Senhora do Monte

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Acredite que é verdade

O Da Senhora do Monte quer que nos prove que Dulce Ferreira não é um subproduto do nosso imaginário colectivo.
Investigue, vasculhe, pergunte, cusque, prove que a estúpida do ano é nossa.
Devolva o orgulho aos portugueses e traga-nos a Dulce.
Descubra-a para a blogosfera e ganhe uma viagem a Londres.

Não, não estamos a brincar!
Queremos que o país conheça a Dulce!
Queremos que o seu vá a seu dono e que a Dulce, depois das merecidas férias e da visita ao "natural" que tanto a entusiasmou, receba o aplauso de um país rendido ao seu encanto.

Prove-nos, pois, que a Dulce é de carne e osso, que tem uma casa, que vota e paga impostos, que anda de carro ou de metro, que tem um telefone e um namorado.

Esqueçam a do namorado, basta-nos o e-mail.


UMA VIAGEM A LONDRES, paga pelo Da Senhora do Monte, em troca da prova de que a estúpida do ano é nossa e só nossa.

Bom ano a todos e até 2005

Está chegando a hora...

Enquanto espera, aproveite para ver como a estúpida do ano se tornou, num repente, património de todos nós.
Pois é verdade, não é só no Da Senhora do Monte, é aqui ou aqui.
E já agora dê também uma vista de olhos aqui e veja como a doença de Dulce Ferreira é contagiosa...

Não resisto!
Não fossem V. Exas. ignorar a minha bem-intencionada sugestão e não visitar as páginas linkadas, aqui fica um excerto, só para abrir o apetite.

"Acusa-la de insensibilidade por ir de férias para a Tailândia num local longe do maremoto é o mesmo que acusar alguém de insensibilidade por ir de férias para a Serra da Estrêla..."

"A atitude da Dulce até é de louvar pois a Tailândia está a entrar numa grave crise económica devido a esta catástrofe e precisa de quem a apoie."

"Ir agora de férias para a Tailândia é muito mais louvavel do que ir de férias para as Canárias, por exemplo.Eu não vou de férias agora, mas se fosse preferia ir para a Tailândia ou para o Sri Lanka apoiar as economias locais com os Euros que lá iria deixar do que ir de férias para as Canárias, apoiando a economia espanhola como se não bastasse os recursos que os espanhóis nos chupam todos os dias!"

"Coragem Dulce, tens (pelo menos) o meu apoio"

Esta verdadeira pérola encontra-se numa outra pérola, um blog chamado CABALAS.
Nisto estamos de acordo... lá que é uma cabala, é. Tanta estupidez de uma vez só não surgia de forma espontânea...
Não há nada como investigar, a estupidez da estúpida é afinal uma cabala...

Velhos hábitos

No final do ano velho é tradição atirar pela janela as coisas velhas que já não nos são úteis, o lixo, aquilo que é mau e já não presta ou que nunca prestou.
Aqui no Blog gostamos de cumprir as tradições.
Leiam pois ainda este ano, para esquecerem no próximo, o que se diz por essa net afora do inefável embaixador Pimentel:
This man's name is Antonio Lima Pimentel. Some say he is still the portuguese ambassador in Thailand. When the Tsunami tragedy happened, last sunday, he was in Portugal foi the holiday season. Maybe the first time we really needed the man, he wasn't where he should be... The tv news crews from our country were at the scene imediatly since monday, because there were hundreds of our fellow citizens needing help. And what did this gentleman do? He stayed at home, pretending it was none of his business. The portuguese people were desesperate in Thailand, with nowhere to turn to, with no support. No money, no documents. Mr. Pimentel, a liar that said to the press that he wasnt really on vacation, finally arrived on the scene thursday evening, when most of the portuguese people had already returned, thanks to the help of the officials of other European Union countries. We are ashamed of this behaviour and of our government actions. Lets hope some initiatives that are happening in Portugal, to help the victims, can make some difference.
E, querendo, podem sempre ver a tromba do inefável Pimentel aqui, mas cuidado, pode ser altamente contagioso.

Já falta pouco

Para si que nos lê e que está farto de estar em baixo.
Para si que, como bom português, até já se habituou a estar atrás de todos e de tudo.
Para quem a expressão "na cauda da Europa" é apenas uma verdade incontornável.
Para si que paga mais impostos que todos os cidadãos dos outros países da UE.
Sim, também para si que paga a gasolina mais cara, os medicamentos mais caros, que tem o pior sistema de saúde e de ensino.
Para si que sonhava ser campeão europeu e perdeu com os gregos, o Da Senhora do Monte oferece a oportunuidade única de mostrar ao país, à Europa e ao mundo que, finalmente, temos algo ou alguém que pode alcandorar-se aos lugares de topo, aos melhores dos melhores, deixando todos os outros a léguas, sem pedir meças a ninguém...
Não se vá embora, não deixe de espreitar o Da Senhora do Monte mais próximo do novo ano. Garantimos que não se vai arrepender.

Uma proposta para começar 2005 da melhor maneira

Unicef "Crianças da Ásia"
Caixa Geral de Depósitos
NIB: 003501270002824123054

Médicos do Mundo
Caixa Geral de Depósitos
NIB: 003505510000772213032

AMI
Banco Espírito Santo
NIB 000700150040000000672

Caritas Portuguesa
Caixa Geral de Depósitos
NIB: 003506970063091793082

CNIS - Instituições de Solidariedade Social
Montepio Geral
NIB: 003600939910006779710

Cruz Vermelha Portuguesa
Banco BPI
NIB: 001000001372227000970
Conta nº: 1-1372227000009

Day after

No PSD já se começa a preparar o 21 de Fevereiro.
Marcelo avançara, Borges tratará das Finanças.
Será criado um Governo-Sombra!
Os socialistas governarão com um acordo de incidência parlamentar à esquerda.
Serão rigorosamente vigiados.
Cavaco avançara e vai ser o próximo Presidente da República.
Começa a cheirar ao tal grito de revolta que eu aqui pedi várias vezes!
Viva 2005!

Bolo-Rei e Caralhotas

Se há não mais de dez minutos não estava a ver televisão perdeu a hipótese única de aprender a fazer bolo-rei. Rob Hudson de seu nome, brasileiro de nacionalidade, ensinou pois a fazer bolo-rei indicando ingredientes e quantidades, da farinha ao leite, do sal aos frutos secos, nozes, pinhões, cajus... Cajus? No bolo-rei? Sim, cajus... o que é que tem juntar cajus ao bolo-rei? Para mais, esta devia ser, com toda a certeza, a receita especial do brasileiro Rob Hudson. Depois dos frutos secos passou para a fruta cristalizada, e aqui, bom, aqui, confesso, temi o pior e comecei a suar diante da ideia de um bolo-rei coberto de manga, papaia, acerola, cajá e outras que tais. No entanto foi falso alarme, e Rob Hudson passou pela fruta cristalizada como cão por vinha vindimada.
Refeito me encontrava do susto do bolo-rei quando o bom do Rob se despediu com desejos de próspero ano novo, e apareceu um senhor cujo nome confesso não recordar a falar-nos de produtos típicos de Almeirim. Melões verdes raiados, vinhos e caralhotas.
Regressei por segundos ao bolo e aos cajus em cima do dito. Será que as caralhotas eram as nossas boas e velhas caralhotas? E o senhor que sobre elas perorava não era o Vladimir Josafinenko, lídimo representante dos fabricantes de caralhotas ucranianos no nosso país?
Acordei segundos depois, as caralhotas não levavam vodka em vez de água e mantinham-se nossas, só nossas. As nossas muito queridas e estimadas caralhotas.
Veio-me à ideia o "gordo" Jô Soares... "... leva tudo, moçada..." e proponho um acordo que considero justo: Que a bem da globalização e da sã convivência de culturas vá o bolo-rei e que, ao mesmo tempo, nos deixem ficar com as caralhotas.

Os cabeças

Acabei de ver a lista completa dos cabeças de lista do PS e do PSD, em cada círculo eleitoral, às próximas eleições legislativas de 20 de Fevereiro.
Era suposto que os "cabeças" fossem assim ... não digo bons, isso sei que não, mas era suposto serem, pelo menos, melhores do que aqueles que se lhes seguem nas ditas listas?
Pois, é que se era suposto...
Só me lembro da canção do Variações: Quando a cabeça não tem juízo...

Rigoroso exclusivo Da Senhora do Monte

Ainda hoje, dia 31 de Dezembro de 2004, numa iniciativa inédita em Portugal, o Da Senhora do Monte garante-lhe a si, que nos leu durante os nossos primeiros passos, uma surpresa com a "Estúpida do ano".

Não perca! Dulce Ferreira, a Estúpida do ano em 2004 numa iniciativa inédita do seu Da Senhora do Monte.

A triste saga do triste Pimentel

Do outro lado do mundo. Do desgraçado outro lado do mundo, o não menos desgraçado Pimentel, Embaixador da República deu as caras e disse que tinha tardado mas com o conhecimento e a aquiescência do chefe.
O chefe, que ontem, indignado, achava normalíssimo o atraso do Pimentel, depois das declarações do seu próprio chefe apressou-se a desmentir as declarações e a versão do subordinado e a dizer que enquanto este esteve em Portugal tão pouco com ele à fala chegou.
E isto é grave? E isto, por acaso, é estranho?
Não, o que é grave é não acharmos isto estranho e o que é estranho é não acharmos isto grave.
São quatro da manhã...

quinta-feira, dezembro 30, 2004

O último a sair que apague a luz

Hoje passei por duas agências de viagens que destacavam nas respectivas montras promoções de viagem em avião apenas com ida. Nas letras pequeninas que se seguem às gordas ofertas, constatava-se que em querendo o viajante ida e volta, upa, upa... que o preço subia para mais do dobro. Curioso era o facto da viagem se contratar desde já, mas para que fosse gozada entre Fevereiro e Abril de 2005. E dei comigo a pensar que são tramadinhos estes empresários do turismo, sabem-na toda. Cientes de que o bloco de extrema-esquerda pode chegar ao governo, vão explorar este nicho de mercado: em avião para bem longe, depois de 20 de Fevereiro e só com bilhete de ida. Ainda se arriscam a ficar ricos...

A foto da Estúpida


Temos aqui, completando o post do Patrick abaixo, a foto da Estúpida do Ano, aquela que vai para a Tailândia e que diz “Olhe, sim, claro, agora já não vou ter todas as condições de férias que iria ter se por acaso isto não tivesse acontecido. Mas por outro lado, estou contente porque vou ver as coisas mais ao natural, como elas são.” Posted by Hello

O TIR Azul e Branco

Caro Luís Pinheiro Coutinho,

Obrigado por partilhares connosco e com os nossos escassos leitores o resultado das tuas aturadas investigações.
Mas a coisa não é tão secreta quanto isso!
Passamos de facto a exigir TIR, termo que te confundiu - quando te passaram a informação - porque bem sei é utilizado também em termos jurídicos.
Compreendo que tu, com o teu apurado instinto de causídico prevenido, embrenhado na lei e sua mais profícua interpretação e aplicação, nem por um momento se te ocorreu que se pudesse tratar de outro TIR, que não o TIR, que tu conheces e dominas, pela via profissional, bem entendido.
Pois para teu cabal esclarecimento, deixo-te aqui o sentido e conotação do nosso TIR azul e branco, que é o seguinte:
Quando um novo sócio do FCP se inscreve tem que fornecer a residência correcta; o bilhete de identidade impoluto e legível e tem de assinar um termo de responsabilidade em que por sua honra tem que garantir não ser sócio de mais nenhum clube dos designados “três grandes”.
Trata-se de uma medida profilática, que visa evitar acontecer que a um dos nossos prezados consórcios lhe dê a “travadinha” e concorra à Presidência de outro dos Grandes.
Só isso!
Pela garantia da Transparência!
Nada mais!
Argumentarás meu caro Luís, que de momento não é possível assegurar essa transparência, porque um dos nossos sócios se guindou à Presidência da “lampionagem”.
Tens razão!
E contra factos, não há argumentos!
Tão pouco podemos esconder que pensamos que só um clube com a grandiosidade do nosso teria capacidade para eleger um seu associado Presidente do Benfica.
Também não podemos esconder que o dia em que LVF foi empossado se tratou de um momento apoteótico, de grande fervor clubista lá pelos lados das Antas.
Aliás o homem está a cumprir escrupulosamente o seu compromisso: Um Benfica cada vez mais pequeno; Um FCP cada vez maior!
Só os Benfiquistas, pelos vistos, não vêem isso.
Mas agora, com toda a franqueza, há que evitar estas situações, pois maçam 6 milhões e meio de portugueses e todos sabemos a contribuição deste fenómeno para o galopar da depressão económica do país.
É esta a razão do nosso TIR!
Evitar a depressão económica e contribuir para a transparência.
Despeço-me, com uma pergunta e uma resposta:
Achas, caro Luís, que era possível um sócio do Benfica ser eleito Presidente do FCP? Já não digo com 98% dos votos, digo ser eleito, por exemplo, apenas com um votozito de diferença?
Claro que não achas!
E esta é de momento a grande diferença entra as duas Instituições!

Até para ser sócio...

Num tom mais leve, sabiam que agora para se ser sócio do F.C. Porto, além dos dados pessoais, da morada e da fotografia para o cartão, também estão a exigir a prestação de Termo de Identidade e Residência?

Desculpa lá Patrick, mas pelo menos é o que consta...

LPC

O catavento

Na discussão, eterna, sobre se se é de direita ou esquerda, maníqueista às vezes, ficam sempre de fora aqueles que embora políticamente activos e intervenientes, são nem de esquerda nem de direita, mas daquilo que interessar em dado momento. E a luta pelo protagonismo, quando necessário, leva a que a política defendida seja adaptada ao target ( como dizem os marketeiros), apanhando aqui e ali um grupo de fundamentalistas disto ou daquilo e, já agora, criando uma boa polémica que dê tempo de antena num panorama jornalístico sequioso de indignação. Alguns poderão já adivinhar que falo do Dr. Manuel (eu quero um partido só pra mim) Monteiro, bem conhecido de alguns dos nossos co-bloggers, que agora vem defender a proibição da adopção fora do casamento e outras coisas afins, seguramente depois de ter lido que Bush ganhou as eleições não por causa da Guerra no Iraque ou pela economia, mas sim com o voto dos rednecks do interior com medo das políticas ultraliberais dos Democratas. Claro que se vai falar agora (como eu próprio estou a fazer) do Dr. Monteiro e vozes aparecerão a conferir-lhe a importância de se indignar com as suas posições. Objectivo atingido. Mas serão os portugueses, mais conservadores, tão estúpidos que não compreendam que se procura a polémica pela polémica, e que estas pessoas apenas dizem o que dizem porque estão encurraladas a um canto e procuram nas várias minorias juntar um pecúlio de votos que os levem ao palco desejado de S.Bento? Espero que não.
LPC

E agora as batatas fritas...

A carne de vaca não se pode comer por força da loucura das ditas. A carne de porco não se pode comer por causa da peste suína africana. A carne de frango e de perú não se pode comer devido aos nitrofuranos. Não se pode comer peixe mercê do mercúrio e outros metais pesados. Não se pode comer fruta por causa dos pesticidas, vegetais por causa dos fungicidas, ovos por causa das salmonelas. Até mesmo o pão contém qualquer coisa que, diz quem sabe, pode ser cancerigeno. Agora chegou a vez das batatinhas fritas e nem mesmo as Pála-pála se escaparam.
A água tem a qualidade que bem sabemos, os refrigerantes não são aconselháveis, o vinho e a cerveja nem falar. Os sumos de fruta têm corantes e conservantes e os que não têm padecem de outro defeito qualquer, por exemplo excesso de açúcar.
No meio de tudo isto há quem gaste fortunas com médicos e receitas, com ervas e chás, com dietas e mézinhas caseiras. E para quê? Basta ser racional e deixar de comer. Não apanha doenças, não sofrerá de cancro, não engorda e poupa imenso dinheiro. O cavalo do inglês tentou e não deu mau resultado...

Tinha alguma utilidade

Haverá algum jornalista capaz de perguntar ao Sócrates o que pensa a criatura sobre as patetices consecutivas de su hermano Zapatero? Dito de outro modo: algum jornalista poderá de forma directa perguntar ao sujeito se se revê nas posições do vizinho em matéria de afronta constante à Igreja, ataque à memória histórica, affair com os líderes islâmicos, política de imigração, aborto, eutanásia, casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc.? É que eu temo bem que este por cá não queira ficar atrás do outro em matéria de progressismo...

Perante isto, que dizer?

Acabado de chegar à civilização, também eu tenho uma enorme dificuldade em escrever sobre a tragédia no Indíco.
Quero acreditar que para a maioria das pessoas, o simples facto, de ver as imagens se torna um exercício de grande grau de dificuldade, quanto mais escrever sobre elas.
Mas perante o que opinam os prezados LPC e MAV aqui no estabelecimento, gostaria de dizer que o que se deve realçar – isto sim, parece-me o essencial – é a extrema bondade e dignidade das populações e equipas médicas locais que ajudaram todos os estrangeiros que se viram envolvidos neste terror.
Se o Embaixador vai hoje, foi ontem, vai amanhã ou depois de amanhã, é como compreenderão, completamente secundário e irrelevante face à dimensão da dor e do sofrimento.
De resto, ao que se sabe, estava lá o Encarregado de Negócios, que como é lógico, terá feito tudo o que estava ao seu alcance para ajudar.
Manda o bom senso que não seja sequer possível acreditar-se noutra coisa.
Mas a razão de escrever este post, não era a de me intrometer na discussão do essencial e do acessório.
Face ao que ouvi na SIC Notícias não me apetece deixar de manifestar aqui o meu nojo e repulsa por uma certa casta de portugueses.
E o que é que ouvi? Ouvi uma jovem, na casa dos 25 anos, dizer qualquer coisa como:
“Olhe, sim, claro, agora já não vou ter todas as condições de férias que iria ter se por acaso isto não tivesse acontecido. Mas por outro lado, estou contente porque vou ver as coisas mais ao natural, como elas são.”
Se a isto, juntarmos o post que José António Barreiros escreve no seu blogue, - que li por via do link do Último Reduto e que também subscrevo na íntegra - penso que temos muitas razões para nos envergonharmos das gerações que o país tem estado a produzir.

Rasteirinho

Este tipo não dá descanso!
Então não é que hoje, qual cobra rastejante e viscosa, o Delegado, já aqui trazido à colação mais vezes do que eu desejaria e seria recomendável, vem desferir um golpe reles, rasteiro, miserável, cobarde e traiçoeiro a Pacheco Pereira?
Nem o aniversário do jornal respeita!
Discorre a criatura sobre os 7 Pecados nacionais. Chegado ao último, a Soberba, dispara escondido atrás das moitas: " Soberba: dá-nos nos abruptos incontinentes, traidores por feitio e natureza, que sempre se venderam por uma sacola de 30 dinheiros. É o pecado dos sem-vergonha, sem pátria e sem coluna. E dos inchados. E são muitos...".
Pobre diabo!
Nem o aniversário do jornal é poupado ao distilar da sua raiva e à obsessão pelo chefe!
Quero todavia deixar aqui uma questão e um conselho:
Questão: Se o DN não pode sanear a figurinha, como Administrador, não poderá ao menos fazer o favor de mandar secar a tinta da caneta ao Colunista? É que eu gostava de continuar a comprar o jornal... ... por causa dos classificados.
Conselho: Caro Pacheco Pereira, não se dê à maçada de responder ao cavernícola.
Eu, da minha parte, é a última vez que aqui o faço.
Ponto Final!


quarta-feira, dezembro 29, 2004

O melhor de 2004

E, tão certas como o Natal dos Hospitais, as proverbiais listas de fim de ano. Não os compromissos para o ano vindouro, rapidamente esquecidos. Antes a recordação do melhor que passou pela (ou chegou à) paróquia, no que à arte e cultura diz respeito. Objectos, sons e imagens que tão depressa não cairão no olvido deste escriba.

Música

Na clássica, destaque para a Sinfónica Portuguesa. Segundo os críticos, é uma orquestra de performances muito desiguais. Que o seja, acrescento eu, se todos os anos nos servir duas interpretações com a beleza e profundidade emocional das de “Daphnis et Chloe” (Ravel), dirigida por Josep Pons, e “Canção da Terra” (Mahler), regida por Jeffrey Tate. A Gulbenkian, mais certinha, não deslumbrou tanto. Ainda assim, realço a leitura do Concerto para Viola e Orquestra de Penderecki feita pelo próprio compositor. Roberto Diaz foi o instrumentista convidado.

No jazz, assisti a dois concertos formidáveis. O conservador Estoril Jazz apresentou o quarteto de Branford Marsalis, que nos brindou com um banho de música, digno de mestres, resultado de muitos anos de trabalho conjunto. No vanguardista Jazz em Agosto da Gulbenkian, o quinteto de Otomo Yoshihide, com Mats Gustafsson no saxofone, surpreendeu tudo e todos, num concerto difícil, mas recompensador.

Quanto ao pop-rock, destaco as apresentações de Ben Chasny (Six Organs of Admittance), um guitarrista virtuoso que mistura a música rural folclórica dos Estados Unidos com ragas indianas e outras inspirações orientais, e Lhasa de Sela, figurinha aparentemente tímida, uma nómada americana, filha de um canadiano e uma mexicana, neta de libaneses (hoje vive em França). Um caso sério de popularidade que em breve chegará ao Coliseu, nem que seja por fazer questão de cantar (muito bem) fados de Amália e falar em português cada vez que actua por cá, receita certa para o delírio provinciano.

Não ouvi muitos discos deste ano. No entanto, chamo a atenção para as canções de produção sofisticada dos franceses Air (“Talkie Walkie”), aponto o psicadelismo suave dos bucólicos Espers (“Espers”), assinalo a doçura pop do segundo longa-duração dos noruegueses Kings of Convenience (“Riot on na Empty Street”) e termino com o álbum a solo de Brad Mehldau, espécie de Keith Jarrett do século XXI. Sem querer chocar ninguém, garanto: “Live in Tokyo” é, pelo menos, tão bom quanto o famosíssimo “Köln Concert.”


Filmes

O meu preferido foi “Lost in Translation”, uma impressão invulgar sobre uma fugaz história de amor entre uma jovem mulher de um fotógrafo pop e um actor americano de meia idade. Bill Murray pode não ser o actor preferido de muita gente, mas nunca o seu underacting se adequou tão bem a um filme. Sofia Copolla filma Tóquio, os hotéis, os japoneses como um gigantesco e exótico mundo paralelo. E fá-lo muito bem.

Destaco ainda a continuação da paródia “Kill Bill” (Tarantino menor, ainda assim Tarantino), o “Despertar da Mente” (mais uma interessante invenção do argumentista Charlie Kaufman), “Terminal de Aeroporto” (Spielberg para quem gosta de Capra e James Stewart), A Vila (Shyamalan para quem gosta do Spielberg dos early days), e “Antes do Anoitecer”, a continuação do filme de culto mais palavroso de sempre, “Antes do Amanhecer”. Desta vez, o encontro é em Paris e o filme ganha com o tom doído da maturidade. Permanece o sorriso de Julie Delpy.


Acompanhei com menor proximidade as outras artes. Ainda assim, aqui ficam algumas notas sobre o ano que passou:

- “Democracia”, uma interessante peça centrada na relação pessoal de Willy Brandt e Gunter Guillaume, protagonistas de um dos mais famosos escândalos de espionagem da Guerra Fria;

- “Pedro e Inês”, magnífica coreografia de Olga Roriz, espectáculo de uma leveza que me conquistou definitivamente para o campo dos apreciadores da dança contemporânea;

- “Mass and Empathy”, as esculturas de Anthony Gormley, silhuetas humanas simultaneamente densas e imateriais que povoaram os espaços da Fundação Calouste Gulbenkian;

- Tapio Wirkalla, um impressionante exemplo de criatividade prática. Design finlandês, patente numa exposição do Centro Cultural de Belém.

Infelizmente, não vi as obras de Gerhard Richter, expostas numa retrospectiva do criador austríaco no Museu do Chiado. Sr. Berardo, se estiver a ler isto...

Bom ano novo!

Vossa Exa. Senhor Embaixador

Tenho pensado escrever sobre o tsunami de dia 26, tenho mesmo chegado a tentar mas acabo por desistir. O que quer que se possa escrever será sempre redutor, será sempre pequenino e insuficiente, será sempre insignificante face às dimensões de um desastre como aquele. Pensando ou, pelo menos, tentando fazê-lo, chego à conclusão que parte do meu horror faz feudo no facto de ter visto nascer o inferno em alguns dos locais que me serviam de referência para ilustrar o paraíso, o meu, a ideia que dele faço.
Hoje, quando uma vez mais me abeirei do computador, li com gosto, como aliás sempre acontece, um post do Luís Pinheiro Coutinho. Li com gosto mas não posso concordar.
Numa situação destas, confesso, não sei se muito haverá a fazer. Sei, isso sim, que muitos dos que dizem que muito há a fazer se limitam a isso mesmo, nada fazendo. Sei também que em situações limite, de fronteira, em situações em que a expressão "de vida ou de morte" ganha um significado diferente daquele em que, por regra, é utilizado, muito do que há a fazer não se traduz em grandes meios, humanos e/ou materiais, em grandes planos e na sua execução, em grandes obras e ideias. Sei, isso sei, que muitas vezes, nestas situações, uma palavra, um abraço, um olhar podem significar tudo. Sei que é lirismo mas sei que é assim.
Sei eu, sabe o Luís Pinheiro Coutinho, sabe o senhor Embaixador João Pimentel, sabe o senhor Ministro António Monteiro que cada cidadão português é efectivamente representado por todas e cada uma das representações diplomáticas da UE em cada um dos territórios e países afectados. Não é uma possibilidade é uma realidade, todos os cidadãos comunitários são representados pelas embaixadas e consulados dos países membros na impossibilidade de obtençaõ de apoio das suas próprias representações diplomáticas.
Também sabemos todos, dita-o o bom senso, que o Embaixador Pimentel pouco iria fazer para a Tailândia. Estava em Portugal, não tinha informação, só agora as autoridades tailandesas disponibilizam dados acerca das mortes confirmadas, não ia atender telefones...
Também sabemos que, ainda que o embaixador Pimentel tivesse ido na hora que se seguiu à notícia, continuariam a existir críticas de portugueses, de familiares e de políticos, de partidos de oportunistas e de parvos.
Isto é pois o que sabemos todos.
Passemos agora àquilo que todos sabemos excepto o Embaixador Pimentel.
Sabemos que Pompeia Sila caiu em desgraça aos olhos de César não por que não fosse séria mas por falta de o parecer.
Sabemos todos, menos o senhor Embaixador e talvez o senhor Secretário de Estado, por quem tenho aliás estima, sabe até o senhor Primeiro Ministro que o embaixador tinha que partir de imediato. Mesmo que não fizesse a menor das faltas, que a sua presença não tivessea a menor das utilidades, que não servisse para minorar a dor de um só português, de um só pai, filho, marido, irmão.
O senhor Embaixador tinha pura e simplesmente que ter sido sério e, ao mesmo tempo, tinha que o ter parecido. Tinha que ter tido, como é sua obrigação, sensibilidade, coragem disponibilidade, abnegação. Tinha, como todos sabemos, que ter ido para, mais que não fosse, ouvir, abraçar, consolar, chorar com.
Sabemos que tudo quanto é lógico, correcto, normal, não faz qualquer sentido para alguém que num momento está com um filho de oito meses nos braços, numa praia do paraíso, e segundos depois perdeu esse filho, às mãos do mar, no meio do inferno. Sabemos que uma palavra é diferente quando é dita em português. Sabemos que é verdade, já todos o sentimos, não é pieguice é o nosso sentir. O nosso, não o do senhor Embaixador que, pelos vistos foi, mas foi obrigado.
Se não foi, como sugerem as palavras do Primeiro Ministro, por sua iniciativa, pergunto-me em que situação entenderia que se justificava interromper as suas, por certo merecidas, férias na Pátria Lusa.
Bem sei, caro Luís, que por vezes se torna insuportável de aturar o "...tom já impossível de aturar dos jornalistas que em qualquer assunto procuram não o essencial mas aquele acessório que ataque mais o Governo. O jornalista queria porque queria que o assunto não fosse a tragédia que atingiu milhões de pessoas na Ásia, mas a culpa do Governo no assunto..." mas, por uma vez, nada disto importa.
Na minha opinião, assinada, Sua Excelência o Senhor Embaixador da República Portuguesa no Reino da Tailândia é uma CAVALGADURA.
A minha opinião, meu bom Luís, é, por uma vez, parecida com aquela que João César Monteiro, de quem nunca fui particular admirador, tinha a respeito do público e da crítica.
Por uma vez, Luís, queria que o senhor Embaixador, o senhor Secretário de Estado e todas as opiniões, também a minha, se...
E queria que o mundo voltasse ao dia de Natal.
Que este Natal fosse Santo e que os nossos voltassem a nós, os filhos aos pais, e o senhor Embaixador fosse ver a "Branca de Neve" de João César Monteiro. Escuro, tudo escuro, uma boa merda, como a atitude que teve.



O Sr. Secretário de Estado


Arredio que tenho estado da actualidade, política e outra, daquela que nos chega nos media (como se diz agora), também não tenho tido assunto para blogar. Mas ontem vi um pouco da entrevista na Sic Notícias ao Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros Henrique de Freitas e devo admitir que o homem se saiu muito bem dado o tom já impossível de aturar dos jornalistas que em qualquer assunto procuram não o essencial mas aquele acessório que ataque mais o Governo. O jornalista queria porque queria que o assunto não fosse a tragédia que atingiu milhões de pessoas na Ásia, mas a culpa do Governo no assunto.
Não, ainda não se chegou ao ponto de dizer que a culpa do sismo é do Governo, mas lá chegaremos mais próximo das eleições. A culpa do Governo estava representada pelo aparente alheamento do Embaixador na Tailândia, que não teria alterado as suas férias, facto esse que serviría para o PS endossar essa responsabilidade ao Executivo.
A isto Henrique de Freitas respondeu de forma séria, recentrando o assunto e mesmo quando confrontado com os atendedores de chamadas que denunciavam o alheamento diplomático, lembrou que a própria jornalista tinha falado com o Encarregado de Negócios incontactável...
E aos "Mas não acha que o Governo deveria..." respondeu reafirmando a confiança no Embaixador João Lima Pimentel, que tem prestado bons serviços ao país a vários níveis , inclusive como assessor do Eng. António Guterres... Ora marca lá um ponto.

LPC

Em volta das eleições

E se andei em volta de eleições no postal anterior, prometo desde já uma novidade de monta para o próximo dia 11 de Janeiro. Nesse dia, em pouco passando do início da noitinha, anunciarei publicamente o meu sentido de voto em face das legislativas que se aproximam. E farei a coisa desde esta Senhora do Monte. Tan, tan, tan, tan...! Ora aguardai que já não tarda nada.

Chegou o Lopes

Há duas entradas atrás, tomaram contacto com o Stélio todos quantos fazem o favor de por aqui passar regularmente. E sendo assim, eu não podia deixar de escrever o que segue: aqui há anos, entendeu o destino que a minha vida se cruzasse com a do personagem em causa, mais o Patrick, o Antunes Varela, o comentador Jordão e outros ossos duros de roer. Como estas coisas não terão nada que saber, estava encontrado o caldo de cultura necessário para que nada mais fosse como dantes no estabelecimento de ensino superior que nos acolhia e, a dada altura - diga-se que muito pouco tempo depois de termos aterrado em Santa Marta - resolvemos conquistar a Associação Académica, instituição mais aprazível do que as aulas que era suposto contarem com a nossa presença. A tarefa não foi fácil, mas como estávamos mesmo para ali virados não havia mulher do Relvas que nos fizesse frente. E assim foi. Apesar de nos roubarem consecutivamente papelinhos em determinadas instalações da universidade - mais ou menos como na Ucrânia - a lista U arrebatou a coisa e entre outros feitos - que eu escrevo para a minha gente - o jornal da associação passou a citar Pierre Drieu la Rochelle, um rapazito simpático que havia caído nas graças do director do jornal, o célebre comentador Rui Pereira - ele mesmo - para quem siga a blogosfera há mais tempo.
Dito isto, vamos ao Lopes. Em vésperas de campanha, a coisa parecia o conto da cigarra e da formiga. Todo o reviralho estava já com tudo impresso quando entendíamos, invariavelmente lá pelas três da manhã, que nada havia do nosso lado para oferecer aos caloiros... E era aí que também entrava o Stélio: nas reuniões preparatórias das campanhas, o moço tinha ideias de génio. Ele lembrava-se de estampar sweat-shirts com os nossos bonecos para que a coisa se parecesse com um uniforme, organizava sessões de distribuição de vinho tinto e broa no pós-laboral e, mais importante, era juntamente com este que vos escreve o homem do programa eleitoral. Atenção que pela primeira e última vez vou dizer publicamente como eram elaboradas as propostas. Nessa época, residia o Patrick num piolhoso apartamento junto ao Elevador da Bica, onde se reuniam os conjurados, com patrocínio da Sagres ou da Super Bock o que, como é compreensível, já não recordo com precisão. Entre a uma e as seis da manhã, aquela malta falava muito e decidia nada. Calculem que se davam ao trabalho de ajuizar do bom senso das propostas ou da possibilidade das cumprir...!!! Como é evidente, a vitória eleitoral ficou a dever-se às seis da matina. Invariavelmente, a essa hora, os conjurados adormeciam e só dois finos estrategas resistiam ao cansaço da noite: eu e o Lopes. E aí sim; na paz do Senhor, cada qual com sua lata na mão, elaborávamos programa eleitoral imbatível, escolhendo ainda umas frases do Kennedy para entusiasmar a malta - e não digam mal que depois de eleitos o que o Rui Pereira publicou não foi isso. É esta e mais nenhuma a verdadeira história da nossa enormíssima vitória eleitoral. E é de bom tom dizer que sem o Stélio não teria havido tão ambicioso programa. Porque também eu teria provavelmente adormecido...

terça-feira, dezembro 28, 2004

As patetices do Sr.(a) ?, perito em piadas sem graça

Esquecemos, as mais das vezes, todo o trabalho e todos os trabalhos que se escondem por detrás do que consumimos.
O trabalho da cozinheira ao preparar o almoço; o trabalho do padeiro ao amassar e cozer o pão que comemos ou o trabalho do revisor ao corrigir as notícias do jornal que lemos; do operário que contruiu o carro em que andamos, do pedreiro que levantou as paredes da nossa casa, de quem insere as legendas numa peça de um jornal televisivo.
Pois, comia eu o almoço de hoje, esquecido, claro está, do trabalho e dos trabalhos que por detrás dele estavam, quando o "jornal da uma", da SIC, apresentou uma reportagem sobre a contratação, pelo Beira-Mar, do treinador de futebol Luís Campos.
Imagens do estádio, da equipa a treinar, uma voz de fundo que ia dizendo algo de ininteligível e, de repente, a imagem do dito treinador com a seguinte legenda a ilustrá-la:

Luís Campos
"Perito em descer equipas de divisão"

Pois é, não é engano, leram bem, "Perito em descer equipas de divisão".
Ora bem, por detrás desta legenda estará certamente o trabalho de alguém. O trabalho de alguém que pode ou não perceber um bocadinho de futebol, saber ou não qualquer coisa acerca do Beira-Mar, saber ou não quem é Luís Campos. Este "alguém" responsável pela dita legenda, pode ter sido ou, no caso, foi mesmo, responsável por uma de duas coisas: Ou por uma gralha, um erro, um engano que ao ser corrigido não beliscará a sua competência profissional ou, em alternativa, pelo aproveitamento de uma legenda para fazer humor, mau por sinal, para dar uma opinião discutível, para fazer tudo menos informar.
Não se tratava de uma crónica, de um artigo de opinião. Tratava-se de uma repotagem que, tanto quanto pude perceber, se destinava apenas e tão só a informar os espectadores do jornal televisivo acerca da contratação de um treinador por um clube de futebol.
Luís Campos pode ter sido o treinador de algumas equipas que acabaram por descer de divisão. Pode ter sido demérito seu, pode ter sido falta de sorte, pode ter sido apenas coincidência.
O responsável por esta legenda pode ter sido, tal como Luís Campos, vitima da pouca sorte ao etiquetar deste modo o trabalho do treinador.
Todavia, não creio. Não sei bem porquê mas estou mais inclinado a achar que o responsável por esta triste legenda, por este mau trabalho, por esta falta de rigor e seriedade profissional é apenas...

O Sr.(a) ?, anónimo, perito em patetices e piadas sem graça.

Um pouco de mim

Ao primeiro post se reservou a função de permitir algum entendimento de cada um de nós. Na expectativa de o cumprir, aqui fica o dito.

Lourenço Marques (hoje a triste Maputo) foi a cidade que me viu nascer, corria o ano de 1969 e o calendário assinalava o dia 14 de Maio.
Recordo uma infância ali vivida que considero feliz, com todos os mimos e atenções que os pais babados costumam dedicar aos filhos, em particular aos primogénitos, categoria em que me insiro.

A dita “Revolução dos Cravos” ditaria uma outra revolução na vida da família Lopes, não tão florida quanto aquela. De armas e bagagens e com um bilhete de ida - sem volta -, eis-nos retornados e a braços com a ingrata e difícil missão de tudo recomeçar. Permitam-me, aqui, um parêntesis para homenagear os meus pais pela coragem e determinação que para tanto demonstraram.

Acabámos por “assentar arraiais” em Setúbal, cidade onde vivi uma adolescência sem peripécias dignas de registo.
Chegada a hora de decidir sobre o futuro que queria para mim, decidi que seria economista. Conhecia vários e todos bem sucedidos! Maldita a hora. As pautas de final de ano não deixavam margem para dúvidas... Tinha que mudar de vida. Assim fiz, iniciando o longo e tortuoso caminho que me conduziria, anos mais tarde e tramado pela PGA, à secretaria da Universidade Autónoma de Lisboa para uma inscrição no curso de Direito.

Cedo percebi que, desta feita, a escolha tinha sido acertada. Não tanto porque ao Direito deva o que hoje sou ou tenha (bem menos do que gostaria!). A advocacia nunca chegou a ser uma verdadeira opção de vida.
A escolha mostrou-se antes acertada porque me permitiu conhecer o Patrick, o Mário e o Pedro e com eles crescer e aprender; porque me permitiu, com eles, viver aventuras e desventuras, bons e maus momentos; porque com eles passei horas discutindo soluções para os nossos problemas, para os problemas dos outros e para os problemas do País. Ali, à mesa do bar ou no restaurante Alcafache, enquanto decorriam as aulas de direito constitucional, de economia política, de ciência política, de obrigações, enfim, enquanto decorria o curso de Direito.

Com a licenciatura terminada, o estágio na Ordem dos Advogados findo e após curta experiência como advogado, viria a integrar a Comissão Euro do Ministério das Finanças, colaborando na preparação de todo o processo de transição para a moeda única. Experiência gratificante e enriquecedora. Por ali estive até à hora da circulação. A do euro e a minha.

Presentemente, e desde então, sou adjunto de direcção numa associação empresarial e estou envolvido num projecto empresarial de consultoria nas áreas da responsabilidade social de empresa (RSE) / Sustentabilidade e do Marketing Social.

Paralelamente, acumulo as funções de marido da Alexandra, de pai recente da Matilde e, (co)respondendo ao desafio do amigo Patrick, de bloguista, igualmente recente.

Até depois.

Best of e Greatest shits 2004

Cá vai o meu exercício de resumir em meia dúzia de linhas, doze mêses de vida e acontecimentos:

Best of


FC Porto: Campeão da Europa e do Mundo de Clubes.
Gato Fedorento: O novo Zé Povinho.
Fernando Pinto: Palmas para o gestor brasileiro, exemplo de competência, com resultados positivos nas contas e no clima de paz social na TAP.
Baltazar Garçon: O Super Juiz continuou a sua saga: ETA, ex-ditadores sul-americanos e agora, o terrorismo islâmico.
Euro 2004: Grande organização.
Vítor Constâncio: Imagem séria e de grande credibilidade.
A cultura blogue: Que lamentavelmente só descobri no último trimestre do ano.
José Mourinho: A nova grande imagem do país. Competência e capacidade de comunicação a toda a prova.
O regresso dos song writers: Cohen, Costello, Morrisey e Ben Harper.
Os Franz Ferdinand: o seu "Take me out", como música do ano.
U2 : Regresso ao velho e verdadeiro Rock. Ninguém faz música como eles.

Greatest shits

Madrid, 11 de Março: O 11 de Setembro aqui ao lado.
Listas de Professores: O descalabro.
Assalto a Beslan: 300 crianças morreram na Ossétia do Norte.
Governo de Santana e Portas: O mais anedótico e patético de que há memória.
Apito Dourado: Triste! Vamos ver onde vai parar…
Não consegui ver: "Lost in Translation", de Sofia Coppola e "O Despertar da mente", de Gondry, resta-me esperar pelos DVD`s.
Sismo e Maremoto no Índico: Impressionante inferno na água. Sofrimento humano e paraísos arrasados.
Mortes: Todas as registadas nos diferentes obituários, mas principalmente a de Féher, é muito difícil de esquecer.

Tambem tu, Brutus?

O novo Prémio Pessoa, Mário Cláudio, concedeu uma entrevista a Valdemar Cruz, onde entre outras coisas, fala na busca da perfeição na escrita e sobre isso alvitra o seguinte: "Dou uma importância inimaginável à pontuação, por exemplo: uma das coisas mais difíceis de utilizar é a vírgula", que garante,"a maior parte das pessoas não sabe utilizar".
Acrescenta que," até alguns escritores a usam mal, porque o fazem sem critério e de uma forma arbitrária". Isso, diz, "perturba-me".
E eu, que sou vastas vezes chamado à atenção por duas Edites Estrelas, versões masculinas, - os meus queridos amigos MAV e JFM - apetece-me perguntar: também tu, Mário Cláudio?
Bom, mas como não aceito que se crie um cenário pessimista à volta da minha escrita por causa da arte de virgular , prometo ser mais atento em 2005.

A "birrinha"

Com o inocente título "Co-inceneração feita em segredo", o Expresso deixou o Ministro Nobre Guedes à beira de um ataque de nervos.
O ministro imediatamente começou a estrebuchar convulsivamente em todas as direcções, ameaçando meio mundo com acções criminais.
A verdade, é que o Guedes entrou em processo de birra!
E para além da birra, esta de um Ministro pedir a demissão, num Governo já de si demissionário, nem na República Centro Africana, sem ofensa para a RCA.
E já agora, impõe-se aqui, uma questão: Este Nobre Guedes, não é o mesmo Nobre Guedes, que era visto como a eminência parda de Portas e do Independente, que ao tempo, se entretinham a promover julgamentos sumários todas as sextas-feiras aos políticos do então Cavaquistão?
Como diz o povo "quem com ferros mata, com ferros morre", mas neste caso, nem era preciso o empurrão do Expresso.

Humor, humor e mais humor

De um blogue para o estrelato podia ser o título de um artigo sobre a talentosa rapaziada do Gato Fedorento.
Agora, é outro blogue, o Barnabé, que, por um par de razões, salta para a ribalta.
Não contente em ter passado o "sumo" dos seus escritos, da versão on-line para a versão em papel, acaba agora, de projectar para o mundo real das listas partidárias um dos seus membros.
Li que Daniel Oliveira será o nº 6 das listas do Bloco, pelo círculo de Lisboa, nas próximas eleições legislativas.
Com o sistema de rotatividade imposto pelas cúpulas, o bloguista e bloquista, vai mesmo chegar a S.Bento.
Como também se trata, à imagem do Gato Fedorento, de um blogue humorístico - embora as semelhanças, como é óbvio, fiquem por aqui - deixo aqui o registo.

Isto tem cura?

Contra tudo e contra todos, mais uma vez, Luís Delegado defendia o indefensável, na sua habitual coluna, no DN do passado dia 23.
Sem conseguir dizer que era uma medida absolutamente fabulosa, sempre foi dizendo, que achava que o folheto que o Governo de Santana e Portas decidiu mandar editar e distribuir através da imprensa – utilizando a massa dos contribuintes – era uma medida que revelava a grande visão de estadista do líder.
Em tese, admito que não estou em desacordo com a iniciativa do Governo – os Governos deverão informar os cidadãos sobre as suas medidas mais emblemáticas, conseguindo dessa forma mobilizar a opinião pública para Reformas de fundo que pretenda implementar – agora, na actual conjuntura, é impossível estar de acordo, antes pelo contrário.
O Delegado na sua ânsia desenfreada de agradar e agradecer as benesses, esqueceu-se que, para além da medida, per si, ser altamente controversa e despropositada, o Governo está em gestão, e este simples, mas singelo facto, faz, aqui, toda a diferença.
Será que este Delegado tem cura?

Interioridades

Escrevo desde Vila Nova de Foz Côa.
Por aqui, Natal e Caça são indissociáveis, já que a família da minha mulher é uma família de caçadores, bem como uma parte considerável da população masculina da terra.
O gerente do Banco, é caçador; o produtor de vinhos, é caçador; o chefe das Finanças, é caçador; o agricultor, é caçador; o padre, é caçador; todos são caçadores.
Eu acabo por alinhar - apenas na parte lúdica da questão - um pouco por arrasto.
Como nos últimos doze anos, passei aqui cinco ou seis natais e venho até cá algumas vezes durante o ano, já fui adoptado como filho da terra, e por força das tainadas, conheço os melhores caçadores da região e domino razoavelmente os meandros da discussão à volta do tema.
Ontem, por exemplo, fizemos uma tainada – com malta do Clube de Caça e Pesca – à volta de uma açorda de frades e de um borrego assado a lenha, que até fazia salivar as pedras da calçada.
Durante toda a tarde e toda a noite, falamos sobre tordos, perdizes, cães, coelhos, lebres, pombos bravos, rolas, brownings, benellis, winschesters, de reservas associativas, de caça livre, de bandos, de bater os montes e de "biquinhos".
Falamos da importância da recolha e partilha de informação na caça, ao jeito de "quem tem mais e melhor informação é melhor caçador", por outras palavras, imaginem dois grupos de caçadores que se encontram na estrada e um grupo pergunta: "Para onde vão?" e o outro responde: " Para lado nenhum!". A informação é tudo, ou quase tudo, basta juntar-lhe a arma certa e a pontaria afinada!
Falamos da competição entre os verdadeiros caçadores, que é acessa e feroz. Dizem, manhã cedo: "Boa sorte!", na realidade, querem dizer: "Espero que venhas com o cinto vazio!".
E até de contratações falamos. Um primo meu que se vai encartar em breve foi intensamente disputado por duas facções rivais.
Mas falamos também de Política. Das questões associativas e autárquicas e principalmente das nacionais.
E aqui, à volta deste tema, percebi que o Revanchismo anda aí à solta pelo país, desde as aldeias, vilas e cidades, até à imprensa em geral.
Mas este é um tema que merecerá oportunamente um post autónomo.
Entretanto, o que não há por cá, é acessos à Internet.
Como escrever se transformou num vício incontornável, tenho resolvido o problema com algumas notas que tenho debitado no meu Moleskyne, e que agora, que apanho aqui um computador emprestado a jeito - com um acesso analógico - vou verter para posts.
Ainda não sei quantos. Já se verá!
Entretanto, só aqui deverei voltar para o ano.
Até lá, um abraço, boas entradas e um bom ano de 2005 para todos!

domingo, dezembro 26, 2004

E o Natal é:

Degustava o país a ceia do dia de Natal, ainda na ressaca dos exageros da noite da consoada e aparece na televisão o dr. Santana Lopes para, simpaticamente diga-se, transmitir ao povo desejos de festas felizes.
Um ambiente acolhedor, um primeiro-ministro descontraído e, por detrás deste, uma lareira crepitante onde ardia um senhor que fazia em simultâneo a tradução das palavras do Dr. Marcelo Caetano. Oppsss!
Dizia, a tradução das palavras do dr. Santana Lopes para linguagem gestual.
Acabou a comunicação e ficou o país a saber que afinal o Natal é perdoar a quem nos fez mal e querer a felicidade de quem não quer a nossa. Ficou o país a saber que por mais pontapés que leve o bebé, por mais danificada que fique a incubadora, a capacidade de perdoar é maior e que isso é Natal.
Por outro lado, José Sócrates, a quem muitos vaticinam um futuro de primeiro-ministro, que atingirá em Fevereiro bastando para tal que fique mudo e quedo, resolveu desdenhar do conselho, por certo bem intencionado, e falar. E sobre que falou o engenheiro Sócrates? Sobre as diatribes de Santana e Portas? Sobre o défice? Sobre as desgraças dos trabalhadores da CGD? Sobre a segurança nas estradas nesta quadra que se quer de alegria? Do Natal? Não! Falou de tratamento de lixos, de co-incineração?! Como se vê tema pacífico, desprovido de controvérsia, pouco dado a discussões de muita paixão e pouca razão e, aliás, um tema onde o PS saiu em grande do governo.
É um homem sem medo? Sincero? Que quer falar frontalmente dos problemas e resolver o que houver a resolver sem, como o próprio diz, agradar a todos? Pois parece que acham que sim... Mas, e ganhar as eleições não quer? Quer? Então por que raio fala Santo Deus?
E, ao que parece, é isto o Natal. De um lado neva, do outro faz frio...
Quem nasceu? Sei lá quem nasceu... Não me digam que vêm falar outra vez do bebé e da incubadora?!

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Santo Natal

A todos os companheiros de blog. A todos quantos a nós se irão juntar. A todos quantos nos fizeram companhia durante estas breves semanas. Desejos de um Santo e feliz Natal.

E como o Natal não são só prendas...

Eis que vos deixo - pelo menos aos que entendem a quadra como algo que está para além do consumismo - um poema de Renato de Azevedo intitulado "Sem Nome". Dedica-se a sua publicação a todas as crianças que não tiveram o direito de nascer como consequência das teses abortistas que hoje em dia, ao que parece, tudo podem:

Era tão pequeno,
que ninguém o via.
Dormia, sereno,
enquanto crescia.
Sem falar, pedia
- porque era semente -
ver a luz do dia,
como toda a gente.
Não tinha usurpado
a sua morada.
Não tinha pecado.
Não fizera nada.

Foi sacrificado
enquanto dormia.
Esterilizado
com toda a mestria.
Antes que a tivesse,
taparam-lhe a boca,
- tratado, parece,
qual bicho na toca.

Não soltou vagido.
Não teve amanhã.
Não ouviu: «-Querido...»
Não disse: «-Mamã...»
Não sentiu um beijo.
Nunca andou ao colo.
Nunca teve o ensejo
de pisar o solo,
pezito descalço,
andar hesitante,
sorrindo, no encalço
do abraço distante.

Nunca foi à escola,
de sacola ao ombro,
nem olhou estrelas
com olhos de assombro.
Crianças iguais
à que ele seria,
não brincou com elas,
nem soube que havia.
Não roubou maçãs,
não ouviu os grilos,
não apanhou rãs
nos charcos tranquilos.
Nunca teve um cão,
vadio que fosse,
a lamber-lhe a mão,
à espera de um doce.
Não soube que há rios
e ventos e espaços.
E invernos e estios.
E mares e sargaços,
e flores e poentes,
E peixes e feras
- as hoje viventes
e as de antigas eras.

Não soube do mundo.
Não viu a magia.

Num breve segundo,
foi neutralizado
com toda a mestria:

Com as alvas batas,
máscaras de entrudo,
técnicas exactas,
mãos de especialistas
negaram-lhe tudo
(o destino inteiro...)

- porque uns socialistas
nasceram primeiro.

Festas Felizes!



Julgo falar em nome dos restantes companheiros desta Senhora do Monte quando vos desejo - a todos quantos por aqui vão passando - um feliz Natal e ainda melhores entradas na época que se aproxima em passo largo. Gozem o mais que possam e até já.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Garantias

O ministro Nobre Guedes garante que nunca ponderou, sequer, demitir-se.
Mais garante que nunca houve quaisquer problemas entre ele próprio e o senhor primeiro-ministro.
Pela minha parte garanto que, há não mais de dez minutos, Elvis Presley saiu cá de casa. Veio cá garantir que W. Bush é um homem superiormente inteligente e equilibrado, que os EUA destruirão em 2005 todo o seu arsenal bélico, que retirarão do Iraque e do Afeganistão, e que Bin Laden será encontrado nas próximas doze horas.
Posso ainda garantir-vos que Pinto da Costa é um homem sério, impoluto e que jamais teve problemas com a justiça; que Zahovic assinará por mais quatro anos com o Benfica e que em tempo algum teve problemas de ordem disciplinar com a instituição; que Bagão Félix vai devolver o fundo de pensões da CGD aos seus legítimos proprietários porque Bruxelas nos autorizou a ultrapassar o défice de 3% e que em 2005 tudo vai ser radicalmente diferente.
Para melhor? Pois, isso... para melhor, claro, posso garantir.
Garantias...

E o país andou assustado

Nunca, como em 2004, houve tanta gente ilustre a morrer.
Tudo começou com o desaparecimento de Féher, em directo, ao vivo e a cores, que, por isso mesmo, a todos chocou e traumatizou.
A saga continuou com Kaúlza, Estée Lauder, Gyl e Gyl, Reagan, Sousa Franco, Lino de Carvalho, Sophia, Henrique Mendes, Maria de Lurdes Pintassilgo, Cartier Bresson, José Carlos, Jonhny Ramone, Carlos Paredes, Champalimaud, Ray Charles, Fialho Gouveia, Ustinov, José Augusto Seabra, Janet Leigh, Derrida, Brando, Reeve, Arafat, Celso Furtado, Calvet de Magalhães e mais alguns que a memória apagou.
A morte nunca esteve tão presente e muito boa gente – principalmente por força da tragédia de Féher começou a sentir palpitações.
Nunca as urgências dos hospitais em Portugal haviam assistido a tal correria de gente jovem e nunca se ouvira, tantas vezes, o mesmo diagnóstico: Ansiedade.
É a morte!
E não vale a pena usarmos eufemismos.
Andamos sempre a fugir dela, de preferência, meia dúzia de passos à sua frente, mas um dia todos sabemos que ela nos vai apanhar.
Há que aprender a conviver com essa certeza.
E eu, que sempre achei esta quadra triste e nostálgica, aproveito para recordar aqui o nome de quem morreu durante este ano e também todos os que nos eram queridos e nos foram deixando mais pobres ao longo dos tempos.

Pessoal e transmissível

Num tempo de quintas cheias de celebridades vazias. No tempo dos Castelo Branco e das Castel-Branco, dos inhos e das inhas, dos ídolos por encomenda e dos concursos a metro. Num tempo de novelas em pacote, de séries de humor de pacote e de talk shows de pacote, resta, por vezes, a rádio.
Nos finais de tarde, no meio do inferno do trânsito, o "Pessoal e transmissível" de Carlos Vaz Marques é, as mais das vezes, um bálsamo.
Tempo para respirar, para perguntar e para responder. Tempo para falar e para ouvir. Preparação do entrevistador, pertinência das perguntas e, por vezes, pertinácia, bem doseada, no perguntar. Temas com interesse, bem abordados, bem trabalhados.
A tudo isto, acrescenta Carlos Vaz Marques sentido de humor, simpatia, diria mesmo doçura na forma como pergunta e como recebe a resposta.
Há dias em que, sem esforço, nos chegamos mesmo a esquecer do trânsito lá fora e da televisão, ligada por certo, quando chegarmos a casa.
Até mais logo

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Menos com menos não dá mais

Alberto João Jardim homenageia Pinto da Costa e o seu porto.
Pinto da Costa, emocionado, retribui elogios e protesta a mágoa por Alberto João não se aventurar a fazer pelo continente o que fez pela Madeira.
Estavam angustiados com a escolha entre Santana/Portas e Sócrates?
Era mau?
E Pinto da Costa na C. M. do Porto?
E Alberto João a fazer bailinhos da Madeira em cada freguesia do rectângulo?
Pois é... Antes Santana, Portas, Sócrates, Marques Mendes e o Emplastro todos juntos. Antes o fait divers do enxovalho público do que o enxovalho público sem fait divers.
No fundo, é uma pena que a vida não seja como a matemática e que estes dois menos juntos não possam dar mais...
Até mais logo

Dos males, o menor !

Ouvem-se Santana e Bagão e percebe-se que o país é um barco à deriva.
Olha-se para Santana e Sócrates e para as suas nomenclaturas e até o Emplastro percebe que qualquer um deles fará muito mal à Pátria, só não se conseguindo perceber, com suficiente nitidez, qual, apesar de tudo, fará menos mal.
E já que a escolha terá que ser enquadrada nesta premissa, ao menos, que Marques Mendes tivesse ido a votos no último conclave laranja e tivesse ganho.
Sempre poderia, do cimo dos seus 155 centimetros, apresentar-se aos portugueses com um slogan credível e anti-demagógico.
Falaria verdade, e olhos nos olhos, diria ao povo:
“ Vote Marques Mendes: dos males, o menor !”.

terça-feira, dezembro 21, 2004

O que diz a Concorrência - I

Após uma vista de olhos, mais atenta que o habitual, pela concorrência, recomendo algumas entradas que elejo como as melhores das melhores, do que se tem escrito por este planeta blogosférico, nos últimos dias.
O crivo, apesar de propositadamente apertado, permitiu-me escalar um time com onze posts.

Aqui deixo os respectivos links:

1- Um mundo muito Próprio - Abrupto
2- Um retrato do poder - Abrupto
3- Momentos - Abrupto
4- Dúvida - O Farol das Artes
5- São assim os partidos de cartel - O País Relativo
6- Mais vale só que mal acompanhado - João Pedro Dias Blog
7- Editorial - A Barriga de um Arquitecto
8- Ler e escutar Popper - O Observador
9- O Binário de Schindler - Blogame Mucho
10- Safa - A Quinta Coluna
11- O Fim dos Mitos - Arte de Opinar

E agora, peço desculpa pela falta de modéstia, mas tenho também que destacar dois posts que conheceram a luz aqui no estabelecimento, e que na minha opinião não devem nada, antes pelo contrário, ao que de melhor se escreveu nos últimos dias na blogosfera portuguesa.

1 - São 4 da manhã e tudo está bem - Da Senhora do Monte
2 - Pingou correspondência do barbudo tresloucado - Da Senhora do Monte

E assim, de vento em popa, vai o Da Senhora do Monte.
Muito obrigado a todos que nos têm visitado.
Boas leituras!

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Já agora...

Atendendo à magnífica capacidade de mobilização que se consegue com o objectivo de entrar para o Guiness, porque é que não fazem a maior colecta de sangue do mundo, ou o maior peditório para instituições de caridade do mundo, enfim algo de verdadeiramente útil? Porque o que o povo quer é animação. É o "animar a malta" de que falava o PG alguns posts atrás.
Já agora para o ano, indo mais de encontro às raízes da nossa cultura ( onde o São Niculau/Santa Claus/Pai Natal com as cores da Coca-cola não figura) porque é que não se vestem todos, para o Guiness é claro, novos e velhos, de Menino Jesus, ou de qualquer outro elemento do presépio?

Luís Pinheiro Coutinho

Até nos Pais Natais levam chita!

A lampionagem desde sábado que andava eufórica. Não falavam de outra coisa. Iam figurar no Guiness Book of Records. Nem mais!
O Estádio da Luz era palco da maior concentração de sempre de Pais Natais e ainda por cima conseguiam ganhar por um expressivo 1-0 ao Penafiel, equipa representativa de uma terra nas imediações de Paredes.
Tinha sido um sábado em beleza!
Já se elaborava o requerimento a solicitar a homologação junto da Comissão do Guiness, quando da mui nobre e invicta cidade do Porto vem um contra-ataque demolidor.
24 mil Pais Natais e mais um - o Sr. Sérgio Nogueira, jardineiro de Gaia, que por força do amor ao FCP foi de Pai Natal, sim senhor, mas azul, que o respeitinho é muito bonito e fica bem - reuniram-se e desfilaram pela cidade e o feito dos lampiões ruiu como um baralho de cartas.
E assim, através desta espectacular contra ofensiva, esfumou-se a esperança da lampionagem em ganhar alguma coisinha esta época.
O que é que será que vão tentar a seguir?

Quem nasceu para Delegado...

…não se devia chamar Delgado.
Cada vez que esbarro em algum escrito de Luís Delgado ou de José Manuel Delgado, - ainda por cima, no DN e na “Bíblia”, esta uma referência incontornável na minha formação - constato que estas personagens padecem do mesmo equívoco.
Sendo eles próprios um equívoco, a raiz do problema só pode ser a mesma em ambos os casos.
Atrevo-me a adivinhar o que aconteceu: por manifesto erro processual dos Conservadores do Registo Civil das respectivas áreas de nascimento, o apelido que erradamente têm escarrapachado no BI é Delgado. Na realidade são ambos Delegados.
Ao serviço de interesses diferentes, é verdade, mas ainda assim Delegados.
E igualmente maus, por sinal!

Esquecimento imperdoável

Duas linhas apenas, unicamente para me penitenciar por um esquecimento relativo ao "post" anterior.
Este poema, já de si fabuloso, ganha uma dimensão completamente diferente ao ser dito por GERMANA TANGER.
Fica a lembrança e a admiração.

Lembram-se? Que saudades...

ANIVERSÁRIO
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Álvaro de Campos, 15-10-1929

domingo, dezembro 19, 2004

Sai um AVC para a mesa do fundo

Na Sic Notícias, diz-se que Pinochet sofreu um acidente vascular cerebral. Rematando a notícia - por certo regada a espumante lá para os lados de Carnaxide - o pacato espectador fica a saber que tudo não passa de uma habilidade do General; parece que sempre que tem que responder em juízo, arranja o arguido uma doença: uma dor de dentes, uma indisposição ligeira, uma enxaqueca das antigas e, desta vez, sendo o caso mais grave, o Augusto simulou um AVC, assim a modos que como quem pede um copo de água. Nem mais, nem menos, eis o rigor do dr. Balsemão. E o assinante da TV Cabo ouve, paga e não bufa. E pensar que o caramelo que teve que ler a notícia tirou o mesmo curso que eu, no mesmo estaminé e tudo. Sempre me pareceu que aquela coisa era pouco exigente. Fica-me uma única satisfação: praxei o gajo. Com excessivo humanismo, parece-me agora...

sábado, dezembro 18, 2004

Pois é, pois é...

Pacheco Pereira escreveu na revista Sábado de ontem um artigo sob o sub-título “ O PSD já teve e pediu maiorias absolutas, lembram-se? Agora mendiga uma aliança com o PP.”
E eu que já concordei aqui com ele, constato que desta vez, é ele que 12 dias depois, concorda com o que sem a mesma notoriedade e capacidade, se escreve aqui no estabelecimento.

Eu é que sou o Pai Natal

A Madalena tem 4 anos, ou melhor, vai ter dentro de dias.
Este ano, na tradicional festa de Natal do colégio que frequenta, investiram-me no cargo de Pai Natal.
A responsabilidade era de monta considerável, já que a coisa, pelo que me apercebi em duas reuniões preparatórias, se assemelhava a uma mega produção de Hollywood.
Metia coro, magia, peça de teatro, presépio, uma entrevista ao Pai Natal e depois a distribuição de prendas às crianças.
Confesso que, depois de ter construído toda uma carreira de bobo da corte ao serviço da animação das várias turmas que frequentei ao longo do meu percurso estudantil, tal papel não me inspirou especiais cuidados, sentia-me à vontade.
Tive que me haver com 150 crianças, entre os 3 e os 5 anos, sentadas no chão à minha frente e mais as respectivas famílias sentadas na bancada do ginásio.
A assistência era amplamente superior à maior parte dos jogos da nossa Super Liga.
Garanto que foi das experiências mais gratificantes da minha vida.
E a Madalena, depois de devidamente esclarecida sobre o facto do Pai Natal ter telefonado expressamente do Pólo Norte, informando que não podia ir ao colégio, mas que delegava as suas habituais funções “ no pai da Madalena”, estava a rebentar de orgulho.
Eu vi isso nos olhos dela quando todos, pequenos e graúdos, iam repetindo, para gáudio dos seus pequenos mas atentos ouvidos: “ o pai da Madalena é que é o Pai Natal”.
E eu, que sou o pai da Madalena, não consigo explicar o que senti. Olhava com emoção aqueles pequenos grandes dois olhos azuis que me fitavam muito atentamente - no meio de outros duzentos e noventa e oito não menos atentos e brilhantes - e eu, que não sou de lágrima fácil – antes pelo contrário – vi cair duas, enquanto despia a farda nos bastidores.
E eram minhas, sim senhor!

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Bem haja senhor padre. Diga-lhes que não há Pai Natal

O país escandalizou-se com os supostos maus tratos a crianças na "Casa do Gaiato".
Quem investigou concluiu que o Estado e os Tribunais deveriam deixar de enviar crianças para esta instituição pois estas eram alvo de maus tratos, mormente de castigos corporais, para além de serem impedidas de sair e visitar as respectivas famílias.
Quanto às que lá estavam e que deram origem a estas conclusões... bom, por ora ficam. Também não era nada de muito grave. Uma chapadita ou outra.
Ouvido o responsável pela "Casa do Gaiato" ficou o país de novo pasmado com a desfaçatez do senhor padre.
Não é que o senhor veio dizer aquilo que cada 9 em 10 portugueses pensa e não tem coragem de dizer?
Não é que veio dizer, sem receios e com a frontalidade que só pode ter quem não vive de palavras e discursos e se encontra respaldado por obra feita, que estamos a falar de crianças problemáticas, adolescentes muitas vezes violentos, de pessoas jovens e desestruturadas, com problemas familiares graves?
Não é que teve o arrojo de vir dizer que era mentira o que tinha concluído os senhores inspectores que, diligentemente, durante dois dias, inteiros, diga-se, inspeccionaram a fundo a dita "Casa do Gaiato"?
Sim, a fundo pois falaram com as crianças e elas disseram que sim, que apanhavam um tabefe de quando em vez... Não foram todas, isso não. Mas lá que disseram, disseram!
Não é que o senhor padre, cujo nome não recordo, a quem envio um forte abraço, veio dizer que a alternativa a uma instituição que funciona como uma normal casa de família, onde há zangas e confrontos, discussões e mal-entendidos, é a rua.
Sim, espíritos puros e castos, a alternativa é a rua. A mesma rua de onde saíram. A mesma rua que as levou à droga, ao crime, à prostituição. A alternativa pode até ser as famílias às quais foram retiradas, não por levarem uma nalgada mas porque sofriam de facto maus tratos.
O senhor padre afrontou a hipocrisia de quem muito fala a favor das crianças mas que olha para o lado quando vê uma a ressacar na rua com um saco de cola na mão. De quem defende as crianças mas acha que as que lhe roubaram o rádio do carro deviam ser presas vinte anos. De quem defende as crianças, os seus direitos e liberdades e ao mesmo tempo acha que o adolescente, delinquente profissional, toxicodependente é uma realidade abstracta educável com carinho e diálogo.
Com carinho e diálogo e não com tabefes. E de quem acha que à meia noite de dia 24 um senhor gordo vestido de vermelho vai descer pela chaminé.

Muito bem senhor padre. Bem haja!
Assim é que é, com coragem, frontalidade, com os pés assentes no chão e não no mundo de Alice e suas maravilhas.
Deviamos fazer como o senhor padre e deixarmos de vez os comentários andróginos e os artigos de opinião anódinos e politicamente correctos.

Vergonhas

Acabei de ver as declarações envergonhadas do Senhor Ministro da Administração Interna acerca das vergonhas do seu Secretário de Estado Adjunto.
A TVI repetiu as declarações de Paulo Pereira Coelho e traçou-as com as de Daniel Sanches.
Daniel Sanches estava envergonhado. Notava-se. Paulo Pereira Coelho gritava que se envergonha do S.N.B.P.C.
E nós?
Já tinha feito um "post" em que ao de leve abordava este assunto. O tempo passa mas não me conformo. Será castigo? Teremos pecados para cruz tão pesada?
Bem sei que todos morremos, é mesmo a única coisa que podemos ter por certa mas será justo que nos queiram matar de VERGONHA!?

Feliz por uma substituição feliz

ontem, enquanto rumava a casa na esperança de uma sopa quente, fui agradavelmente surpreendido quando o locutor de serviço da TSF anunciou que o professor de direito comunitário João Simões Dias iria falar sobre a Turquia e as decisões da U.E. a respeito do processo de adesão daquela a esta.
Seria o João Pedro Simões Dias? Era, era mesmo o João Pedro Simões Dias.
Fiquei muito contente e faço questão de explicar porquê.
Fique contente porque, pese embora não ter contacto com o João Pedro há uns tempos largos, tenho por ele apreço e consideração enquanto pessoa. Pela sua correcção e equilíbrio, pela sua postura e pela sua conduta quando partilhámos projectos. Ele sabia muito de direito comunitário e eu, modestamente era, aliás como hoje, um tipo simpático.
Como já referi tenho saudades desses tempos e do João Pedro.
Depois porque se trata de uma pessoa competente e conhecedora na sua área de saber e, portanto, um contributo considerável quando partilha connosco esses conhecimentos.
Finalmente fiquei contente porque quem costumava falar sobre temas relacionados com o direito e as instituições comunitárias era a Dra. Isabel Meireles.
Quem diz a verdade...
Até mais logo

Verdade e Consequência

Sobre o post anterior que o prezado MAV aqui deixou para a posteridade, deixo algumas respostas, em jeito de canto curto - algumas vezes questionando - visto ser matéria que recorrentemente tenho trazido aqui à colação.
Telegraficamente, cá vai disto, em relação a cada um dos "e se?".
E se nºs 1 e 8: Qual é a dúvida?
E se nºs 2 , 3 e 4: Deixei aqui, e também aqui, oportunamente a resposta.
E se nºs 5, 6, 7, 9: Concordo com a pertinência destas interrogações.
O PSD em que me revejo - que não é este - é aquele em que o povo na sua imensa sabedoria, consegue perceber que o pior do pior do PSD, é melhor que o melhor do PS.
É aquele que se mantém fiel à sua matriz original da social democracia e dessa forma tem capacidade para captar votos ao centro, que é onde se decidem as eleições.
Ora, com a casta de dirigentes que o partido tem neste momento, reconheço e percebo a pertinência das tuas questões. O PSD desviou-se da matriz e é hoje conduzido no sentido do social liberalismo, marcadamente populista e com toques de autoritarismo primário. Se o Partido ceder ao Conservadorismo, PSD e CDS passam a ser um e só um. É para este perigo que modestamente por aqui tenho alertado. O perigo do código genético do Partido ser apagado e branqueado. Inclusivé, já apelei aqui ao Grito de Revolta. Um dia esse grito ecoará!
E se nº 10: É favor encontrar aqui a solução.
E se nº 11: No essencial não andarás, seguramente, longe da realidade histórica factual.

quinta-feira, dezembro 16, 2004

E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro...

E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, o PS ganhasse as eleições legislativas?
E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, os eleitores decidissem mostrar a Santana Lopes que concordam com o que Portas veio a público dizer?
E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, esses eleitores decidissem mostrar a Santana Lopes que a estabilidade foi património do CDS-PP, que a sobriedade e a responsabilidade foram apanágio dos populares, que os argumentos ou os pretextos (como lhe chama Portas) a existirem não foram culpa de Portas?
E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, os eleitores decidirem mostrar a Santana Lopes que Portas, no fundo, se portou mesmo melhor?
E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, os eleitores decidirem que por haver a certeza de uma coligação pós eleitoral entre PSD e CDS-PP é indiferente votar num ou noutro.
E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, esses eleitores, por ser indiferente, votarem em Portas como sinal de agrado, como que fazendo um afago ao PP e dando um puxão de orelhas a Santana Lopes e ao PSD.
E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, estes eleitores que votam PP dando o doce a Portas forem, na sua grande maioria, eleitores do PSD, eleitores que só não votam PSD porque... é a mesma coisa votar PP? Afinal, vai haver coligação.
E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, não houver coligação porque ganhou o PS?
E se um dia, por exemplo no dia 20 de Fevereiro, a votação tradicional do PSD baixar significativamente e a do CDS-PP crescer não menos significativamente?
E se um dia, um dia qualquer, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, o Dr. Pedro Santana Lopes desse corpo ao sonho de Sá Carneiro – Um Governo, uma maioria, um presidente – ao fazer implodir o PPD-PSD e ao colocar tudo na mão do PS?
E se um dia, por exemplo no próximo dia 20 de Fevereiro, eu estivesse redondamente enganado?
Era bom, não era?
Até mais logo

Pingou correspondência do barbudo tresloucado

M'ermão,

Tu não me xinga, vai, q'eu sei que tu é um talassa. Tu disse aqui qu'eu era tresloucado, cara...? Foi o Guedes que me passou a informação, m'ermão. E não tou te perdoando, seu jagunço. Tu sabe que eu sou o único político brasileiro que faz frente a esse monga do Lula? Tu sabe disso? Tu sabe que o PRONA é o único partido que tá crescendo aqui no pedaço? Vai ver você é pelo Malluf, pô. Mais um pouco e você dá à bunda em Copacabana... T'enxerga, pô!

De verdade, qual é teu problema? A bomba? Pô, que você nunca estudou Relações Internacionais e Ciência Política. Isso é matéria de primeiro curso, cara! O que eu disse foi que nós não queremos botar nenhuma bomba nuclear em Buenos Aires, mas é importante q'aqui a favela tenha uma, p'os caras não botarem a deles em cima de gente. É complicado entender isso na tua cachimônia, m'ermão? É o equilíbrio pelo terrô. Você nunca ouviu falar nesse negôcio? Tá nos manuais, cara! Vai, te deixa de conversa de Roberto Leal e apoia o Partido da Reedificação da Ordem Nacional - vai ver que tu conseguia arrumar um nome mais bonito...

Apesar do teu desaforo, aceita um abração do,
Enéas Ferreira Carneiro

Realidade ou Ficção?

Em Fevereiro próximo, Xico Louçã tomará posse como Ministro das Minorias Étnicas, ficará com a tutela da Imigração e disporá a seu bel-prazer dos quadros profissionais do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, vulgo SEF.
Já estou mesmo a ver a briosa, empenhada e dedicada rapaziada do SEF numa verdadeira lufa lufa no Aeroporto de Lisboa.
Será mais ao menos assim:
Metade do contigente
estará permanentemente junto às Chegadas. E quando digo Chegadas, digo-o no sentido literal do termo, já que assentarão arraiais mesmo à boca do túnel/mangueira que liberta os pacatos forasteiros dos Aparelhos Voadores.
Aqui, começa a canseira já que a função deste contingente será conduzir os novos portugueses de forma pacífica e civilizada e se possível com alguma dose de subserviência, embora sem grandes exageros até às passadeiras rolantes que trarão a bagagem dos ex-gringos.
Entretanto, enquanto estes esperam tranquilamente pelas maletas e restantes apetrechos, os expeditos funcionários do SEF carregarão os pertences para os respectivos carrinhos de apoio.
A partir daí, os nossos novos patrícios ficarão por sua conta e risco tendo que sujeitar-se ao incómodo de conduzir os mesmos até à Praça de Táxis.
Lá, serão aguardados pela outra metade do contingente SEF que ordeira e respeitosamente seguindo o milenar método da fila indiana, ordenará os recém-chegados e assegurará o transbordo das bagagens dos carrinhos de apoio para as malas dos Táxis.
A respectiva gorgeta será todavia paga aos táxistas.
Resta acrescentar que Xico Louçã adoptará desde a primeira hora o método quantitativo no que diz respeito a promoções dentro do SEF.
Não tem nada que saber, cada um dos recém chegados colocará um carimbo na carteira profissional do membro do SEF que o receber nas Chegadas, depois, no final do ano será criado um Top Ten dentro da Instituição e serão esses e só esses a ser promovidos e aumentados.
Prático, clarinho, eficaz, não sujeito a recurso.
Estima-se que num futuro relativamente próximo, parte considerável da rapaziada do SEF peça a acreditação na Associação Nacional de Táxis.

quarta-feira, dezembro 15, 2004

São 4 da manhã e tudo está bem.

Três da tarde e tudo está bem.
O Senhor Secretário de Estado Adjunto do M.A.I. diz que tem "...vergonha do modo como funciona o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Cívil"
O Senhor Major-General Paiva Monteiro sentiu-se e, laconicamente, respondeu que "...a ignorância é muito atrevida..."
Cinco da tarde e tudo está bem.
A Senhora Secretária de Estado da Presidência do Conselho de Ministros anuncia sem pompa mas com circunstância que os jipes passarão a pagar classe 1 nas portagens.
Seis da Tarde e tudo está bem.
O Ministro Mexia diz que não, que classe um sim mas apenas para os monovolumes... e lê-se-lhe no olhar: "...pelo menos que eu saiba...".
Sete da tarde e a Senhora Secretária de Estado diz à Agência Lusa que se enganou.
Paciência, são oito da noite e tudo está bem.
O governo vai vender 65 edifícios públicos e passar a pagar renda pela ocupação dos mesmos.
São nove da noite e tudo está bem.
O Rei está no quarto da criada.
A Raínha está com o moço das cavalariças.
São duas da manhã e tudo está bem.
Dentro da anormalidade absoluta está tudo absolutamente normal.
Entretanto ministro do interior inglês foi afastado por ter apressado um processo burocrático qualquer do namorado de uma colaboradora.
Ele há cada coisa, cada planeta mais estranho, e falamos nós do nosso...
Avisam-se os colegas de blog para não deixarem as naves estacionadas em segunda fila e para desligarem os reactores.
São quatro da manhã e tudo está bem.

E o Iraque não? Ora essa! E porquê, podem dizer-me?

PSD e CDS-PP expressaram recentemente a sua concordância com o início do processo de adesão da Turquia à União Europeia. De imediato se levantaram vozes contra. Sempre as mesmas vozes e os mesmos velhos...
Por mais que me esforce não consigo entender a tacanhez de espírito, a visão curta e reaccionária, a atitude salazarenta (está na moda dizer salazarenta ou incontornável, a propósito de tudo e de nada, e achei que aqui ficava bem).

Sim a Turquia. Porque não? A Turquia é um país do mais europeu que querer se possa. Quanto a isto basta olhar para um mapa que ficam as dúvidas desfeitas. Não tem quaisquer problemas ao nível do respeito pelos direitos humanos ou das liberdades e garantias dos cidadãos tão caras a todos nós. Tem uns quantos milhões de habitanttes mas nada por aí além. Não haveria por certo problemas de espécie alguma com o facto de se tratar de um país muçulmano. Então porquê as dúvidas e as críticas ainda que veladas?

Não podemos ser como somos. Temos que ser solidários e não só, temos que ser democratas.

Que entre a Turquia! e digo mais: Não consigo entender, à luz dos argumentos que partilhei acima porque não hão-de o Iraque ou a Síria de entrar também...

Não entendo. Tal como não entendo como é que os eleitos não têm a coragem e a decência de defender as posições e ideias de quem os elegeu e continuam a bindar-se em posições dúbias e não muito corajosas para usar um eufemismo.

Pensam, todos o sabemos, que a Turquia não deve entrar. Que a Turquia não pode entrar. Que a entrada da Turquia é um erro clamoroso. Logo, dizem que apoiam o início das negociações.
Bem visto sem dúvida... sério... corajoso...

Até mais logo

O barbudo Eneias

Na SIC Notícias peroram Guilherme Silva, Nuno Melo, António J. Seguro, Bernardino Soares e Francisco Louçã.

Na "2" com um ar de infelicidade genuína, todos eles, o que não deixa de ser estranho, estão Gonçalo Capitão, João Almeida, Afonso Candal, Luísa Mesquita e alguém do bloco de esquerda que sei estar no Porto mas cujo nome não escutei por força de uma descarga de água que em má hora provoquei.

Fiquei dividido, dei um pulo à SIC, via "Cabocla" cinco minutos e perdi-me em lembranças da política divertida. Igual a esta no conteúdo. Fraca portanto, contudo, divertida.

Partilho a lembrança de tardes passadas com um amigo a quem publicamente saúdo, João Pedro Simões Dias, com quem, na companhia de um ilustre ex secretário de estado da justiça, revi o tratado de Maastricht.

Como adivinham com facilidade o resultado não foi brilhante mas as intenções eram-no e, mais importante que tudo, rimo-nos e a bom rir.

Lembra-se João Pedro?

E lembram-se da política que divertia?

Lembram-se de um tresloucado barbudo, de sua graça Eneias, que durante cinco segundos dizia o seu nome e mais qualquer coisa sobre a bomba atómica, na campanha televisiva durante as presidênciais brasileiras?

Ninguém se oferece para fazer de Eneias? Riamo-nos e depois trocávamos de papeis?

Voltei ao debate da "2". Também dá para rir mas não é de alegria.

Até mais logo

Garanto que ainda não vai ser desta

Em 30 anos, nunca o povo na sua imensa sabedoria conferiu uma maioria absoluta aos Socialistas.

Enquanto isso...

Lá longe, algures no interior, Sócrates, no rescaldo da decisão anunciada, gaguejava qualquer coisa sobre casamentos e uniões de facto.
Se calhar o meu prognóstico, não vai ficar muito longe do escrutínio final.
Só falho na coligação pós-eleitoral.
Friamente, a esta distância, acho que vamos ter que aturar o Xico Louçã!

Portas melhor que Santana

Resultado da conferência de imprensa:
Santana leu um documento.
Parecia peixe fora de água. Não era ele. Estava incomodado. O homem não se dá bem com este protocolo, com esta pose de Estadista, de Governante. Definitivamente, Governante não rima mesmo com Santana.
Portas
esteve bem.
Excelente postura, de improviso, à vontade. Diria até, à vontadinha. Solto, dinâmico, com os gestos e as palavras certas.
Quem ouviu ficou com a sensação que o maior partido e o melhor dirigente, eram os que afinal não são.
E esta, hem?

A montanha pariu um rato

Com grande pompa, circunstância e assinatura protocolar a rigor, Santana e Portas brindaram o país com uma conferência de imprensa.
E o que é que anunciaram?
O que já estava a vigorar!
Então porquê tantos dias para anunciar isto?
Então para quê horas e horas de análise política debitada nos canais de TV pelos vários Luíses Delegados da Nação?
Pois! Não sei.

O que é que tu sabes, que eu sei, que tu sabes?

Este também anda sempre bem informado!

Finito!

Sábado passado, o Expresso dava duas cachas na sua primeira página. Uma dizia: " Pinto da Costa prefere Meneses ou Gomes para a sucessão", a outra garantia: " PSD e CDS concorrem coligados ás legislativas".
De tão disparatadas e erráticas que são ambas as notícias, dispenso-me aqui, de fustigar tão insígne publicação.
Na democracia o povo penaliza os imcompetentes através do voto.
Aqui, eu sou o povo, e o meu voto traduz-se no facto de doravante deixar de religiosa, escrupolosa e semanalmente comparticipar com os meus 3 eurinhos e 50 cêntimos para a manutenção desta casta de patéticos e bitaiteiros jornalistas.
E, nem por isso me sentirei menos informado!

terça-feira, dezembro 14, 2004

Curioso, ou talvez nem tanto...

Em bom rigor, esta entrada não devia ser uma entrada. Esta entrada devia ser um comentário. Devia ser um comentário porque é uma entrada que não tem dignidade de entrada, porque não pode deixar de assumir a sua condição de resposta a uma entrada e porque o assunto em si também não tem grande dignidade.

Ainda assim, é uma entrada porque não me consegui conter. Paciência parceiros de Blog, melhores tempos virão.

Passei a noite de domingo em grande agitação. Passei da angústia à irritação, da irritação à raiva, da raiva ao desespero, do desespero à loucura e voltei de novo à irritação repetindo este percurso vezes sem conta.

O país como se sabe, o mundo como se vê, o tempo como se sente e o S.L.B.assim.

Tentei reagir, conformar-me, convencer-me de que tudo passa e de que as coisas mudarão mais cedo ou mais tarde.

Segunda-feira acordei mais bem disposto, tão bem disposto quanto as segundas-feiras permitem e entrei no nosso Blog para ver as novas.

Já sabia que o porto tinha ganho a taça Intercontinental. Merece, jogou bem, jogou melhor, fiquei triste!

O que não sabia é que durante o dia de ontem o amigo Patrick se iria entreter a alfinetar a “lampionagem”.

Acusei o toque, voltei ao pesadelo de domingo à noite, abri as gavetas da memória e a conclusão é inevitável. O porto ganhou, nos últimos dez, doze anos, tudo quanto podia ganhar.

Campeonatos nacionais e taças de Portugal, campeonatos da 1ª liga e super taças Cândido de Oliveira, taças UEFA, taças dos clubes campeões europeus e ligas dos campeões europeus, super taças europeias e taças intercontinentais. Tudo.

Ganharam bem, com valor, com merecimento, com mais ou menos favores e ajudas, mas com garra, com bom futebol.

Recordo-o e dói-me a alma.

Entretanto mudaram jogadores e técnicos, massagistas e roupeiros, tácticas e modelos de jogo, dirigentes e estádio. Continuaram a ganhar, sempre a ganhar. A ganhar bem, com vontade, com valor, com suor, sangue e lágrimas. Tudo se alterava mas nada mudava. Ganhavam!

Recordo-o e dói-me a alma.

Com atenção verificamos, no entanto, que apenas duas coisas se mantiveram inalteradas nestes anos de ouro, de vitórias e alegrias para o porto. Pinto da Costa, claro está, e o Benfica.

Sim, o Benfica. Aquele por quem gritam quando ganham e quando perdem. Aquele por quem gritam quando são prejudicados e quando não o são. Por quem gritam no estádio, nos estádios, no deles e nos dos outros. Por quem gritam nas ruas, por quem gritam quando aparecem as televisões à hora dos directos. Aquele por quem gritam nos aeroportos, roucos de alegria pela vitória da equipa que chega.

S.L.B., S.L.B, S.L.B.

Recordo-o e sorrio

Abençoada entrada a do Patrick que me curou da dor domingueira. Esqueci Belém, esqueci a equipa e o mau futebol. Como posso eu estar triste se todos os adeptos do campeão nacional, do campeão europeu, do campeão do mundo esquecem tudo menos o meu Benfica?

A milhares de quilómetros de casa, longe das famílias, ao frio e à chuva. A mesma consideração, o mesmo carinho e a mesma referência de grandiosidade e valor a ecoar nas suas cabeças, traduzido no seu grito:

S.L.B, S.L.B., S.L.B...

Não é, ainda assim caso único no mundo. Michael Jackson subiu aos céus com o mundo a seus pés, ganhou o que havia para ganhar e, contudo, queria apenas ser branco...

Na verdade não se trata só do que ganhamos mas do que somos e o porto é o que é.

(Não o Porto, o porto)