Senhora do Monte

terça-feira, novembro 30, 2004

Caiu o governo

E aleijou-se alguém...?

Leitor assíduo

Alguns dos meus escassos leitores, questionam-me sobre se terei algum conhecimento privilegiado na esfera governamental.
Esclareço que não previ, aqui, a demissão de Henrique Chaves.
Limitei-me a exortar o cavalheiro a fazê-lo.
Com a sua decisão, fiquei feliz por saber, que é um dos 1738 leitores que já passaram aqui pela casa.
Deixo aqui o mais profundo agradecimento.

segunda-feira, novembro 29, 2004

Assim se vê a força do PC

No seguimento do post anterior, que o Pedro Guedes aqui deixou, há que reconhecer que em matéria de trabalho braçal - pré e pós Congressos - os gajos são imbatíveis.
Nisto, a verdade é só uma: não há adversário à altura no espectro partidário europeu.

Menos mal

Anda mais de meio mundo a gozar com o congresso do PC e com o novo conducator, sem esquecer o meu amigo Patrick que passou toda a santa sexta-feira deste blogue a cascar no reviralho. Pois ao contrário do que seria talvez de esperar, eu acho engraçado registar que é português o partido mais estalinista do mundo - não se vos ocorra qualquer dúvida que face ao centralismo democrático do velho PCP, o funcionamento interno do PC Cubano é brincadeirinha de crianças. Quanto a mim, o que é curioso observar no PCP é a organização, notável a todos os títulos. Os congressistas não dormem enquanto os outros falam (bem diz o ditado que quando um burro fala o outro baixa as orelhas), os horários são religiosamente cumpridos facilitando os directos televisivos, ninguém lê o Record enquanto Carvalhas abre o bico, só um ou outro oportunista é que ousa combater Domingos Abrantes e é certo e sabido que este Abrantes é um prato...! As pessoas vão tendo cada vez mais a tendência de reparar apenas nos nomes que a comunicação social faz por oferecer e sendo assim, deslembram-se do bom do Abrantes, uma injustiça para este metro e cinquenta e picos de estalinismo puro e duro. Empenhada que está em levar ao colo os chamados "renovadores" - tontos de olhos em bico em vista de um bife no Tavares Rico, uma centena que seja de oportunistas em busca de tacho à mesa do orçamento e em rápida transição para o socialismo democrático e burguês - a imprensa esquece os nomes dos que de facto tornam aquilo possível e agitam sem cansaço as células sindicais.
Vi há pouco uma imagem do encerramento do congresso do PC em que um militante chorava enquanto entoava a "Internacional". Como facilmente calculam, eu quero mais é que a "Internacional" vá ter meninos no alto de Santa Catarina. Mas gosto de verificar que neste mundo ainda há gente com convicções que não se trocam por um prato de lentilhas ou por um posto de deputado. São convicções cretinas, é certo, mas são convicções. E se sou insuspeito quanto a gostar de comunas, bem asseguro que é dos ditos "renovadores" que eu não gosto mesmo nada.

domingo, novembro 28, 2004

E não é que o Chaves entregou mesmo as chaves?

Acabo de ouvir, mesmo agora, que o Ministro "já foi de vela".
Este Governo não para de nos surpreender.
Tudo, mas mesmo tudo, pode acontecer!
Vejo esta demissão através de dois prismas: um de pequena política e outro de grande política.
Este último, é o mais relevante.
Chaves sai e diz "apenas" isto: Neste Governo, não há articulação, nem coordenação. Com este Primeiro Ministro, não há verdade, nem lealdade.
Ora isto, dito por quem é dito, é de uma gravidade extraordinária.
Entretanto, lá por cima, Santana vai sendo vaiado pelo povo enquanto inaugura o IP 3...
É caso para perguntar: Que mais nos irá acontecer?

À vossa consideração...

Será que o sentido de humor, a ironia, a sátira, a crítica mordaz, poderão servir para ocultar ou manifestar as posições que convicta e seriamente defendemos e pretendemos divulgar?
Será esse um bom registo?
Será esse um caminho entendível?

Sócrates: O Estadista

O Sócrates concedeu uma entrevista à SIC Notícias, onde exibiu uma mão cheia de nada e outra com coisa nenhuma.
Disse e repito: o gabinete do Secretário-Geral socialista devia dizer ao seu líder, para não conceder entrevistas, principalmente, como foi o caso, se não tiver nenhuma ideia para apresentar.
É que com os contínuos disparates de Santana e sua rapaziada, a Sócrates basta estar calado e não se mexer para parecer o maior dos Estadistas.

Cavaco sempre a somar...

Cavaco Silva escreve um artigo na edição deste fim de semana do Expresso, onde não faz mais do que explicitar e reiterar as suas últimas tomadas de posição sobre a vida político-partidária portuguesa e os seus protagonistas.
Aborda o afastamento crescente das elites profissionais e dos quadros técnicos qualificados da vida política activa.
Aponta as principais causas e adivinha com grande acerto os efeitos no futuro, se nada for feito.
Com notável presciência indica as soluções e as medidas que deverão ser implementadas para devolver a credibilidade e o respeito à classe dos políticos a ao papel dos partidos na sociedade.
Destaco aqui uma das medidas que segundo ele é necessário implementar.
E destaco, pela frontalidade, coragem e despreendimento que revela quando afirma, sem papas na língua, que: "é preciso ter a coragem de aumentar a remuneração dos agentes políticos, por forma a atrair quadros de reconhecido valor e que vivem dos rendimentos do trabalho."
É impopular? Pois é, mas alguém vai ter que o fazer..
Senão daqui a pouco o Pedro Guedes vai ter mesmo razão e ainda vamos ver este como Ministro.

sexta-feira, novembro 26, 2004

O PCP e os OVNIS

Salvaguardando as devidas proporções e o interesse para a humanidade, o PCP é como um OVNI.
As semelhanças são evidentes, ninguém pode garantir com certeza absoluta que existam; ninguém sabe como são por dentro; e, ninguém os vê.
A única diferença visível, é que a existir o OVNI voa, e o PCP a voar, voa, mas voa baixinho.
E daqui por 5 anos, se tanto, estará em vias de extinção e a existir não passará de um mero rastejante.

Jerónimo de Sousa ou a escolha indiferente

Hoje e nos próximos dois dias, o PCP, escolhe um novo líder- que como é óbvio já vai escolhido pelas entranhas do comité- e por isso vive dias de grande relevância na sua vida interna.
Para o país a relevância é nula e a escolha indiferente.
Jerónimo, o Rato Mickey, Ilda, o Tarzan, António Filipe, o Peter Pan, Odete, a Gata Borralheira, que interessa isso ao país?
Eu, apesar de tudo, escolhia o Peter Pan.

quinta-feira, novembro 25, 2004

Contra Seis milhões...e meio de portugueses

Atente-se ainda na insensatez do Ministro, que profere tal afirmação hostilizando ostensivamente seis milhões... e meio de portugueses.
Para já não falar na profunda falta de respeito para com a "Instituição", onde sabe-se agora, tinha sido um obscuro Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral, da Direcção de Manuel Vilarinho.
É a inabilidade e a sede de protagonismo de mãos dadas e elevadas ao expoente máximo.
E esta conjugação, é sempre um cocktail explosivo.
É caso para dizer: Meu caro Ministro entregue as chaves e vá fazer pela vidinha para outro lado...

Chegar, ver e borrar a pintura!

Parece mentira, mas é verdade. Este Governo esta empenhado em não dar tréguas aqueles que não acreditam nele.
Parece ficção, mas é realidade. Entre o post que aqui deixei "Santana Titanic Lopes" e este, que ora debito, passaram menos de 24 horas.
Henrique Chaves chegou, e como era facilmente prevísivel, iniciou funções com a subtileza de um elefante passeando-se por uma loja de porcelanas.
No seu primeiro dia, recebe oficialmente uma comitiva da "lampionagem", para ao que se sabe receber e visionar um DVD que prova que o Baía tirou a bola de dentro da baliza.
Não contente com tão elevada estreia, lesto dispara à saída do encontro: " Só por delicadeza não atirei o DVD pela janela!".
Cada vez mais, estamos perante o Governo mais patético e anedótico da III República!

Santana Titanic Lopes

Anteontem à noite, enquanto os briosos, mas desinspirados rapazes do Arsenal da Baixa, deixavam o pêlo em campo, o nosso Primeiro, bem menos brioso e bem mais desinspirado que aqueles, debitou mais umas larachas na RTP 1.
Tratou-se, não de uma entrevista de fundo, mas antes de uma entrevista dos fundos da tabela da classe dos estadistas.
Vou concentrar-me apenas numa frase, visto não termos a noite toda, e eu não pretender maçar os meus escassos leitores.
Santana garantiu "estar muito satisfeito com os seus Ministros e respectivos Ministérios".
Se isto, não fosse um caso demasiado sério, diriamos que Santana, ao melhor estilo dos Parodiantes de Lisboa, apenas 24 horas depois, pegou no que de melhor tem este Governo, os Ministros da "Pandilha": Gomes da Silva, Sarmento e Chaves e remodelou-os.
Passariamos todos a respirar muito melhor, se os tivesse atirado borda fora, mas não, o imprevidente Santana apenas os trocou de lugares.
Não contente com isso, ainda conseguiu encaixar mais um competente cacique, líder da Distrital do Porto, numa Secretaria de Estado, que de tão insignificante, sinceramente, nem guardei o nome. É obra!
Mas as contas do rosário, ainda não ficam por aqui.
A coisa deu direito a tomada de posse a preceito e grande festança.
E tudo teria terminado gloriosamente se Santana e suas muchachas não se tivessem esquecido de avisar Hermínio Loureiro e Pedro Duarte, que apesar de manterem as mesmas funções tinham de tomar de novo posse já que lhes mudaram o titular da tutela, e portanto havia imperiosa necessidade da sua presença fisíca.
Os homens não apareceram porque, pura e simplesmente, não sabiam da remodelação.
Como diria o Urtigão, do Walt Disney: "éta, rimodilaçam, punderada e certera!".
E assim, segue a vidinha deste Governo: de derrota, em derrota, até à derrota final.
Entretanto, vou mas é rever a versão do James Cameron, que sempre tem a Kate Winslet...

quarta-feira, novembro 24, 2004

Arsenal da Baixa - 1º Jogo

Acabo de chegar a casa, vindo do jogo inaugural do 3º Torneio de Futebol da Ordem dos Advogados.
A minha equipa, chama-se Arsenal da Baixa, o que é uma perfeita ignomínia, para os verdadeiros Arsenais, o de Londres e o de Braga.
Pelo facto, peço antecipadamente desculpa aos adeptos de ambas as equipas.
Confesso que não queria jogar, mas vieram-me buscar a casa.
O Arsenal da Baixa, tenho que o afirmar sem rodeios, é muito provavelmente, a equipa mais ridícula que já vi evoluir dentro de um campo de futebol.
A equipa adversária chamava-se Fiscalistas e tinha uma média de idades de cerca de 200 anos.
O resultado foi-nos desfavorável, perdemos 2-0.
Não fiquei surpreendido com o nosso zero, mas não estava à espera que os gajos marcassem apenas dois golos.
O resultado explica-se, por um lado, pelo nível exibicional dos nossos "atletas" que analisarei, mais à frente, em detalhe; e por outro lado, porque o árbitro teve uma actuação desastrosa, muito pior, que qualquer Lucílio ou Paixão.
Um escândalo, um roubo de igreja.
O nome do adversário: "Fiscalistas", era ameaçador e ainda por cima ganharam a edição do ano anterior.
O árbitro estava literalmente borrado de medo, aliás, já cheirava na nossa cabine antes do jogo.
Só no final do jogo, percebeu que os gajos afinal não eram do Fisco, mas sim Advogados que ensinam a fugir ao fisco.
Ficou visivelmente mais calmo, tendo ido ao nosso balneário no final, lamentar o equívoco, mas a vilanagem, já estava consumada.
Segue, como conclusão a apreciação individual da nossa equipa, que não deixa dúvidas sobre o seu potencial:
Marcelino ( Posição: Guarda-redes) , o momento mais alto da sua exibição acabou por ser no balneário. Enquanto o mister debitava a táctica- que, de resto, ninguém entendeu- fumava o seu SG Filtro, num gesto de grande irreverência e afirmação perante o grupo. Apagou o cigarro quando corria o quinto minuto de jogo.
Júlio ( posição: Defesa) , tem tido uma evolução espectacular, se nos lembrarmos que há dois anos atrás mal sabia andar. Esteve sempre muito atento, à espera de apanhar o comboio, mas desta vez ele não parou.
Artur ( Posição: Defesa) , Sendo canhoto, não deixa de ser curioso que o seu melhor pé seja o direito.
Fernando ( Posição: Sabe lá ele) , acabou por ser excluído da convocatória à última hora, porque num acto de grande indisciplina, esqueceu-se de trazer o grelhador para as entremeadas e os courates.
Adérito ( Posição: Decide no próximo jogo) , lesionou-se a calçar as chuteiras - estava a tentar meter o pé direito, na bota esquerda- e felizmente ficámos privados do seu contributo.
Rui Pedro ( Posição: Médio Polivalente) , cumpriu escrupulosamente as instruções do mister, que passavam por ocupar racionalmente o espaço e tentar estar sempre onde não estivesse a bola. Cumpriu em pleno e acabou por ser dos melhores da equipa.
Jordão ( Posição: Avançado) , ficou surpreendido quando verificou que o jogo se disputava apenas com uma bola. Inconformado, encostou-se à linha de fundo e tentou convencer o árbitro, com um raciocínio interessante: " se há dez jogadores em campo, porque não há dez bolas?". O árbitro, mostrou-se intransigente e ele também se mostrou intransigente em sair da linha de fundo, de onde nunca se ausentou.
Jorge ( Posição: no chão) , durante os cinco minutos que lhe contabilizamos em campo, esteve quatro minutos e meio no chão a fazer carrinhos. Ficamos a saber, que anda nos Karts.
O escriva ( Posição: dez) , teve a felicidade de ser o único elemento desta equipa que na infância foi apresentado a uma bola de futebol, o que faz toda a diferença. Mágico, só lhe faltou tirar coelhos da cartola. No próximo jogo, só vai, se o forem outra vez buscar a casa.. de joelhos.

terça-feira, novembro 23, 2004

Promovam o homem a Ministro, ou calem-se para sempre...

Na linha de outros doutos e inatacáveis contributos que Alcino Cruz tem deixado para a redução da sinistralidade nas estradas lusas, vem agora, mais uma vez, o Presidente da Associação Portuguesa das Escolas de Condução, - instituição responsável pela emissão anual de dezenas de milhares de permissões de conduzir - fazer doutrina, aliás, com uma clarividência jamais vista em qualquer outro dirigente do sector.
Atentem na magnífica e ponderada entrevista que concedeu ao Correio da Manhã, no âmbito do "Dia da Memória pelos que morrem na estrada".
De realçar, que o destacado dirigente propõe, entre outras medidas de "resultado garantido", que se possa acelerar, sem limite nas rectas e se trave nas curvas para a "casa dos 120 a 160 km/hora. Isto, bem entendido,se circularmos em auto-estrada.
Já se tivermos que dirigir o veículo através de um IP, aí, já a porca torce o rabo, e já só poderiamos colar o acelerador nos 150 Km - mesmo a subir- mas seriamos obrigados a travar nas curvas para uns inadmissíveis 80 Km/hora.
Se não acreditam, leiam, aqui.
O alto dirigente, concerteza por distracção, ainda não se lembrou de ordenar aos seus examinandos e instruendos, que acelerem nas curvas e travem nas rectas.
Mas lá chegaremos...
Entretanto, alguém de direito, poderia dizer ao senhor, que pelo menos se calasse?

Meu caro Vítor,

Sabes bem que dos treinadores que no meu tempo passaram pelo Belém, estás entre os que mais foram credores do meu respeito e da minha sincera estima e simpatia. Gosto de ti, sei que não tens dúvidas quanto a isso e é essa a razão que me leva - em público - a desabafar estas linhas revoltadas. A verdade é que se na passada época do pontapé na bola já andavas a mijar fora do penico, este ano estás a passar das marcas, porra! Bem sei que és da Académica desde pequenino e que a doença é forte. Acresce que sei não ser tua a culpa de comentares jogos da Briosa na Sport TV; a responsabilidade é de quem te contratou. Mas porra, Vítor! Quando corerram contigo do Restelo de forma ignóbil - sabes que é isso que eu penso - quem é que esteve sempre ao teu lado? Os sócios do Belém, homem! A Fúria! O pessoal dos Pastéis... Já não te lembras? Queres que te faça um desenho? E na época seguinte ao teu despedimento, na ida do Belém a Coimbra, lá estavas tu ao pé da malta, ali na geral, à chuva. Ainda não se te tinha olvidado a injustiça, essa é que é essa... mas o tempo passa, bem sei...
E quando te deu um treco na Madeira? Lembras-te de quem se preocupou? De quem tentou saber de ti, saber se te safavas? Bem sei que o mundo do futebol não se recomenda, meu caro Vítor, mas também não te ficava mal manifestares um pouco de gratidão por quantos te quiseram bem - sempre! E no final de contas, porra, nem sequer consegues ver aquela falta que dá o primeiro golo da Académica...?! Foda-se, Vítor. Estás diferente. Eras um gajo justo e simpático, vias a chunga do futebol de cima. E agora, ao ouvir na televisão os teus comentários, dou comigo a pensar que te deram a volta, ou que ainda não desconfio o suficiente da espécie humana. Estás quase igual a eles, Vítor. Pira-te daí que ainda vais a tempo, Homem de Deus! Deixa essa escumalha entregue à sua sorte, mas abre lá esses olhinhos às faltas da Briosa. E já me esquecia: deixa o Jorge em paz, pá. Bem fizeste por ver ali uma falta, um fora de jogo que fosse, uma treta qualquer. Mas nada, meu caro. A televisão, a cada repetição, mais fazia desabar o teu desejo: o golo é limpinho da silva. E tudo isto com um puto, meu Deus! Com um puto que ainda no sábado tinha jogado pelos juniores, calcula. E logo tu; tu que tinhas por eles o carinho que ambos sabemos...! O miúdo não merece, porra!
Deixa-te de merdas, Vítor. Deixa-te de merdas e apesar de tudo, aceita um abraço deste teu amigo que te quer bem.

segunda-feira, novembro 22, 2004

A olho nu - VI

Vincent Van Gogh

Quarto de Van Gogh em Arles,1889

Já tencionava, - dentro do meu relativo conservadorismo, no que à pintura diz respeito- trazer aqui, a esta rúbrica, mais dia, menos dia, uma tela de Vincent Van Gogh.
É díficil, entre a sua obra escolher um Van Gogh, ainda assim trago aqui, um dos que mais gosto.
Quando observo esta tela, relaxo, fico calmo, tranquilo.
É melhor que qualquer medicamento, é anti-insónias, fico com sono, com vontade de dormir.
E trago-o agora, porque, mão amiga, fez-me chegar ontem, a referência e o som deste extraordinário disco de Don Mclean, com este "Vincent", dedicado ao Grande Mestre.
Ainda se consegue encontrar esta relíquia, em vinil, é procurar, é procurar...
Entretanto, como não posso deixar aqui o som, - o que é lamentável - fica a letra, confirmando que no seu tempo, o génio Vincent "bem tentou explicar o caminho, mas eles não ouviram, nem saberiam como...".

Vincent (Acoustic), de Don Mclean, do álbum "American Pie", 1971

Starry, starry night
Paint your palette blue and gray
Look out on a summer's day
With eyes that know the darkness in my soul
Shadows on the hills
Sketch the trees and the daffodils
Catch the breeze and the winter chills
In colors on the snowy linen land

Now I understand what you tried to say to me
And how you suffered for your sanity
How you tried to set them free
They would not listen, they did not know how
Perhaps they'll listen now

Starry, starry night
Flaming flowers that brightly blaze
Swirling clouds in violet haze
Reflect in Vincent's eyes of china blue
Colors changing hue
Morning fields of amber grain
Weathered faces lined in pain
Are soothed beneath the artist's loving hand

For they could not love you
But still your love was true
And when no hope was left inside
On that starry, starry night
You took your life as lovers often do
But I could have told you, Vincent
This world was never meant
For one as beautiful as you

Starry, starry night
Portraits hung in empty halls
Frameless heads on nameless walls
With eyes that watch the world and can't forget
Like the strangers that you've met
The ragged men in ragged clothes
A silver thorn, a bloody rose
Lie crushed and broken on the virgin snow

Now I think I know what you tried to say to me
And how you suffered for your sanity
And how you tried to set them free
They would not listen, they're not listening still
Perhaps they never will...

Se puderem, ouçam, vendo uma sequência de quadros do mestre. Foi o que eu fiz...

A olho nú - V

Sonia Delaunay

Market at Minho
, 1916

Diz a corrente pró-impressionista deste blogue que a arte abstracta não lhes diz grande coisa. Pois eu escolhi exactamente uma pintora , Sónia Delaunay, que a par do seu marido Robert são dois vultos incontornáveis da arte abstracta, mais concretamente do cubismo. Nascida na Ucrânia, Sónia e Robert estavam em Portugal, em 1916, no momento em que a Alemanha declarou guerra a Portugal, enquanto aliado da Grã-Bretanha.

Viveram em Vila do Conde e pintaram alguns quadros sobre o modo de vida dos portugueses que os fascinou, especialmente a Sónia. Este quadro pode muito bem representar a feira da minha cidade natal, Barcelos, que como é sabido rivaliza com Espinho o título de maior feira semanal do país. Curioso é também saber que o casal Delaunay foi preso pela Polícia Portuguesa e encarcerado no Porto. Eram acusados de, no pátio da sua casa em Vila do Conde pintarem algo que se assemelhava a alvos e poderiam estar com isso a trabalhar para a Luftwaffe. Só a intervenção do seu amigo Amadeo de Souza-Cardoso lhes permitiu sair da cadeia e abandonar o país…

Neste quadro julgo que o nosso Patrick já encontrará algo de familiar… É um quadro que está no Centre Georges Pompidou e que esteve em exposição no Porto, no Museu Soares dos Reis no âmbito da Porto Capital Europeia da Cultura de 2001.

Quem tem coragem?

Esta semana, Paulo Pitta e Cunha, destacado fiscalista, mentor da Reforma Fiscal de 1989, teve uma notabilissima intervenção nas Jornadas « 15 Anos de Reforma Fiscal de 88/89».
Disse, fundamentalmente, o seguinte:
1- As garantias dos contribuintes portugueses têm diminuido.
2- A erosão dessas garantias começaram com o sistema simplificado de tributação introduzido em 2000.
3- A questão sofre um profundo agravamento com o novo OE 2005, nomeadamente, com o acesso ilimitado às contas bancárias e à inversão do ónus da prova.
O esclarecido fiscalista, apontou como razão para este dislate legislativo " a ânsia na obtenção de receitas".
Permitam-me concordar, mas questionar o seguinte:
Com a possibilidade real, que apartir de agora, qualquer pequeno «apparatchick» tem de poder aceder às contas bancárias de qualquer jornalista, empresário, jurista, dono de talho, bancário,
cronista, político da oposição e demais cidadãos, - e consequentemente devassar-lhe a vida - quem apartir de agora terá coragem para criticar o governo? Este, ou os próximos?

domingo, novembro 21, 2004

Sobre a proibição do tabaco: haja bom-senso!

Li o post do Pedro Guedes, aqui na casa, e por sugestão dele li o de Francisco José Viegas, no Aviz, intitulado " Seja saudável 3", com data de ontem.
Vou também eu, modestamente - nunca dei uma passa em toda a minha vida e portanto não estou em condições de poder avaliar a verdadeira dimensão dos danos que esta lei trás aos fumadores - deixar aqui a minha opinião sobre tão intrincada problemática.
Em primeiro lugar, diria que não aprecio sobremaneira que fumem ao meu lado e me atirem o fumo para cima. Desagrada-me.
Em segundo lugar, o Pedro Guedes resumiu e muito bem toda a dimensão ética do problema numa única frase, disse ele: "a liberdade dos puristas da saúde acaba justamente, no ponto em que tem início a minha liberdade." Concordo, e acrescento: e vice-versa.
Em terceiro lugar, entendo que deve ser proibido fumar em Hospitais, Escolas, Transportes Públicos e em todos os locais onde se faça referência expressa a essa proibição.
Em quarto lugar, defendo que não se deve fumar nas empresas, independentemente de haver ou não grávidas. Mas as empresas, deverão, na minha opinião - aliás é o que se passa na minha - disponibilizar um local próprio e condigno, para os fumadores poderem com dignidade praticar a modalidade. As empresas, deverão ainda garantir, por exemplo, 4 períodos de 5 minutos cada, durante o horário laboral, para "se fumar o cigarrito e tomar o café". Aqui, falo por experiência própria, teoricamente perdem-se 20 minutos, mas na prática ganham-se horas de satisfação, boa disposição e produtividade.
Em quinto lugar, importa ir ao âmago da questão, pois é este o problema central da nova Lei: O Convívio Social. Neste ponto, é que tem que prevalecer o bom-senso.
E a questão, é a seguinte: Vai passar a ser, de todo, proibido fumar em restaurantes, bares e discotecas?
Como já disse, não sou fumador, mas acho essa medida intolerável. No limite, aceitaria que passasse a haver restaurantes e similares, só para fumadores - e aí os não fumadores também poderiam entrar, e não seriam obrigados a fumar ( de cigarro na boca, bem entendido) - , e outros só para não fumadores - e aí os fumadores poderiam entrar desde que não fumassem- , este é o limite tolerável.
Tudo o que vá para além disto é prepotente, totalitário e ditatorial.
Em sexto lugar, quero aqui dizer que, no que me diz respeito, a amizade sincera que tenho pelos meus amigos e familiares fumadores se sobrepõe, em muito, ao quão é para mim desagradável levar com o fumo em cima.
Em sétimo e último lugar, dirijo-me a FJV, a quem me poderia permitir, ainda que com mais simpatia do que aquela a que ele se referiu ao Legislador, chamar-lhe palerma, todavia não o farei.
FJV, não percebe que perde a razão se fizer uso do mesmo fundamentalismo e radicalismo que o Legislador utilizou para a redacção da Lei?
É um completo disparate, - se para mais for sincero, e ainda por cima referindo-se a supostos amigos- o que afirma quanto aos não fumadores:" Não fumo em casa de amigos não fumadores ( confesso que me escuso a ir, porque são pessoas geralmente muito impositivas e chatas de aturar!) ".
Não percebe que esse é justamente um dos principais argumentos dos redactores da lei, à contrário?
Haja bom-senso, que nestas questões, como noutras, costuma andar arredio, com evidentes prejuízos para a saúde mental de todos.

Ainda em volta do cigarro

Parece-me inteligente sugerir a leitura das entradas de Francisco José Viegas em volta deste assunto. Entram no blogue e seguem a série "Seja Saudável", na certeza de que FJV escreve muitíssimo melhor do que eu. Para rematar, visitem o À espera dos bárbaros. Bom domingo, bons fumos e boas leituras.

O arquipélago do Goulag

Esta coisa de nos quererem impedir de fumar um cigarro num restaurante ou num bar é muito mais séria do que parece. Não sei se repararam na última edição da Grande Reportagem, que ontem dava conta da preferência que a TAP (uma empresa que vive ainda que indirectamente e entre outras benesses, dos impostos sobre o tabaco) manifesta desavergonhadamente nos seus concursos de admissão de pessoal por não fumadores. Num país em que ninguém se escandaliza com nada, a coisa vai passar de mansinho. Na mesma nota, salvo erro (que isto vai de memória) assinada por Torcato Sepúlveda, diz-se que um notável economista alemão - e que vai fazer escola, vocês vão ver...! - entende que as empresas devem descontar nos já de si miseráveis vencimentos pagos ao final de cada mês o tempo que os seus "colaboradores" - é como se diz na banca moderna e é muito mais chique, que a parolice ainda não paga imposto - gastam a fumar um cigarrito ou a beber uma bica nos campos de concentração montados para o efeito.
Tudo isto são sinais; sinais que preocupam. E preocupam porque denotam essencialmente estupidez, ignorância e um totalitarismo de costumes inadmissível. Pessoalmente, não tenho o hábito de fumar onde isso não é permitido e faço por cumprir as regras, do mesmo modo que faço por não fumar, por exemplo, ao lado de mulheres grávidas. Acresce que admito perfeitamente que existam restaurantes onde não é permitido fumar. Quem não fuma sente-se bem e eu não sou obrigado a frequentá-los. Não contesto e se me convidarem para uma festa em tal sítio, ou digo que não vou ou invento uma converseta que de imediato me torna adoentado de momento. Ou seja: convivo com as regras no melhor dos mundos, desde que elas não se metam com a esfera do que me é pessoal. O que me parece de todo intolerável é que não possa existir um restaurante em que se possa fumar. Porque ao contrário da cantilena anti-tabagista, a liberdade dos puristas da saúde acaba justamente no ponto em que tem início a minha liberdade. E eu tenho a liberdade de fumar quando me apetecer, num local exclusivamente frequentado por fumadores ou por quem os tolera. O resto é conversa fiada e de fraca erudição.
Se o Orwell aterrasse aqui hoje, haveria de se querer ir embora de imediato. E escrever o "1984"? Nem pensar nisso. Quando a obra é a realidade, torna-se difícil escrever ficção.

sábado, novembro 20, 2004

Robinho, já confirmou: " Vou não, cara! "

Após ter tido conhecimento da penhora do autocarro da "Instituição", como resultado de uma acção judicial intentada pelo Grande Artista - que, pelos vistos, tem a haver uma data de massa - o craque brasileiro, parece não ter reagido à notícia com os brandos costumes da Nação benfiquista.
Ao que parece, os dirigentes da "Instituição" prontamente informaram, via telegrama, que: " não há problema, nós temos outro! ".
No entanto, Robinho, rapaz prevenido e sagaz, quer dentro, quer fora do "gramado", respondendo a uma questão de um repórter da Globo sobre se de facto vinha ou não para a " Instituição ", disparou certeiro:
"Você tá maluco, cara? Eu, hem? Jogar em time sem ónibus?"

sexta-feira, novembro 19, 2004

Exijam o desmentido com o mesmo destaque!

Li, reli, esfreguei a vista, e então, percebi!
Oh diabo! O raio do jornalista cometeu uma enorme gaffe! Há que pedir responsabilidades ao homem! Recomendo ao pessoal da equipa de Manuel Monteiro, que não deixe que a coisa fique assim, sem desmentido.
Pois é, segundo o JN, Monteiro, do alto dos seus - ainda - zero vírgula qualquer coisa, teria admitido entrar numa plataforma com Paulo Portas e teria acrescentado que desde que fosse para discutir o país, em vez de dois nos cartazes eleitorais, podiam aparecer três: ele, Portas e Santana.
Como eu até acho as pessoas - as que conheço, incluindo Monteiro - muito mais recomendáveis que a maltosa do PP, remato com uma pergunta:
Quem será o desmiolado jornalista?

Ainda sobre congressos partidários

Permitam-me a intromissão, mas não há colecção dos melhores congressos partidários sem os antológicos meetings after-hours dos nossos amigos Populares. Relembro apenas o dia em que ficámos suspensos, à espera de saber o que a Dra. Maria José Nogueira Pinto "sabia que eles sabiam que ela sabia que eles sabiam".

Se a memória não me falha, no mesmo congresso, o actual Ministro do Mar - "quem, eu???" -, então candidato a líder do PP, entrou a galope no pavilhão gimnodesportivo municipal, deu um beijo de morte à sua criatura (também conhecida por dr. Monteiro) e deixou até hoje em suspenso o braço do (politicamente) extinto Nuno Fernandes Thomaz.

Convocatória para o Golpe de Estado ( tido como inevitável ) por Mário Soares

Depois do que aqui deixei escrito no postal anterior, devo dizer que Soares, hoje reapareceu, e rendo-me à sua larga visão.
Em entrevista, concedida hoje à TSF, se não tivesse desbaratado, com sucessivos disparates o seu crédito junto dos seus ex-acólitos, Soares teria de uma golpada, assassinado politicamente Guterres, Durão, Santana, Portas e respectivas clientelas.
Mas apesar de ele ter perdido o crédito, desta vez, não posso deixar de estar de acordo com ele.
É que tenho a certeza que - apesar da União Europeia - se se fizesse uma convocatória para um Encontro preparatório da concepção do Golpe, encher-se-iam várias Fontes Luminosas.
E os conspiradores viriam de todo o lado: dos militares e dos civis; do Norte e do Sul; dos Açores e da Madeira; da Direita e da Esquerda; da função pública e dos privados; do Centro e das franjas; do poder judicial e do poder económico; das elites e das bases.
É que actualmente, sem nos apercebermos, sem vermos os sinais, já vivemos em ditadura!
E, ao contrário de outros tempos, o povo já não é sereno...

Soares em lenta agonia

O velho Senador Soares, tem feito tudo o que está ao seu alcance para delapidar o estatuto e o crédito que conquistou na sociedade portuguesa.
É verdade que o seu nome não poderá ser apagado da História e que para muitos é considerado o pai da nossa democracia, tendo evitado que o poder tivesse caído nas mãos dos comunistas.
Mas nos últimos anos, em vez de se remeter à sua reforma dourada, escrever umas memórias e apanhar sol no Vau, tem desatado numa febre interventiva que o tem conduzido a defender posições erradas, - algumas patéticas mesmo -, e tem falhado em praticamente todos os seus vaticínios.
Hoje por hoje, desgraçado do político a quem o seu nome aparece associado.
Em suma, tem dito disparates, cometido gaffes e imprecisões imperdoáveis a alguém com os seus créditos.
Tem perdido o pé com inusitada facilidade e do célebre "animal político", nada resta.
Ou melhor, se com muito boa vontade, ainda lhe quisessemos reconhecer esse faro, na melhor das hipóteses seria um papa-formigas, muito longe, portanto, do leão de juba alta de outras épocas.

quinta-feira, novembro 18, 2004

A olho nu - IV

Paulo Ossião

Rua Augusta, Lisboa

Não digam que não aviso com tempo...
Ossião, vai inaugurar uma exposição, que será uma mostra magnífica de aguarelas sobre a cidade de Lisboa e desenhos e aguarelas das suas "meninas".
Trata-se de um mestre da técnica da aguarela, de longe, o meu aguarelista preferido.
Com menos brilho, na minha opinião, é também autor de desenhos a carvão.
Aprecio desde longa data a obra de Ossião, que vê Lisboa através de lentes intensamente azuis.
Pinta céus e atmosferas com um estilo e azuis únicos.
Para ele, como para mim, Lisboa é azul.
Azul, azul, azul, sempre azul, tanto azul!
Até as molduras das telas são azuis por formal exigência do autor.
Para os interessados a exposição será na Galeria Palpura, que fica junto ao Museu de Etnologia do Restelo, na Avenida da Ilha da Madeira. Tem ínicio, no próximo dia 25 de Novembro, pelas 19 horas.
Eu lá estarei...

O homem à porta da Zara

Em tom mais leve do que o PG, já pensaram nos reflexos que esta medida de proibição de fumar nos locais públicos vai ter no âmago das relações pessoais, numa sociedade como a nossa, onde a possibilidade de fumar onde se quisesse ainda era um bastião de resistência a um dos fundamentalismos pretensamente “benignos” dos nossos tempos e no qual os Americanos são o expoente máximo?

Lembro-me da terrível implicação que isto terá nas relações entre maridos e mulheres (ou significant others ) perante a iminência de terem de entrar na Zara ou afins sem a desculpa de ficar cá fora a fumar um cigarro…

Já pensaram na pressão psicológica que estes desgraçados terão de enfrentar, e para a qual não estão de todo preparados? Sim, porque homem que é Homem entra na Zara e enfrenta o desafio com dignidade e não fica à porta a fazer aquela figura triste que vemos nos nossos Centros Comerciais. Nem sequer conversam uns com os outros, os pobres…

Nem todos estão à altura do desafio, de permanecer num ambiente completamente hostil e ter de tomar posição sobre questões essenciais como “Gostas mais deste ou daquele que vimos na Massimo Dutti?” . Parecem-me iguais…” diz o infeliz não reparando que o item que lhe é apresentado tem mais um botão do que o outro! É uma pressão psicológica atroz!

Uma amiga minha diz que o marido, que é Homem, entra mas bufa. Sim, cumpre o seu papel mas demonstra o seu descontentamento! E agora acabando a desculpa de fumar cá fora como vai ser? Aproveitarão os espertalhões com olho para o negócio para colocar um quiosque com abundante imprensa desportiva à porta desses estabelecimentos? Talvez não e não sei mesmo se isto não levará a médio ou longo prazo a um aumento significativo de divórcios. Pois é….quem legisla cada vez pensa menos nos reais interesses das populações.

LPC

A Baixa Autoridade para a Comunicação Social

Acabo de ouvir o parecer que a Alta Autoridade para a Comunicação Social - AACS - emitiu sobre o " Caso Marcelo ", que vem no seguimento do caso " Direcção da RTP ".
A coisa vai de vento em popa!
E o que diz a AACS?
Condena fortemente o mui hábil Ministro Gomes da Silva e o não menos hábil Presidente do Grupo Media Capital.
O parecer é conclusivo: não podiam ter feito o que fizeram; violaram preceitos constitucionais fundamentais do Estado de Direito, no contéudo e na forma; exerceram uma forma de pressão totalmente inaceitável.
A AACS remata com um rol de recomendações.
Então, e sanções para os prevaricadores?
Ficam impunes?
Há processos crime e cíveis para interpor em tribunal?
Demite-se o Ministro?
Caçam-se licenças ao empresário?
Nada! Zero! Nada de nada!
Pois é, a AACS, não serve para nada!
Tão simples quanto isto!
Não estaria, ao menos, na hora de mudar o nome a tão proeminente Instituição?
Eu deixo aqui, uma sugestão.
É ler o título deste postal!

Diatribe (muito) Céliniana dedicada aos imbecis que querem decretar que eu não posso fumar um cigarro num restaurante

As “Santanetes” de Leninegrado ocupam o camarote do Czar... Ah! Coitado do Nicolau! Soubesse ele que não se pode fumar sentado!... Militantes ao fundo, endomingados. Um exército de “nomes”!... Rectifique-se: riqueza de talentos “médios”... Mas com um tal ardor... um tal brio de palco! Que Vida!... Insensata!... Por certo um grupo muito mal alimentado! Como os deprimiram?... Foram-se todos, rumo à Razão... A Razão paga-lhes bem... Só falam de Razão... razoavelmente... Uma série de sinos tão rachados... Lá estão eles, a derrearem-se todos de Razão... Paciência!... O Ministro bate com as mãos e pede silêncio. Vai falar... O pobre!... No fim felicito-o.
- Como está? Vai uma passa?
Há olhos que nos seguem no fundo de todas as sombras, a espiar-nos... Olha a grande coisa no tempo que corre! Para a rua, depressa! Ah! Que alegria! Sou arrebatado pelo delírio de um cigarro! Ficaram para trás... os peganhentos! Que rataxórdia! De pepinos!... Sinistros! Eu borrifo-me... Pego no isqueiro e levanto voo! Quero lá saber dos borra-botifóides!... De escumarilha! Que até me comicham os vesúvios!... Fico com o cigarro. De pedra e cal! Stakhanoviciadores!... Parolos!... O que Bruxelas proíbe é lei! Um sistema comunista sem comunistas. Uma pena! Mas não pode transparecer nada! Quem disser “pára” será enforcado! E a bica? A sacana da bica? Ainda posso beber...? Ou também não...? Tratem de as abolir! Verão que eram tais e quais... Digo tais e quais e só isso... Refugo de atarantados! É terrível o cheiro do estrume!... Ora gaita!... divago... ai que se me vai o fio à meada!... o caminho em ziguezague...
Fui almoçar com o Rancotte. Está de cigarro na boca e não se preocupa. Diz que os fiscais se mijam um pouco pernas a baixo... e depois?... O que tem isso?... que grande importância, não haja dúvida! Morrem de morte mais serena!... Lá aparece a bófia dos costumes.
- Bravo, bravo! Que belo serviço!Que malandrice, hem, meus passarocos! Pois com certeza! Pois com certeza! Já vos arranjo! Esperem lá só! Esperem só, que me vão ver! Toda a gente para fora! E esperem pela medida grossa! A fumar num restaurante! Já estou daqui a ver uma data de porrada! Um! Dois! Um! Dois! Três! Quatro! Vai ser uma farra! Vou regalar-vos! Em frente! Marche!...
No grupo há um que é do reviralho! Sabe que escrevo e diz que me pire. Estalinistas armados em missionários!... Era o que me faltava!... Um aguçar de agonias!

quarta-feira, novembro 17, 2004

A olho nu - III

Claude Monet

O Boulevard des Capucines, 1873

Claude Monet é uma das figuras maiores da Escola Impressionista.
Nesta tela, que é uma das minhas preferidas, quando a olho, lembro-me sempre de alguém que é um forte pilar estrutural da minha vida.
Ela diz que eu vejo o macro; não vejo o micro. Abraço o mundo todo; não abraço as cidades, nem os países. Sobre mim, costuma usar uma imagem, que é esta: “ Se lhe pedimos para ir ao frigorífico buscar a manteiga, vê o electrodoméstico; abre a porta; mas depois, o raio da embalagem que esta mesmo à sua frente, não a vê! “.
Este quadro remete-me, portanto, para alguém que me é muito querido, e também por isso gosto dele.
Nele, o meu olhar apodera-se de toda a extensão da pintura. É como se Monet, tivesse aberto a janela, olhasse dois minutos, fechasse os olhos outros dois e depois, sem voltar a olhar, de uma pincelada nos apresentasse a obra acabada.
Aqui vale a imagem global. Os pormenores não existem, não contam.
Eu pelo menos não os vejo. Pelos vistos, nem nesta tela, nem na vida…

As tendências: Impressionismo vs Correntes Abstractas

Em relação às Belas Artes, se a escultura acho perfeitamente dispensável, já a pintura, é a minha favorita.
Música, arquitectura e poesia, cativam-me, exactamente por esta ordem. Aqui e ali, conseguem tocar-me. Mas… pintura é pintura!
Mas nem todas as tendências me interessam.
A expressionista/abstracta, lamento, meu caro Luís Pinheiro Coutinho, é justamente uma das que não me seduzem.
E lamento, porque sei que és sincero no prazer que retiras da contemplação das telas - por exemplo, de Kandinsky e tenho pena de não conseguir compartilhar desse prazer contigo.
Pois é, olho e não vejo! Olho outra vez e não consigo vislumbrar no “ teu “ Komposition VIII, tão pouco, a leveza ou a amplitude de que falas. Pelo menos, se estiver a pensar na leveza do ballet, ou na amplitude da fotografia.
Ao contrário de ti, eu preciso de ser guiado pelo artista – e imaginação não me falta, pelo menos sou acusado disso desde tenra idade – mas neste particular, não gosto de ir sózinho.
Gosto de apreciar o talento inquestionável e como não tenho a aspiração de vir a ser Ministro da Cultura, posso dizer, que não acho particularmente talentosos os pintores das várias correntes abstractas.
O raciocínio é mais ao menos este: “ se até eu, que não tenho qualquer talento visível, ou invisível, para o pincel, acho que…”.
Mas, compreendo perfeitamente o teu ponto de vista, que aliás, é facilmente compreensível. Percebo o teu critério, a tua selecção, porque são coerentes.
Só num ponto, do teu post, "A olho nú - II", não poderia estar em maior desacordo. Falas na invenção da fotografia, - que trouxe a representação dos objectos - , como uma perda irreparável para o Impressionismo.
Acontece que, justamente, o Impressionismo não reproduz paisagens, mas sim a impressão que elas transmitem. É completamente diferente!
O Impressionismo, impressiona.
E essa emoção, na arte, é imprescindível.

terça-feira, novembro 16, 2004

O estranho caso da boazona que me entrou pelo escritório adentro

A frase que titula esta entrada é também o título do primeiro romance "entretido" (como diria o mister Quinito) do advogado José Pinto Carneiro, que viu a luz em 1994, estava eu e mais uns escribas aqui da casa à beirinha de passar para o clube dos licenciados. Pois saibam vosselências que me veio à memória o nome da obra - recomendável, aliás - por conta da demissão agora anunciada de José Rodrigues dos Santos lá no serviço público de televisão. Tudo isto depois da peregrinação diária ao blogue do Clark59, que em matéria de informação e tal qual como nós, não quer que vos falte nada. Ora vejam aqui o que diz o Libelinha.

É mentira!

Não suporto falsidades; tiram-me do sério. E se assim é, nunca poderia passar sem contraditório a tese já aqui defendida pelo Patrick de que os conclaves laranjas são bons porque Santana Lopes é o melhor em congressos. São mas é o caraças, nada mais falso e revelador de memória curta! O que o meu companheiro de blogue aqui deixou gravado para memória futura foi uma tremenda injustiça para com um homem que nasceu politicamente do zero e que chegará a ministro a pulso. Aqui lhe deixo a minha profunda homenagem:

segunda-feira, novembro 15, 2004

A verdadeira resposta de Cavaco

Perante a intenção de Santana Lopes, pasme-se, de aparecer como pai da ideia do " Cavaco a Belém!", o homem de Boliqueime respondeu: " a política portuguesa, de momento é pouco atractiva, pouco estimulante, eu de momento tenho uma vida pessoal e profissional muito activa, e blá, blá,blá, blá... ".
Falemos claro: Cavaco quer ser candidato e vai ser candidato.
Mas na verdade, não tem paciência nenhuma para aturar Santana e Portas.
Cavaco tem memória e na realidade queria dizer, aos senhores jornalistas que o interpelaram, o seguinte: " Esses gajos, vão bardamerda!"

A síntese de Marques Mendes

Era preciso alguém que subisse ao palanque para explicar, como é que em 2006, o PSD poderia ter uma palavra a dizer nas legislativas. Os críticos ficaram em casa. O único que meteu a cabeça de fora, foi o pequeno -grande Marques Mendes, que com a sua habitual intuição política, lá foi dizendo o evidente.
E sem concretizar tudo, pelo menos disse, mais palavra, menos palavra, que o caminho do PSD, deverá ser no sentido da via social-democracia e reformista, e não da via liberal e conservadora, sob pena de se afastar do seu espaço político e se deixar encostar às franjas do eleitorado.
Por outras palavras, disse que o PSD, não precisa de Portas para nada, antes pelo contrário.
Tem razão, o Marques Mendes. Todos sabem onde e com quem é que se ganham as eleições, e não há nada como deixar isso clarificado.
E marcou pontos para o futuro...

Ele falou, falou,falou,falou,falou... e o que é que disse?

Com a devida vénia ao Gato Fedorento, não resisti a adaptar a frase deles para título deste post.
Este fim de semana, não consegui acompanhar o Congresso do PSD. Mas apanhei os resumos.
Sabia que os críticos ficariam no sofá e que não haveria luta pela liderança, portanto o interesse era praticamente nulo.
Ainda assim, Santana, falou que se fartou.
Do que apanhei, o que é que disse com substância?
1- Prometeu forte empenho na luta contra a fraude fiscal. Falou em luta, praticamente armada, já que, até a brigadas se referiu. Concordo, mas não é novo. E ainda assim, teve sorte, como se sabe, o Ministro da pasta, não estava presente, não tendo corrido, portanto, o mínimo risco de ser corrigido ou mesmo desmentido.
2- Disse querer governar até 2014, utilizando o exemplo de Cavaco que tendo governado durante uma década, pode deixar obra. Concordo com o príncipio, mas com este Santana e este CDS, provavelmente daqui por 10 anos pouco ou nada restaria. Andariamos a recolher os cacos.
3- Convidou Cavaco para ser o candidato à Presidência da República. Sem comentários. Ou melhor, com um comentário num post autónomo.
E mais nada!
Abandonou todas as Reformas - nem uma palavra se terá ouvido sobre Saúde e Emprego - duas Reformas que eu, ingenuamente pensava estarem em curso.
Então se o sumo foi este, porque esteve o homem a debitar durante horas e fora de horas?

Congressos partidários e Vocações

Nunca estive num Congresso do PSD. Nem de qualquer outro partido. Nem como congressista, tão pouco como observador.
Mas, no entanto, gosto de Congressos.
No conforto do sofá – após o advento das televisões privadas – assisti a alguns de forma intensa e interessada. Ao ponto de, qual Pedro Guedes, ter gravado alguns em VHS.
Gosto especialmente dos do PSD. Pelo simples facto, de serem os melhores.
São livres, profundamente democráticos, aguerridos, acalorados, com ritmo, forte identidade e, regra geral, há intensa disputa pela liderança.
E isso, interessa-me! A disputa pelo poder em campo aberto, sem rede, ao estilo do “ quem tem unhas toca guitarra!”. Interessa-me o confronto das palavras, das ideias, o verbo fácil, as pausas, os ritmos, as poses, os efeitos da voz e das palavras na plateia.
Ainda que à partida, as espingardas já estejam contadas pelos caciques e a votação decidida, continua a interessar-me.
E interessa-me, entre outras razões, porque, no âmbito da minha vida profissional, sou obrigado várias vezes por mês, a usar da palavra perante dezenas ou centenas de pessoas. Falo em espaços grandes ou pequenos, de forma mais ou menos intimista, em ambientes mais ou menos adversos, de coisas mais ou menos simpáticas, algumas vezes com contraditório, às vezes com perguntas e respostas, outras vezes só debitando.
Confesso que como nunca tive aulas de dicção, nem de colocação de voz e como não tenho nenhum técnico de Marketing ou de imagem a trabalhar comigo, aproveito os Congressos para aprender com alguns craques do ofício.
Como já não me posso socorrer do Calisto Eloy de Barbuda, o craque maior nos últimos anos de Congressos partidários, em Portugal, tem sido Santana Lopes.
Até diria, em Congressos e fora de Congressos!
Quem não se lembra da inauguração do Estádio da Luz?
Perante um estádio a abarrotar, discursou Durão Barrosobenfiquista – debaixo de um enorme coro de assobios, o Presidente do Clube intercedeu a favor do então Primeiro-Ministro, e também foi vaiado. A seguir, passaram o microfone a Santana sportinguista - , ouviu assobios nos primeiros trinta segundos. A seguir, uma, duas, três frases e acabou com o estádio em delírio a aplaudi-lo.
Eu, se não tivesse visto não tinha acreditado!
A pergunta impõe-se: Então se a vocação do homem é esta, se pode ser útil ao partido e ao país em tantas funções, porque insiste em ser inútil numa função para a qual não está preparado e não tem vocação?

A dupla sentença de Mccarthy ( revisitada )

O nosso blogue esteve cerca de 15 dias "em teste", antes de nascer, formalmente no passado dia 2 do corrente.
Nessa altura, no rescaldo do Benfica - FC Porto, e depois daquela inenarrável conferência de imprensa, escrevi um post, que não resisto a transcrever pela pertinência e oportunidade, rezava assim:
" Quando Mccarthy, aos 9 minutos do jogo de ontem arrancou aquele foguete a 30 metros do alvo e todo o estádio, todos os milhões de telespectadores e Moreira, puderam conferir as maravilhas que as novas Roteiro têm para oferecer ao futebol - espectáculo, estava longe de imaginar os danos colaterais que tal biqueirada iria originar.
Com esse fabuloso golo, Mccarthy, aplicou de uma assentada duas sentenças:
I- Sentenciou o jogo, em colaboração com o fiscal de linha que, de facto, não deveria ter deixado de registar o perú de Natal do Baía.
II- Sentenciou os próximos mêses/anos de vida, da impagável e "sui generis" dupla VV e, por arrasto, do Presidente Pinto da Costa.
É que a dupla, apesar de só conseguir surpreender os mais incautos, é totalmente destituída, entre várias outras coisas, do mais elementar bom-senso.
Então, não é que de uma assentada, os cavalheiros - esta dos cavalheiros, é ironia, da mais pura, claro - se colocaram como ponto de mira: do Fisco, da Segurança Social, da Secretaria de Estado do Desporto, da Liga, do Ministério da Administração Interna, dos Super Dragões, do Colectivo, do Guarda Abel, da Polícia Judiciária, de todos os donos de casas de alterne de Norte a Sul do país, do Governo e podiamos ficar aqui a noite toda...
Mas, o pior, o pior, seguramente, ainda está para vir! "
Pois bem, depois desse dia 19 de Outubro, e até agora, o que é que aconteceu?
a) o Fisco e um Banco luxemburguês - concerteza, ambos em perseguição concertada ao Benfica- apertaram Veiga;
b) o mesmo Veiga, auto saneou-se da SAD do Benfica;
c) em plena Assembleia Geral, Vieira teve que tentar defender o indefensável, quando todos nos apercebemos que até para defender o defensável apresenta grandes dificuldades;
d) no primeiro encontro europeu, a sério, foram atropelados em Estugarda;
e) acabam de perder a liderança do Campeonato, e sem Simão, teriam que lutar bravamente para ficar nos 5 primeiros;
f) e ainda, cá estaremos para ver o final da novela Robinho;
Termino, da mesma forma que findei o outro post: " mas o pior, o pior, seguramente, ainda esta para vir!".
Mas, quem sou eu para estar aqui a avisar os benfiquistas?

sexta-feira, novembro 12, 2004

Até que a morte os una.

Muito se tem dito e escrito sobre a morte de Yasser Arafat como momento decisivo, como condição sine qua non para o avançar do processo de paz no Médio Oriente. Parece que era apenas Arafat o obstáculo e que com o seu desaparecimento Israelitas e Palestinianos terão agora condições para desbloquear o processo de paz.

E se Arafat vivo fosse mais útil para o governo Israelita do que morto como aparentemente poderia parecer? Um inimigo irredutível legitimava a acção unilateral de Sharon, e a não dissociação da Fatah de Arafat da Intifada, que voltou a ser o cenário desta interminável questão dificultava a simpatia internacional com as pretensões palestinianas. Um líder novo que seja suficientemente consensual no seio dos palestinianos ( difícil, mas possível), com o Hamas ou pelo menos sem a oposição do Hamas, será o pior que poderá acontecer a Sharon.

O Estado de sítio em que Israel está e a sua justificação na intransigência de Arafat perdem sentido num cenário de aproximação dos palestinianos à mesa das negociações. O apoio político (sempre precário em Israel) de Sharon poderá não se manter num novo cenário. È importante recordar que um dos, ou mesmo o momento de maior permeabilidade do Governo de Israel à negociação culminou com o assassinato de Isaac Rabin às mãos de um fundamentalista judeu.

Será o povo israelita, quer nas opções políticas que tome no futuro, quer na aceitação da inevitabilidade das concessões a fazer, nomeadamente como reagirão os colonos, especialmente de Gaza, que determinará o evoluir deste milenar problema.

Sem essa componente nem Abu Maser, nem Abu Allah, nem qualquer outro possível líder da Autoridade Palestiniana terá o efeito desbloqueador que se pretende atribuir a esta sucessão.

LPC

Ainda e só agora, o caso Marcelo

Nunca falei aqui, neste reduto, do caso Marcelo.
Agora que as moscas já poisaram, deixo aqui, uma pergunta e uma resposta.
Então o país ainda não percebeu que a história é ao contrário?
Meus caros, o poder económico é que pressiona e condiciona o poder político, começa no financiamento dos partidos e acaba sabe-se lá onde.

Sobre o Congresso e Rumo do PSD

Não sou filiado em nenhum partido político. Se houvesse a obrigatoriedade de o ser, no cenário partidário português, seria no PSD. Mas nunca neste PSD, versão Santanista.
Dito isto, acrescentaria, que não aprecio sucessões dinásticas e que não aprecio o estilo e o método deste Governo e deste líder.
Santana tem inegáveis qualidades de entertainer. Mas só isso, ponto final!
Um líder, hoje mais do que nunca, deverá ser:
alguém com fortíssimas convicções, que sejam inabaláveis perante todo e qualquer ruído de fundo;
alguém que seja completamente imune a pressões, que tenha um programa de governo com metas a atingir e que seja escravo desses objectivos;
alguém que seja capaz de se isolar do ruído ensurdecedor da comunicação social;
alguém que seja capaz de estimular, motivar e pressionar os seus Ministros e que os impeça com firmeza de se desviarem do plano traçado;
alguém que seja capaz de ouvir, mas que consiga decidir solitariamente, de acordo apenas com as suas convicções e o superior interesse nacional;
Compreendo, que hoje, é muito difícil governar, existe manifestamente pressão a mais. Diria mais, hoje por hoje, não é possível governar com todo este ruído de fundo, muito menos, se o líder não reunir as condições acima enumeradas.
E Santana Lopes, não reúne.
Coitado! Esta perdido, sem rumo, envelhecido e a correr para entregar o testemunho a um Sócrates qualquer.
A não ser que as tão faladas bases do PSD, tirem algum coelho da cartola…
Mas mesmo que o quisessem, já não iriam a tempo.

Americanos e Israelitas: chegou a hora da verdade!

Como apesar do meu post anterior, todas as altas autoridades mundiais, dizem que chegou o momento, vamos então admitir que sim senhor, afinal, Israel e os EUA sempre estiveram interessados em conduzir um verdadeiro processo de paz para a região.
O obstáculo, era apenas, e tão só um homem, Arafat!
Com ele, que tinha os radicais suicidas relativamente controlados, não era possível; com quem vem aí, que muito dificilmente assegurará a unidade, já vai ser possível.
Partindo desta “verdade absoluta”, fala-se de negociações a três: Autoridade Palestiniana, EUA e Israel.
Se daí saírem lenços brancos, o mundo vai ficar, de repente, qual passe de mágica, bem menos perigoso!
Só faltaria um pequeno detalhe para tudo ser perfeito: as negociações deveriam ser a quatro e não a três. A União Europeia devia estar lá.
E até nem falta jeito ao José Manuel para se pôr em bicos de pés...

quinta-feira, novembro 11, 2004

A morte de Arafat é a solução?

Quero começar por dizer que sempre apreciei exércitos e líderes capazes de, com pedras e paus, guerrearem exércitos e líderes, armados até aos dentes.
Morreu Arafat!
Era o líder incontestado e rosto de toda a Resistência Palestiniana.
Queria apenas um Estado da Palestina democrático e independente.
Com a sua morte, ao invés do que diz a maioria dos analistas, os EUA e Israel, eu não acredito no cenário ideal: novo alento para o processo de paz e fim dos ataques suicidas.
Pelo contrário, não me custa adivinhar: o caos na Autoridade Palestiniana e uma reacção incontrolavel dos grupos armados e radicais.
Como e quem vai controlar esses grupos? Ninguém!
Vão aceitar a autoridade transitória de quem vier a suceder ao ícone? Só se, entre outras coisas, estiverem largamente representados no próximo governo. E isso poderá ser aceite pela Comunidade Internacional?
E como vai ser nas ruas?
E os homens de Gaza e da Cisjordânia, onde se sobrevive num estado de pobreza escandaloso e onde a água esta muito longe de ser suficiente para todos?
E os milhares de potenciais mártires que saem das fileiras dessa pobreza escandalosa?
A única solução, e não acredito nela, seria nas próximas eleições palestinianas – Sim!, Sim! Arafat já era um líder democraticamente eleito – os palestinos escolherem um líder que permita que Israel fique com a esmagadora maioria dos territórios ocupados.
Mas quem acredita nisto?

Aqui houve mão de Deus



Se houve... nem todo o mundo proporciona imagens assim. São coisas de italianos.

Vamos a votos, pá!

Aqui atrás, discorre o Patrick sobre o referendo à Constituição Europeia. Vai ser uma espécie de plebiscito; todos de acordo nas costas dos portugueses, diz ele que ganharão de capote, pelo que a coisa quase não se justifica. Pois que seja. Que seja, mas que os papelinhos sejam contados que até ao lavar dos cestos é vindima.
A este respeito, este que assina estas linhas tem pouco a temer: fez a campanha do "não" ao referendo sobre a legalização do aborto a pedido. E o diabo é que ganhou, apesar de todas as televisões e demais meios de (des)informação garantirem, noite dentro, que a vitória esmagadora do "sim" era mais do que previsível. Recordo-me perfeitamente da noite eleitoral no Hotel Penta e de como terminou cabisbaixo o politicamente correcto. Desde esse dia que não tenho medo de votos. E quem é pelo "sim" não tem que ter piedade do adversário; tem apenas que aceitar a tão apregoada vontade popular. Que depois do assassinato de bebés venha então o polvo europeu! Cá estaremos para dar conta do bicho.

quarta-feira, novembro 10, 2004

Não li a entrevista de Cavaco, mas...

Ouvi ecos, de que o Prof. Cavaco Silva, deu hoje uma entrevista, em que, suponho, terá dito que era contra o referendo sobre a Constituição Europeia.
Escrevo pois, sem rede, visto não saber em que contexto o terá afirmado.
Ainda assim – provavelmente, não pelas mesmas razões – estou de acordo.
De que referendo estamos a falar?
Um referendo, em que assinamos de cruz?
Um referendo, em que PSD – PS- CDS, vão brincar ao faz de conta e, justamente, vão fazer de conta que todos estão de acordo?
Um referendo, em que a própria União Europeia financia fortemente a campanha pelo Sim?
Um referendo, em que por via desse financiamento as armas a utilizar por ambas as facções são completamente desiguais e desproporcionadas?
O resultado final é mais que previsível: Vitória esmagadora do Sim, legitimidade para a Convenção que redigiu o texto e, no fundo, legitimação para todo este processo da Constituição Europeia.
Em sendo assim, não há dúvidas sobre a quem serve este referendo.

E agora Francisco Sá Carneiro?

Até os menos atentos conhecem a frase.
Sá Carneiro lutava por “ um governo, uma maioria, um Presidente”.
Morreu sem cumprir o sonho!
Hoje, mais uma vez, após centenas de situações caricatas verificadas desde a tomada de posse de Santana e do seu executivo, o Ministro das Finanças, desautorizou o Primeiro- Ministro e de forma ensurdecedora e textualmente disse o seguinte: “ quem diz que os impostos vão baixar, mente! “.
Pois é, aquele que se auto arroga ser o seu “delfim”, está a fazer, tudo o que pode, e o que não pode, para honrar o pensamento e o ideal Sá Carneirista.
O problema é que alguém lhe devia dizer que Sá Carneiro pretendia esse Governo, essa Maioria e esse Presidente a equiparem com as cores laranjas.
Como aparentemente, parece que ninguém o alertou para tal – eles não explicam! – a esta hora, aos burgueses mascarados de socialistas basta-lhes nada fazer para terem o caminho aberto para cumprir o sonho.
Só um homem os poderá deter...

Com incrível actualidade

Os meus companheiros de blogue andam dados às artes - à pintura, mais propriamente. Fazem eles muito bem que eu vejo e aprecio, sendo área em que de todo não me sinto à vontade. Vou mais pela poesia, pela estética da mensagem. Essa sim, tira-me do sério, como se diz nas novelas que fazem o desfavor de nos inundar. E em semana em que ficamos a saber que nos pilharam a zona económica exclusiva com conivência dos que desmandam, recorde-se António Manuel Couto Viana - poeta maior entre os vivos - que com notável acerto, escreveu como segue há quase trinta anos:

Este mendigo, outrora, era um menino d'oiro,
Teve um Império seu, mas deixou-se roubar.
Hoje, não sabe já se é castelhano ou moiro
E vai às praias ver se ainda lhe resta o mar!


Já nem isso resta, não senhor...

terça-feira, novembro 09, 2004

A olho nú -II

Wassily Kandinsky

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Komposition VIII, 1923

Considerando que a frase citada pelo nosso caro PB põe em causa toda arte pós-impressionista não resisti a trazer à liça um dos meus quadros favoritos e que já tive o privilégio de observar pessoalmente. Será uma nova polémica que o nosso PB pede. Seja. Partilho com o Patrick o gosto intenso pela arte, mas atrevo-me, com a minha ignorância atrevida sobre a mesma, a discordar o mais possível da referida frase.

Este "Komposition VIII" de Kandinsky representa uma das inúmeras formas de arte que provêm da libertação da representação do objecto e contrapôe-se às meras interpretações, como o fazem (seguramente que muitas vezes bem) todos os artistas que o representam das mais variadas formas. Neste quadro os intérpretes somos nós, e a nossa interpretação é livre , não condicionada à prévia interpretação do autor.

Este quadro faz-me sentir bem, tão simples quanto isso. Vejo nele leveza e amplitude. Se o compreendo? A ausência de interpretação do autor permite-me gostar sem interpretar e se o tentar fazer, qualquer interpretação será válida.
Esta decisão de gostar sem interpretar ou compreender só existe na arte expressionista/abstracta, pois pode-se gostar ou não de um impressionista mas a questão de o compreender já não é colocada da mesma forma. O quadro acima faz-me sorrir e sou eu que o interpreto. Dá-me esse pequeno acréscimo de intervenção na arte que me dá muito gozo. A minha interpretação deste Kandinsky é só minha. Não a compartilho com ninguém,

O mesmo sucede com Malevich, com os Delaunay, Miró, Piet Mondrian ou mesmo o Jackson Pollock que o Ed Harris tão bem retratou no filme com o seu nome E na escultura o Constantin Brancusi, o Calder e tantos outros.

Mas longe de mim dizer que os impressionistas ou artistas de escolas “não abstractas”, se os puristas das designações me permitirem, não tenham criado peças belíssimas. Eu não passo sem o meu Hopper ou sem o Surrealismo.

Os gostos são relativos, o bom gosto é que não. Esse é objectivo.

Apenas acho que com a invenção da fotografia, a representação dos objectos, e aí incluo a dos impressionistas, perdeu, na minha singela opinião o interesse que teria em épocas anteriores. Mas o belo existirá sempre seja visto pela óptica de uma Hasselblad seja pelo pincel de um Degas ou um Van Gogh.

Eu é que, ao poder interpretar, me sinto um pouco mais “dentro” da obra, sinto-a um pouco mais minha.

LPC

segunda-feira, novembro 08, 2004

A olho nu - I

Berthe Morisot

O Berço, 1873

Começa aqui a rubrica " A olho nú ".
Por aqui, desfilarão as Giocondas da minha vida.
Muito dificilmente, poderia começar melhor.
Morisot foi uma das pioneiras do movimento impressionista e eu quase concordo com alguém, que não recordo agora, quando disse: " não teria vindo especial mal ao mundo se a arte tivesse acabado no Impressionismo ".
Este primeiro " A olho nú ", é dedicado aos meus filhos, aos meus sobrinhos, aos meus priminhos, aos meus afilhados, aos filhos dos meus amigos, a todas as crianças do mundo e, em especial, às recém nascidas, Francisca Duarte e Matilde Pessanha Lopes.

domingo, novembro 07, 2004

Esboço de um perfil

Segundo a memória familiar, no dia em que nasci, o velho Fusca viu-se em apuros para ultrapassar os rápidos criados pela chuva forte na esburacada Estrada de Sintra. A alegria no quarto do hospital onde vim ao mundo, ali para os lados de São Sebastião da Pedreira, contrastou com a solenidade das condolências oficiais pela morte de Golda Meir.

Os primeiros anos foram de rotinas pacíficas, num subúrbio semi-campestre de casas rasas. Depressa esse mundo desapareceu. Gastei as últimas brincadeiras com o meu avô materno atirando seixos planantes sobre enormes crateras alagadas, prenúncios dos primeiros prédios altos de Massamá.

A querosiana estrada engordou, perdeu os buracos e ganhou nome de formulário (IC 19). Pelo caminho, mudei de hábitos. Dividi a escolaridade obrigatória entre um acolhedor palacete da Rua Artilharia Um, infelizmente transformado num parque de estacionamento, e uma moderna construção de inspiração Lego, no Alto dos Moinhos.

Seguiu-se o capítulo universitário, onde optei por Económicas, no vetusto instituto vizinho da Assembleia da República - o mais perto que estive da vida política activa. By the way: sou um democrata (convém começar por aqui); defendo que, garantidos os princípios fundamentais de um Estado de Direito, não deve haver interferência nos estilos de vida e valores de cada indivíduo; sou por um papel importante do Estado na redistribuição dos recursos e na solidariedade social.

Artisticamente, comecei a formar o meu gosto numa cinemateca chamada RTP2. Daqui, o interesse dispersou-se pela música, pela literatura, pela fotografia e pela pintura. Não deixo também escapar a oportunidade de uma viagem, que considero, juntamente com a arte, a melhor forma de nos conhecermos. Que este blog sirva para o relato desse contínuo processo de conhecimento.

Alea jacta est.

Piruetas

Em primeiro lugar, há que dizê-lo, com toda a frontalidade, que tu, PG, és um verdadeiro Armazenista. Um grossista, por excelência!
As coisas que tu te lembras de guardar!
Não me espantaria que, mais dia, menos dia, tivesses que comprar um apartamentozito, entre o teu e o do Manuel Alegre, para assistirmos à inauguração de uma nova Torre do Tombo.
Já agora, até estava a ver, uma coligação entre ti e o Poeta, para fazerem a aquisição a meias. É que o armazém dele, também não deve ser modesto e já vi coligações mais imprevistas!
Mas, sobre as piruetas, que é o tema deste post, essas, não se ficam por esse quadrante político. Sistematicamente, vamos sendo brindados com números de excepcional recorte técnico.
Ainda agora, recentemente, tivemos o exemplo, de um jovem guru, do PS, que depois de ser visto como o delfim do velho Dr. Soares e de andar colado ao Louçã e lhe copiar os tiques, as poses e o discurso, aparece agora como o redactor e mentor ( para quem quiser acreditar nisso) da moção de estratégia do Engº Sócrates. E não contente com isso, ainda desata numa desenfreada sede de protagonismo, fazendo intervenções sucessivas em que vem dizer que os tipos do Bloco são um bando de malfeitores, que não os quer levar ao colo para o Governo e que o espaço de afirmação do PS é ao centro e não à esquerda e muito menos com essa esquerda.
Dirão: nada mais certo! Concordo. Só não podia era ser o Sérgio Sousa Pinto a dizê-lo. Por decoro, escolhessem outro.
O que é lamentável no meio disto tudo, é que o Comité Olímpico Português, esteja desatento. É que, com esta malta, podiamos fazer um figuraço e arrecadar um ror de medalhas na Ginástica Acrobática.
E com facilidade arranjavam-se mais atletas!

Mudanças de cento e oitenta graus

Há bocadinho vi uns tempos de antena antigos da velha campanha do Miguel Esteves Cardoso para o Parlamento Europeu. Apareciam por lá, para além do candidato, Vasco Pulido Valente e o nosso ilustre Ministro da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar (que entretanto deixámos de ter). Os textos então debitados pelo Paulinho das feiras na aventura eleitoral intitulada de "Olá Europa, Viva Portugal!" são um must para a próxima campanha do "Não" no referendo à Constituição Europeia. Se alguém envolvido na respectiva organização precisar de cópia de tão preciosa fita, que faça o favor de pedir. Para informar a Nação.

Sobre os Reformistas e o Económico

Agora sou eu que digo, " nada mais errado ", do que dizer que " os reformistas não aceitam outra coisa que não a redução do político ao económico."
Vamos lá ver: Falo de Direita Reformista, enquanto veículo de reformas dos sistemas existentes. As Reformas, logicamente, têm que ser executadas em etapas realistas e adequadas à concretização dos principais objectivos para que foram pensadas, e que passam, ou deveriam passar, normalmente, pela substituição de sistemas que já não sirvam as populações e os interesses dos Estados que as promovem.
Agora, é elementar, que as Reformas, todas as Reformas, - a menos que estejamos a falar do actual Governo - têm que partir da análise financeira, da disponibilidade das contas públicas, isto é, das disponibilidades financeiras dos Estados.
Logicamente, as Reformas, estão subordinadas ao económico, e isso, per si, não é um problema.
O que não podem, nem devem, é promover a defesa de determinados interesses e privilégios, que conduzam a uma promoção de círculos, seitas e grupos fechados, e com isso haja uma degola dos inocentes, por outras palavras, que provoquem o estrangulamento das camadas excluidas.
As Reformas, quero eu dizer, devem ser feitas, no interesse das maiorias que não têm voz e não no interesse de meia dúzia de iluminados.
O que é que isto, tem de imcompatível, com a direita social-democrata? E com a Direita Liberal? Então, estas Direitas, também não deverão - e cada vez mais - ter preocupações humanistas e sociais? Não podem governar à direita no que respeita à soberania e identidade nacional, à segurança nacional, à Educação, às questões da família, e ao mesmo tempo abraçar as franjas da sociedade? Não tem sido, em Portugal, o PSD - que não o actual - um baluarte no que a Reformas diz respeito? E o PS, que é de esquerda, quantas Reformas fez?
Agora, caro PG, tiro o lenço branco e peço-te tréguas!
É que para continuarmos neste registo, fazem cá falta os outros companheiros de blogue, se continuamos aqui os dois, ao estilo dos marretas, daqui a pouco ninguém nos atura e ainda acabamos os dois a beber umas minis no Alcafache.
Se achares, que deves " postar " mais uma vez em relação a este assunto, tens esse direito, mas se resistires e não o fizeres, para já ficamos por aqui.
Tréguas?

Sobre o dogma da Direita

Acerca do post do PG, " Apesar dos quatro posts", são levantadas duas questões, que merecem que eu riposte o seguinte: penso entender, mas não concordo, com os teus argumentos ( pelo menos, explicitados de forma tão redutora).
A minha expressão do "genuina e estruturalmente bom", que já fez correr tanta tinta, é para mim, relevante do ponto de vista da doutrina política - embora entenda que a acção é incomensuravelmente mais importante que a doutrina e a ideologia ( visto que estas, a par de alterações precipitadas, e motivadas por grandes frases idealistas , já nos arrastaram para holocaustos, de onde todas as camadas sociais dificilmente conseguem recuperar dos golpes infligidos) - mas, é muito mais relevante do ponto de vista filosófico e existencial.
Não sou anjinho - bem sabes que não tenho asas - e o discernimento que me resta, permite-me, saber que há Homens maus. Muito maus. Sem escrúpulos, sem princípios, capazes das maiores barbáries, irracionais. Agora, o que sei, ou julgo saber, porque para mim , isto esta longe de ser uma questão dogmática - só aceito dogmas em relação a situações muito restritas, por exemplo, na religião, onde os crentes aceitam incondicionalmente e sem quaisquer reservas a verdade revelada - é que, se a todos os Homens, desde a concepção, fosse dada a oportunidade de arrancar do mesmo lugar da grelha de partida, se a todos fosse dada, verdadeiramente, a oportunidade de escolher entre o bem e o mal - a maioria escolheria o bem - , entre o certo e o errado - a maioria escolheria o certo -.
Ainda que, admitindo, em tese, que a natureza - a palavra é tua, e é, de facto, mais apropriada que condição - humana é tendencialmente má, péssimista e negativa, teria sempre a maior dificuldade em ver as coisas pelo prisma fatalista da imutabilidade da natureza humana, visão essa, é verdade, partilhada pelo pelotão dos teóricos doutrinários da Direita tradicional.
No que eu acredito, é que à partida a maioria dos Homens, têm condições para atingir o patamar " da grandeza " e da " bondade ". A realidade e o futuro de uma pessoa é uma construção social, condicionada em grande medida, e entre outros factores, pelo meio, a proveniência, a camada social e o acesso à cultura. É apartir dessas realidades que o ser parte para o entendimento de convicções fundamentais. As diferentes Sociedades/Estados, deveriam ser capazes de garantir condições para o ser humano desenvolver todo o seu talento e potencial. Ao invés, quase sempre essas Sociedades, massificadas, desiquilibradas, sem valores, canibais, encarregam-se de o ir fazendo descarrilar do trilho que o levaria, ao tal patamar, da dignidade humana. Ainda assim, concordarás, que, há milhões de resistentes em todo o mundo, o que convenhamos , confirma, apesar de todas as dificuldades, a tese que defendo sobre a natureza humana.
Portanto, sobre a questão ser dogmática, - e mesmo tendo percebido que o afirmavas em relação à Direita, e não em relação à questão em si mesma - bem sabes que a capacidade do Homem para atingir a verdade absoluta é extremamente limitada.
Valerá, até a pena, lembrar Kant ( infelizmente, já não tenho os manuais do 12º ano, para o tentar confirmar) , bom, mas penso que era Kant, que dizia, mais coisa, menos coisa, o seguinte: " ser uma palermice toda e qualquer pretensão do conhecimento em atingir o absoluto". Ou seria Sócrates?

sábado, novembro 06, 2004

Amores clubistas

Sou um profundo apaixonado pelo futebol. Portista, por razões do coração, ao longo da vida por vicissitudes várias aprendi a respeitar, gostar e vibrar, com as emoções de outros três clubes. Onde quer que esteja, a sul ou a norte do Equador, no Brasil ou em Cuba, nos Estados Unidos ou na Holanda, no ar ou em terra, na neve ou no sol, tenho sempre que saber os resultados do Porto, do Belém, do Amora e do Casa Pia. E já agora, quem marcou os golos.Hoje, por exemplo, o Antchouet marcou três, e já o estou a ver de braço dado com o mister Carvalhal, a equipar no balneário do Dragão. No lado do visitado, bem entendido!

Constatação de facto

O Manuel Alegre é o fulano mais noctívago da minha rua - a seguir a mim, evidentemente. Chega mesmo a haver dias em que a luz do seu escritório - presumo que será o escritório - se apaga depois da minha. Eis a trova do tempo que passa.

Onde é que andam os escribas?

Com excepção do Antunes Varela júnior que tem falta justificada por estar no Brasil a apanhar sol e descontando-me a mim, ao Patrick e ao Luís, que é feito dos restantes? Auto-sanearam-se ao tiro de partida?

Apesar dos quatro postais...

... tenho dificuldade em responder ao Patrick. É que se existe questão que distingue a direita da esquerda é justamente a da natureza humana e da sua eventual bondade. A direita não vai por aí e essa é matéria dogmática, não tem volta a dar... basta ler os autores. Ainda assim, as contradições são claras. Diz o Patrick que caminha pela via da "direita reformista", para logo de seguida avançar que acredita na direita que "não aceita a redução da política à questão económica". Mais uma vez, nada mais errado. Não aceitam os reformistas outra coisa...
Mas como dizes, havemos de voltar aqui. Que Deus nos dê tantos anos de vida como dá golos ao Antchouet.

sexta-feira, novembro 05, 2004

Vida em "pause".

Nunca pensaram em por a vida em “pause” enquanto se vai lá dentro buscar uma cerveja à cozinha? De por um momento sermos nós a determinar quando as coisas acontecem e não elas a determinarem o que nós somos e o que fazemos. Observar sem tempo, analisar sem emoção. Mudaríamos alguma coisa na sala para estarmos mais confortáveis quando carregássemos no play? De quanto tempo necessitaríamos para nos pormos mais confortáveis? Mas se o tempo parou o que isso importa? Se assim de repente não encontrássemos nada para mudar, isso quereria dizer que seríamos felizes?

Nem sequer mudar uma almofada ou acender um candeeiro para ver melhor aquele cantinho no qual nunca reparámos mas que era onde a cama estava no chão quando não tínhamos ainda os móveis. Já foi o local mais importante da casa e agora mal o vemos.

Não podemos por a nossa vida em pause mas podemos vê-la com algum distanciamento, quando queremos. E podemos reavaliar as nossas metas por baixo, como faz o Banco Central de quando em vez . Mas aproximar as metas não é batota? Não sei, mas se não posso ter o Maserati 3200 GT, porque não ficar feliz porque o carro que comprei gasta menos e é muito mais confortável do que o anterior? Mesmo que tenha um apito irritante a ordenar-me que ponha o cinto.

Penso que muitos dos nossos problemas e das nossas insatisfações passam exactamente por não pararmos de vez em quando o filme e reavaliarmos as nossas metas e prioridades.

Mas se, na ânsia de continuarmos com o filme da vida, com a curiosidade avassaladora de saber o que vem a seguir, carregarmos no play, teremos perdido uma boa oportunidade de sermos, nem que seja um pouco, mais felizes

LPC

Any way the wind blows

“Any way the wind blows, doesn’t really matter… to me.” Queen, “Bohemian Rhapsody”

Saibam que acompanho com muito interesse a excelente discussão, e acho que é mesmo uma conversa “às direitas”. Mas, com pena, meti a política na gaveta, embora saiba onde está a chave. Desde o dia em que alguém (que se acuse se quiser) conseguiu humilhar a direcção de uma Juventude Partidária com a simples e já célebre frase “ Martim, de ti saudades…” que o gozo da discussão e participação política se esmoreceram em mim. Mas como só há duas coisas incontornáveis ( a morte e os impostos) nunca se sabe e até pode ser que o estímulo dos vossos posts me façam abrir a tal gaveta. Sinto que estou no banco e que há muitos titulares para o meu lugar, e eu não sou grande coisa nos treinos da política.
Feita esta ressalva para que não achem que blogo à deriva, mas apenas que talvez pela menor familiaridade convosco, me é mais fácil compartilhar alguns “pensamentos ociosos”, o que aliás já ameacei na minha apresentação. Dito isto segue “A vida em pause”

LPC

Não perdes pela demora

Este Patrick sabe-a toda. Então não é que gasta quatro postais para responder a uma inocência de meia dúzia de linhas que eu deixei - como se diz na terra dele - aqui há atrasado... e tudo para me convencer que é de direita. Pelo meio ainda diz que pensava gastar os primeiros tiros a discutir música, cinema, livros e cultura geral. Só faltam os violinos do Chopin...!
O Patrick esqueceu-se de dizer na sua apresentação que gosta de boas polémicas. Era o ponto 30. Mas eu sei disso e sexta-feira já lhe trato da saúde. Como dizem os brasileiros, m'esperem, vai.

Haveremos de cá voltar... ( para ficar tudo, clarinho...)

Esta questiúncula, poderia levar-nos muito longe, e haveremos, se tiveres interesse e paciência para isso, de discutir, aqui, noutra altura, as várias direitas e as várias esquerdas.
No entanto, apesar do teu peregrino diagnóstico, que, de resto, é coincidente com o do Political Compass - que deu esquerda libertária, embora na fronteira, com a direita, também libertária -ficas, caro PG, a saber que:
a Direita que me interessa é a que segue pela via reformista e não pela via revolucionária; é a que está sempre disponível para mudar ( ainda que só o faça quando se prova cabalmente que existe fundamento para isso) ; é a que apoia as empresas portuguesas, sem complexos, porque sabe que, com empresas privadas fortes e competitivas, mantemos a nossa identidade. No entanto, não aceita a redução da política à questão económica; é a que não facilita em questões de segurança e que aposta na formação dos polícias; é a que dá poderes aos professores e não deixa que estes sejam atropelados na sua dignidade, tão pouco espancados; é a que não tolera a indisciplina e a violência nas escolas; é a que garante cuidados de saúde a todos e não apenas àqueles que podem pagar os prémios das seguradoras; é aquela que luta pela implementação de uma ética empresarial, que conduza a que todos sintam a obrigação moral e cívica de pagar impostos; é a que aposta no reforço das garantias dos cidadãos, mas que, com certeza absoluta nas condenações tem mão pesada e aumenta as molduras penais, com limite na prisão perpétua;
a Direita, ou Direitas que não me interessam, são as conservadoras e as democratas-cristãs, porque incorporam fraquezas: não são reformistas, não são progressistas, são muitas vezes moralista e reaccionárias, lidam mal com a mudança, são eternamente saudosistas, reagem tarde aos acontecimentos e são em muitos casos confessionais ( o que, do meu ponto de vista, é inaceitável).
Mas, no entanto, haveremos de cá voltar...