Senhora do Monte

domingo, dezembro 26, 2004

E o Natal é:

Degustava o país a ceia do dia de Natal, ainda na ressaca dos exageros da noite da consoada e aparece na televisão o dr. Santana Lopes para, simpaticamente diga-se, transmitir ao povo desejos de festas felizes.
Um ambiente acolhedor, um primeiro-ministro descontraído e, por detrás deste, uma lareira crepitante onde ardia um senhor que fazia em simultâneo a tradução das palavras do Dr. Marcelo Caetano. Oppsss!
Dizia, a tradução das palavras do dr. Santana Lopes para linguagem gestual.
Acabou a comunicação e ficou o país a saber que afinal o Natal é perdoar a quem nos fez mal e querer a felicidade de quem não quer a nossa. Ficou o país a saber que por mais pontapés que leve o bebé, por mais danificada que fique a incubadora, a capacidade de perdoar é maior e que isso é Natal.
Por outro lado, José Sócrates, a quem muitos vaticinam um futuro de primeiro-ministro, que atingirá em Fevereiro bastando para tal que fique mudo e quedo, resolveu desdenhar do conselho, por certo bem intencionado, e falar. E sobre que falou o engenheiro Sócrates? Sobre as diatribes de Santana e Portas? Sobre o défice? Sobre as desgraças dos trabalhadores da CGD? Sobre a segurança nas estradas nesta quadra que se quer de alegria? Do Natal? Não! Falou de tratamento de lixos, de co-incineração?! Como se vê tema pacífico, desprovido de controvérsia, pouco dado a discussões de muita paixão e pouca razão e, aliás, um tema onde o PS saiu em grande do governo.
É um homem sem medo? Sincero? Que quer falar frontalmente dos problemas e resolver o que houver a resolver sem, como o próprio diz, agradar a todos? Pois parece que acham que sim... Mas, e ganhar as eleições não quer? Quer? Então por que raio fala Santo Deus?
E, ao que parece, é isto o Natal. De um lado neva, do outro faz frio...
Quem nasceu? Sei lá quem nasceu... Não me digam que vêm falar outra vez do bebé e da incubadora?!