Arsenal da Baixa - 2º Jogo
O IIIº Torneio da Ordem dos Advogados é disputado por 16 equipas, que se encontram divididas em 4 grupos de 4 equipas cada. Serão apuradas as duas primeiras de cada grupo e, apartir daí, teremos, salvo seja: Quartos de Final, Meias Finais e Final.
E digo, salvo seja, porque não era relevante esta informação prévia. É que deste Arsenal da Baixa, por certo, não rezará a história de fases tão adiantadas da competição.
No entanto, a verdade, é que nesta altura podemos alimentar de pleno direito o sonho de marcar presença nos Quartos de Final.
Para tanto, estamos obrigados a ganhar o 3º e último jogo desta fase de grupos.
Será uma missão impossível?
Será necessário um esforço hercúleo?
Teremos capacidade e experiência suficientes para perdermos?
A resposta é a mesma para as três questões: Sim!
Passado este intróito, é necessário explicar porque é que temos possibilidades de chegar aos Quartos. Quartos? A língua portuguesa...
A explicação passa pela crónica do nosso 2º jogo, disputado sábado passado, ás 11 da manhã. De resto, hora imprópria e madrugadora.
O adversário respondia pelo pomposo nome de Simões & Correia e Associados.
Como o próprio nome indica eram muitos. E não contentes com isso, eram altos, magros e corriam demasiado atendendo ás nossas parcas condições.
Antes do jogo, um colega mais novo que se me dirigiu e se apresentou como sendo o defesa-direito do adversário, perguntou-me se eu era do Arsenal da Baixa. Respondi-lhe humildemente que: "eu era o Arsenal da Baixa". Ele riu-se e afirmou: "pois! nós assistimos ao vosso primeiro jogo e via-se isso claramente".
Por consideração aos meus colegas de equipa, fechei-me em copas e não disse nada no balneário.
Mas palavra, puxa palavra, e o colega explicou-me porque estavam inscritos no torneio.
Tudo não passara de um equívoco.
Um belo dia, o velho e douto Correia chamou ao seu gabinete um pobre estagiário e ordenou-lhe que inscrevesse a malta mais nova do escritório, nas Jornadas de Formação da OA, subordinadas ao tema: "IIIº Encontro de Agentes do Direito Desportivo: sua influência no fenómeno futebolístico actual". O insano rapaz, confundiu tudo e inscreveu a malta no IIIº Torneio de Futebol da OA.
Como entretanto já tinham pago a massa da inscrição - a Ordem não brinca em serviço e limpou 500 eurinhos a cada time - lá se organizaram e ali estavam, apesar de ser a primeira vez que todos, sem excepção, entravam num recinto desportivo. Até reforçou: " nem mesmo como assistentes!"
No 1º jogo, contra o nosso próximo e decisivo adversário, já tinham deixado uma imagem próxima do seu real valor, tendo perdido apenas por 6-0.
Sábado, superaram todas as expectativas menos optimistas que rodeavam a sua participação na competição.
O jogo, propriamente dito, começou de forma caricata, o meu compadre com a sagacidade que se lhe reconhece ainda antes do apito inicial conseguiu deixar o nosso adversário em inferioridade numérica. Para tal, chamou a atenção do árbitro para a circunstância de um adversário se aprestar para andar a correr atrás da redondinha de óculos.
O rapaz bem disse que sem o apêndice não conseguia ver um palmo à frente do nariz, mas o juíz, não vacilou: " tire e é já!".
E assim começou o pleito: 5 contra 4, mais um gajo com 4 dioptrias em cada vista.
Percebemos que os suplentes deviam ser jeitosos, porque o adversário preferiu ficar com um vesgo em campo do que substituí-lo.
No entanto, devo confessar que aqui o rapaz, andou todo o jogo a fugir dele, porque o gajo acertava em tudo o que mexia, quase que jurava que o vi a tentar acertar na própria sombra. Mas não tenho a certeza absoluta.
Até ao intervalo, correu tudo dentro da normalidade, isto é, nós não jogamos absolutamente nada. Foi como se não estivessemos lá. Havia malta, incluindo aqui o rapaz, que estava literalmente a dormir em pé. Entretanto, os gajos corriam e chocavam furiosamente uns contra os outros. Pareciam carrinhos de choque. Ao intervalo perdiamos por 1-0.
A pausa fez-nos bem.
Aqui o rapaz teve uma discussão acessa com o Jordão, em que de facto, o "rasgou todo", tendo posto em causa a sua honra, ofendendo-o gravemente na sua dignidade de praticante desportivo. Teve para com ele palavras muito duras, que por educação não se reproduzem aqui.
O efeito foi o esperado - aqui o rapaz, sabe umas coisitas sobre a psicologia humana - e o meu compadre agigantou-se e fez uma 2ª parte de luxo.
Pois bem, juro que o que vou escrever a seguir é verdade: ganhámos 6-3.
Passemos à análise individual:
Marcelino: desta vez o ponto mais alto da sua exibição não foi no balneário. Desta vez, foi na fase de aquecimento. Tinha na mão direita a crónica do 1º jogo, que ainda não havia lido e não conseguia parar de rir. Aliás não foi fácil começar o jogo porque se recusava a largar as folhas. Estamos muito esperançados que no próximo jogo, o ponto mais alto da sua exibição passe para o período de jogo.
Júlio: na 2º parte o jogo deu para tudo, inclusivé para o nosso esforçado defesa, a poucos dias de completar 22 anos de prática futebolística empenhada, digna e regular ter marcado o 1º golo da sua carreira. Apareceu muito bem, a cerca de 10 centimetros da linha de golo a empurrar uma bola para a baliza. Teria sido um dia inolvidável para ele, caso não se tivesse entusiasmado e tivesse feito logo a seguir o 2º e o 3º golo do adversário, através de dois desvios traiçoeiros para o nosso Marcelino. Ainda assim: Parabéns, Júlio!
Artur: parecia outro. Apareceu completamente transfigurado, tendo muito provavelmente realizado a melhor exibição da sua carreira.
Jordão: do alto dos seus 164 centimetros e da imponência dos seus 80 quilos, deu cabo do adversário na 2º parte. Esfrangalhou-o. À imagem do Júlio, fez também um hat-trick, com a diferença do seu ter sido conseguido na integra, na baliza do adversário.
Fernando: entrou quando faltavam 4 minutos para terminar o tempo regulamentar. O árbitro apitou de imediato para o fim da partida. Mais tarde explicou que se tratou de uma medida profilática e pedagógica de protecção do futuro da modalidade , uma vez que se encontravam cerca de 20 jovens na bancada.
Adérito: jogou cerca de 10 minutos a todo o gáz. De registar um passe notável que realizou na 2ª parte só entendível pelos verdadeiros experts do futebol.
O escriba: Pois é! Aqui o rapaz, fez um golão e as assistências para os restantes. Palavras para quê?
Até à próxima!


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