Senhora do Monte

quarta-feira, dezembro 29, 2004

Chegou o Lopes

Há duas entradas atrás, tomaram contacto com o Stélio todos quantos fazem o favor de por aqui passar regularmente. E sendo assim, eu não podia deixar de escrever o que segue: aqui há anos, entendeu o destino que a minha vida se cruzasse com a do personagem em causa, mais o Patrick, o Antunes Varela, o comentador Jordão e outros ossos duros de roer. Como estas coisas não terão nada que saber, estava encontrado o caldo de cultura necessário para que nada mais fosse como dantes no estabelecimento de ensino superior que nos acolhia e, a dada altura - diga-se que muito pouco tempo depois de termos aterrado em Santa Marta - resolvemos conquistar a Associação Académica, instituição mais aprazível do que as aulas que era suposto contarem com a nossa presença. A tarefa não foi fácil, mas como estávamos mesmo para ali virados não havia mulher do Relvas que nos fizesse frente. E assim foi. Apesar de nos roubarem consecutivamente papelinhos em determinadas instalações da universidade - mais ou menos como na Ucrânia - a lista U arrebatou a coisa e entre outros feitos - que eu escrevo para a minha gente - o jornal da associação passou a citar Pierre Drieu la Rochelle, um rapazito simpático que havia caído nas graças do director do jornal, o célebre comentador Rui Pereira - ele mesmo - para quem siga a blogosfera há mais tempo.
Dito isto, vamos ao Lopes. Em vésperas de campanha, a coisa parecia o conto da cigarra e da formiga. Todo o reviralho estava já com tudo impresso quando entendíamos, invariavelmente lá pelas três da manhã, que nada havia do nosso lado para oferecer aos caloiros... E era aí que também entrava o Stélio: nas reuniões preparatórias das campanhas, o moço tinha ideias de génio. Ele lembrava-se de estampar sweat-shirts com os nossos bonecos para que a coisa se parecesse com um uniforme, organizava sessões de distribuição de vinho tinto e broa no pós-laboral e, mais importante, era juntamente com este que vos escreve o homem do programa eleitoral. Atenção que pela primeira e última vez vou dizer publicamente como eram elaboradas as propostas. Nessa época, residia o Patrick num piolhoso apartamento junto ao Elevador da Bica, onde se reuniam os conjurados, com patrocínio da Sagres ou da Super Bock o que, como é compreensível, já não recordo com precisão. Entre a uma e as seis da manhã, aquela malta falava muito e decidia nada. Calculem que se davam ao trabalho de ajuizar do bom senso das propostas ou da possibilidade das cumprir...!!! Como é evidente, a vitória eleitoral ficou a dever-se às seis da matina. Invariavelmente, a essa hora, os conjurados adormeciam e só dois finos estrategas resistiam ao cansaço da noite: eu e o Lopes. E aí sim; na paz do Senhor, cada qual com sua lata na mão, elaborávamos programa eleitoral imbatível, escolhendo ainda umas frases do Kennedy para entusiasmar a malta - e não digam mal que depois de eleitos o que o Rui Pereira publicou não foi isso. É esta e mais nenhuma a verdadeira história da nossa enormíssima vitória eleitoral. E é de bom tom dizer que sem o Stélio não teria havido tão ambicioso programa. Porque também eu teria provavelmente adormecido...