partilha de ideias, pensamentos e emoções. De contribuir para uma sociedade melhor, mais justa, mais fraterna. Devia falar de participação da sociedade cívil e da expulsão da má pela boa moeda...
A verdade, a verdadinha nua e crua é que, em 2º lugar, aceitei porque escrever me dá gozo, porque gosto de escrever e de ler o que escrevi e porque gozo o gozo que isso me dá. Que gosto de reler e de corrigir, de acrescentar e de criticar, de me babar quando é caso disso e de me envergonhar. De ser elogiado ou criticado pelo que escrevi, pelo modo como escrevi, pelo que não escrevi.
No fundo é mesmo uma questão de umbigo e de prazer. De excitação e de escrita.
No fundo é um vício
Um onanismo plumitivo...
E porque cá está o Patrick, O Lopes, O Guedes, o Luís
Até mais logo